21 de março de 2021

Recados com Amor...

Meus Queridos! Seguindo as normas em vigor na minha cidade norte sobre a pandemia, juntei na minha casa na Rua Gonçalo Bezerra, cinco amigas para tomarmos um chazinho de alecrim e erva Luísa, acompanhando com uns biscoitos de orelha e cavacas de Santa Maria. Mantivemos as distâncias aconselhadas e o encontro durou até ao fim da tarde e antes do recolher obrigatório às 20 horas. Como não podia deixar de ser, a conversa descambou para a política e começou com a discussão sobre os “chorudos” vencimentos auferidos por gestores de empresas públicas com meia dúzia de trabalhadores, quase tantos como os administradores. A minha amiga Gertrudes estava brava, porque trabalhou toda a vida, correndo para a escola onde dava aulas, quer chovesse quer fizesse sol, e no fim recebe uma reforma que não chega aos dois mil euros, enquanto há gestores públicos que pouco fazem e recebem quase seis mil euros de vencimento mensal… Isso é que é sorte… Gertrudes diz que está atenta para saber a resposta do Governo ao requerimento feito pelo deputado do PSD/A Joaquim Machado, para saber quanto ganha cada gestor das empresas publicas e outras instituições que vão ser encerradas este ano, conforme garantiu o Secretário Regional das Finanças… É que segundo pensa Gertrudes, os gestores públicos das empresas a extinguir ganham mais do que os deputados regionais… É obra… quando a média dos vencimentos não chega aos dois mil euros…. Sempre gostava de saber quem foi o benemérito que fixou tais generosos vencimentos, para lhe mandar um ramalhete de rosas…


Ricos! Ainda no chá das cinco foi discutida a tira-puxa entre o meu querido Presidente do Grupo Parlamentar do PS Vasco Cordeiro e o Governo do meu querido Presidente José Manuel Bolieiro sobre a entrega do Plano e Orçamento sem acompanhar o parecer dos parceiros sociais… A coisa foi de tal ordem que parecia que havia sido cometido um crime de lesa pátria por parte do Governo Regional, que levou um poderio de tempo para dizer de sua justiça… Cá p’ra mim, que não estou familiarizada com a teia burocrática que condiciona tudo e todos, tenho de dizer que a lei deve ser cumprida, mas pelos vistos ela prevê excepções em ano de eleições… o que segundo tardiamente disse o Governo, foi usado para não fazer demorar a aprovação do Plano e Orçamento, sobretudo em tempo de crise profunda como a que estamos a atravessar… A minha amiga Gertrudes, que tem uma sobrinha neta que percebe dessas coisas de finanças e economia… acha que é preferível evitar de pedir a prorrogação do prazo de entrega do Plano e Orçamento até 45 dias que é legalmente previsto… e avançar já com os trabalhos de análise do Orçamento, para que este e o Plano… sejam urgentemente aprovados para que o Governo não tenha desculpas de não ter orçamento… para começar a governar a sério.

Ricos! Fiquei menente com a visita relâmpago do Ministro da Ciência e Ensino Superior aos Açores… e sobretudo das declarações que ouvi na rádio por ele feitas depois da reunião que teve com o Presidente do Governo. Então o rico vem à Região e tem o desplante de dizer que não há acordo assinado com a Universidade para reforçar o orçamento daquele instituição em 1.2 milhões de euros ano, como ficou acordado na reunião que juntou o Presidente do Governo Vasco Cordeiro e o Reitor da Universidade João Luís Gaspar…. Diz o Ministro que a pandemia obstaculizou a vinda do Primeiro-ministro António Costa para assinar o documento e presidir ao festim! Mas em que país é que estamos, que é preciso vir o Primeiro-ministro aos Açores para assinar um acordo negociado pelo Ministro e pelo Reitor da Universidade? Então qual é a competência do Ministro? Se eu fosse Presidente do Governo teria perguntado logo se o dito cujo trazia o acordo assinado e perante a resposta negativa ficava à porta de entrada do Palácio de Sant’Ana!...
 
Meus queridos! Há coisas que não consigo entender, ou melhor, penso que sei muito bem e os políticos também sabem, embora finjam que não…. Mas, como não gosto de me meter onde não sou chamada… deixo a coisa passar. De qualquer forma, decidi meter a colher no caldo que anda por aí, de modo a que não pensem que somos todos tolos… Cá para mim, quando se faz política com coisas que não deviam entrar nesse jogo, está-se a fazer com que cada vez se acredite menos na política e nos políticos... Ora vejam o seguinte: O meu querido Presidente Bolieiro anda num afã a escrever e a sensibilizar a União Europeia para acelerar e aumentar o número de vacinas destinadas aos Açores, por ser uma Região ultraperiférica e insular, com muitas fragilidades, sobretudo nas ilhas que nem hospital podem ter. Mas, por cumprir o papel que lhe cabe como Presidente do Comité das Regiões Ultraperiféricas, Bolieiro é logo acusado de estar a querer passar à frente dos outros… alegando os sabichões que em todos os lados há falta de vacinas e há que saber esperar… Na mesma semana, o meu ex-presidente Vasco, e Vice do Comité das Regiões faz também um grito de apelo dizendo… “Não esqueçam as ultraperiferias”… e só me apetece perguntar se afinal isto não é também lutar pela diferença de tratamento em relação a outras zonas, também elas a sofrer os efeitos da crise… Ou seja, todos esses “opinadores de bancada”… calados faziam melhor figura… Haja paciência para aturar essa gente que só se sente bem a chafurdar no lamaceiro da má língua!...
    
Ricos! E falando ainda sobre a questão do pedido de aceleração das vacinas para os Açores, não me posso esquecer das declarações do deputado europeu Zorrinho que, como gato atirado a bofe, veio dizer que a Governo Regional dos Açores é uma frente de oposição ao Governo do Primeiro-Costa… O rico tem o direito de pensar e dizer o que quiser, porque a gente sabe que há indigestões demoradas, pois também por cá se sente alguma indigestão ao ver tanta indignação de quem certamente conhece  a realidade regional, através dos familiares que cá trabalharam durante anos… durante o “reinado cor de rosa”… Mas o que mais gostei quando ouvi o dito Zorrinho, foi de lhe fugir a boca para a verdade quando falou de “portugueses dos Açores, da Madeira e de Portugal”… Até o meu querido e saudoso José de Almeida o teria aplaudido de pé… E se não acreditam que há “portugueses dos Açores, da Madeira e de Portugal”, basta darem uma olhadela às declarações do rico, perpetuadas na imprensa desta semana…

Meus queridos! Anda aí um desnorte com as escolas, neste abre e fecha que muito tem prejudicado pais e crianças, mas como disse o meu querido Secretário Clélio, estas são medidas que não se podem estabelecer para longos prazos pois as situações estão sempre a mudar e também não se pode atender a todas as opiniões, pois os sábios das redes sociais são em número incontável e se quem decide fosse fazer caso, já não havia exames, as férias da Páscoa já teriam sido gozadas pelo Carnaval e os professores já estariam em férias grandes. Embora perceba pouco sobre a “mecânica escolar”… o que penso que é importante… é que não se aproveite esta onda para criar ainda mais facilitismo no ensino, com essa coisa de que não deveria haver exames para não dar stresse aos alunos. Como diz a minha prima Terezinha, aquelas dores de barriga também nos ajudam a crescer e a ser mais responsáveis… ou não é assim?

Ricos! Li há dias no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que cresceu o número de reclamações sobre a qualidade dos serviços de abastecimento de água, com irregularidades na facturação e nas leituras do consumo… Ainda há dias me dizia a minha prima da Rua do Poço que esteve onze meses sem lhe irem fazer a leitura do contador da água e quando lhe foram acertar a conta, todas aqueles metros que estavam para trás foram considerados como gastos num mês só o que lhe agravou, e muito, a factura, pois foi cair num escalão onde água, saneamento e resíduos sólidos dói como fogo… Numa época de tanta falta de emprego, em vez de darem apoios soltos e ineficazes, que tal aplicar o pilim em admitir pessoal para as leituras? E que eles tenham um bloco com cartões para deixar em casa de quem na hora da leitura está ausente.
Não podem é obrigar o consumidor a pagar por um serviço que não lhe pertence… E quem fala em água, fala em luz também…

Meus queridos! Este ano a Primavera, oficialmente, começou ontem, mas para mim, o dia 21 de Março é que é o dia dela, e por isso hoje queira São Pedro que faça tempo para lembrar que este demorado e frio Inverno se foi embora. E para a semana, com o adiantar dos ponteiros do relógio numa hora… aí sim, sinto que chega o novo tempo que em que tudo começa a despertar. A minha sobrinha neta que costuma fazer as suas caminhadas lá para os lados da Avenida Mota Amaral e Avenida do Mar espera que agora, com a Primavera, haja alguma alma caridosa que corte as relvas e arranque as ervas que inundam os passeios… Não sei se a desculpa era do Inverno ou da Covid-19, mas está na hora de começar a limpar aquilo e, já agora, a minha prima da Rua do Poço diz que também está na hora de alguém olhar para o edifício do Clube Naval, que precisava como pão para a boca de uns baldes de tinta para cima, coisa que já não vê há anos, dando-lhe um ar de abandono que não merecia… isto apesar de parte já estar branquinha… mas falta o resto! Não é só querer ter as coisas… é preciso olhar por elas!

Ricos! No passado dia 15 de Março, o meu querido D. António Sousa Braga completou as suas 80 primaveras. Para o Bispo Emérito de Santa Maria e Ilhas dos Açores, vai o meu ternurento beijinho, com votos de todas as felicidades e que ele continue a não contar os anos de vida mas a vida destes anos. Sei que ele, mesmo no merecido descanso, não se esquece das suas e nossas ilhas e também não nos esquecemos do seu difícil mandato episcopal em que procurou que nos Açores houvesse o verdadeiro “Império do Espírito Santo”… Parabéns!

Meus queridos! Anteontem foi o Dia do Pai e deliciei-me a ler os testemunhos de tantos filhos, nas duas páginas que o jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio dedicou à data. Foram aqueles, como poderiam ser outros, porque o que interessa é assinalar aqueles que estão no nosso coração, estejam connosco ou dentro de nós. E é bom que ainda se vá celebrando Dia do Pai e Dia da Mãe, porque não falta por aí quem já se sinta melindrado e discriminado por isso, porque agora o que querem é que haja o dia do progenitor 1 e progenitor 2… Até parece que é o algoritmo a comandar a vida… Um ternurento beijinho a todos os papás babados… e às mães também!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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