Na cerimónia da tomada de posse na Assembleia Legislativa

Gualter Furtado defende integração de Ordens Profissionais no Conselho Económico e Social

Depois de há cerca de um mês ter sido indicado pela maioria dos partidos políticos com assento parlamentar, Gualter Furtado tomou, na manhã de segunda-feira, posse para um segundo mandato como Presidente do Conselho Económico e Social dos Açores (CESA).  
Na cerimónia que decorreu na cidade da Horta, Gualter Furtado começou por agradecer aos deputados da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores “pela votação tão expressiva na minha eleição como Presidente do Conselho Económico e Social dos Açores (CESA) e que eu procurarei corresponder com a minha independência, transparência, informação regular ao Parlamento, dando o meu contributo para “fomentar o diálogo entre o poder político e a sociedade civil”, e uma disponibilidade total para colocar ao serviço da nossa comunidade os meus conhecimentos e experiência profissional e de vida”.
O Presidente do CESA fazendo um balanço do primeiro mandato, marcado pela pandemia, considera que foi “possível desenvolver um trabalho digno, independente e útil”. Apesar disso, Gualter Furtado, que irá assumir o segundo mandato na Presidência deste órgão consultivo, alertou para o facto de ser “impossível cumprir com eficácia e em pleno com todas as competências que estão atribuídas ao CESA”. O Presidente do CESA avançou que está a “ser trabalhada com o Governo dos Açores uma proposta no sentido de serem assegurados os apoios técnicos e administrativos, para assegurar o “funcionamento e o expediente relativo aos diferentes órgãos do Conselho (…) Não se pretende uma estrutura pesada em termos de recursos humanos e orçamentais, mas o mínimo que garanta o cumprimento das competências atribuídas ao CESA. O Presidente do Conselho Económico e Social dos Açores em coerência com a legislação em vigor e com a minha própria postura continuaria a não ser remunerado”, destacou.
No discurso proferido na Assembleia Legislativa Regional, na cidade da Horta, Gualter Furtado destacou “a mobilização e a disponibilidade de todos os Parceiros Sociais para defenderem os seus sectores específicos, mas com abertura já demonstrada para trabalharmos em conjunto e em concertação para o desenvolvimento económico, social e cultural dos Açores, sem nunca esquecer os nossos emigrantes que são o nosso prolongamento territorial, de sangue e de afectividade, a que junto os imigrantes que por necessidade ou outra razão escolheram as nossas Ilhas para viver e trabalhar”.
Olhando para o futuro deste órgão e para a sua agenda, o Presidente do CESA lembrou que para além das matérias que são da sua competência, o CESA deverá debruçar-se sobre os temas que são estruturais para o “desenvolvimento dos Açores como um todo, sem esquecer as Ilhas mais penalizadas pelo afastamento, pequena dimensão, desertificação, envelhecimento e dificuldades acrescidas ao direito à educação e à saúde”. Gualter Furtado considerou ainda que “outro tema transversal a todas as Ilhas é a qualidade dos nossos recursos humanos e o acesso às novas tecnologias, um desafio que ganhou uma nova dimensão em tempo de pandemia e a exigir novas respostas” e que os objectivos passam por tornar os “Açores melhores, mais desenvolvidos, menos dependentes, mais equilibrados, e onde a pobreza não seja uma realidade recorrente”.
O Presidente do CESA defendeu também no seu discurso de que se deveria equacionar, “oportunamente”, o alargamento “dos membros do CESA e, principalmente, no que se refere à importância de fazerem parte deste Órgão os representantes das Ordens Profissionais, tal é o peso que já tem hoje na nossa sociedade, sem prejuízo de outras iniciativas”.
Gualter Furtado deixou ainda uma palavra “de solidariedade para todos os Parceiros Sociais que estão na luta contra esta Pandemia do Covid-19, sejam eles empregadores, trabalhadores, Instituições Sociais e de Solidariedade Social, profissionais de saúde e mesmo aos diferentes níveis de poder político e público nos Açores. Em concertação social e estratégica, certamente esta Missão, com que estamos todos comprometidos, será mais facilmente concretizada”, afirmou.

Luís Garcia quer Assembleia “a fiscalizar” melhor a aplicação de fundos europeus

Na cerimónia da manhã desta segunda-feira, o Presidente da Assembleia Legislativa Regional da Região Autónoma dos Açores (ALRAA) sublinhou “o bom exemplo da disponibilidade para o diálogo e para o compromisso que todos temos de ter na vida política” deste processo que levou à recondução de Gualter Furtado.
Luís Garcia referiu também que apesar de ser de salutar “haver espaço para o debate, para a crítica e para o contraditório”, terá de existir simultaneamente “em todos os actores políticos, sociais e económicos, espaço e disponibilidade para convergir sobretudo quando é a vida das pessoas, das empresas e das instituições que está em causa” e que estas características são ainda mais “necessárias e exigíveis a quem tem um papel activo no desenvolvimento do espaço público durante este período particularmente exigente em que vivemos”.
Luís Garcia considerou mesmo que “precisamos de gente sem medo de abrir portas trancadas ou de estender pontes sobre rios de discórdia. Gente que esteja disponível para fazer cedências e encontrar consensos, mas sem baixar os braços e sobretudo sem deixar de lutar com garra pelo bem comum da nossa região”.
Para o futuro da região e perante os tempos de incerteza com que nos deparamos, o Presidente da ALRAA ‘chama a atenção’ para a necessidade de se gerirem bem os fundos europeus que, dentro em breve, entrarão nos cofres da região.
“Tão importante como a justa reivindicação de mais fundos ou que se cumpram os compromissos que a República assumiu com a região nesse domínio é também a necessidade, diria mesmo a exigência, de zelar por uma melhor aplicação desses fundos na busca de resultados mais equilibrados sobretudo nos domínios onde ainda estamos longe de atingir níveis aceitáveis, como por exemplo, na educação ou no combate à pobreza”, defendeu.
Luís Garcia alertou para o facto de ser “muito pouco saudável para a vitalidade da região continuar a fazer tudo como se fez até aqui, pois o mais certo é termos resultados semelhantes, perdendo assim mais uma oportunidade de acelerar o desenvolvimento dos Açores” e que pretende ver reforçada a capacidade de fiscalização da Assembleia Legislativa “criando, caso seja necessário, os instrumentos para o efeito mas assumindo também um grau de exigência maior para com a acção governativa”.
Luís Lobão

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Autor: CA

Categorias: Regional

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