Primeiro hospital privado dos Açores

Um investimento de 40 milhões de euros num hospital que quer ser para todos

Foi ontem inaugurado, na Lagoa, o primeiro hospital privado dos Açores que representou um investimento de 40 milhões de euros e que pretende ser um complemento ao Serviço Regional de Saúde mas piscando o olho ao mercado norte-americano, para o turismo de saúde. 
Uma unidade de saúde que se compromete a prestar “cuidados de saúde de excelência, com tecnologia de ponta e hotelaria e serviços focados no utente”, com uma capacidade instalada global, integrada e diferenciada.
Com uma ambição de gerar 300 postos de trabalho, o Hospital Internacional dos Açores (HIA) abre portas com 50 consultórios médicos, 96 camas para vários serviços, cinco blocos operatórios - um dos quais bloco de partos -, maternidade, unidade de cuidados intensivos neo-natais, unidade de cuidados intensivos de adultos “que praticamente duplica a capacidade da ilha de São Miguel”. Terá mais de 40 especialidades, hospital de dia oncológico e não oncológico, unidade de imagiologia “equipada com tecnologia topo de gama”, laboratório de anatomia patológica e laboratório de análises clínicas, urgência 24 horas e múltiplas áreas dedicadas a meios complementares de diagnóstico e tratamento. 
Trata-se de um projecto que vai permitir que os açorianos passem a fazer ali procedimentos que apenas estavam acessíveis no continente – como a cirurgia cardíaca, electrofisiologia, ressonância cardíaca, exames TAVIS, medicina estética – reforçando a capacidade do Serviço Regional de Saúde (SRS) em termos de oftalmologia e urologia. Uma “forte mais-valia” refere Luís Miguel Farinha, Presidente do Conselho de Administração do Hospital Internacional dos Açores, já que agora os açorianos “deixam de estar condicionados apenas a um local de tratamentos”. 
Com todo o aumento de capacidade instalada, também houve um reforço de profissionais de saúde mas o HIA teve “sempre a preocupação de não desviar recursos fundamentais do Serviço Regional de Saúde” e procurou que muitos médicos, enfermeiros e técnicos açorianos regressassem à Região. E “estamos convencidos que muitos mais virão. Associados a equipas do continente, que complementarão a oferta em áreas mais carenciadas”. Este será mais um atractivo – também poderem exercer a sua actividade num hospital privado – que também pesará na hora de atrair recursos humanos, principalmente médicos, para a Região o que, no limite, “poderá levar a alguma diminuição de afluxo ao serviço público”. 

Turismo médico
Assegurando que a nova unidade de saúde “se encontra à disposição dos Açores e dos açorianos”, manifestando “colaboração e compromisso com o Serviço Regional de Saúde, o Presidente do Conselho de Administração do novo hospital privado dos Açores pretende ser mais uma ajuda na recuperação de lista de espera cirúrgicas e não cirúrgicas “e possivelmente a diminuição dos tempos de espera” para determinados procedimentos. 
Mas esta nova unidade hospitalar será também mais um motivo de atracção para o turismo. “O conhecimento antecipado por parte dos turistas do aumento da capacidade instalada e da existência de um hospital privado, será muito importante aquando da retoma deste sector, ao permitir uma assistência rápida e eficiente a esses utentes”, explicou Luís Miguel Farinha. O mercado norte-americano será preferencial para o desenvolvimento do turismo médico, principalmente devido aos “voos directos de curta duração”. O HIA já iniciou contactos com a John Hopkins Medicine International e com a Fundação Champalimaud para a formação médica e já estabeleceu protocolos com a Universidade dos Açores, através da Escola de Enfermagem, para uma constante aposta na formação. 
Por tudo isto, e emocionado, Luís Miguel Farinha gostava que os açorianos “entendessem o HIA como um hospital para todos” e para isso o hospital desenvolveu um “programa de acesso” que inclui acordos com as seguradoras de saúde e acidentes mais representativas, assim como aderiu à convenção da ADSE. “Com algumas excepções, a adesão a esta convenção, vai ao encontro das expectativas dos beneficiários nos Açores. Serão grande mais-valia para os utentes, para exames complementares de diagnóstico e cirurgia”. 
Um projecto de saúde que pretende apontar a várias vertentes, assumindo-se como um complemento ao Serviço Regional de Saúde recorrendo à “tecnologia de ponta”.
                                         Carla Dias
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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