29 de março de 2021

Editorial

Ideologias, pluralismo e valores

1 - Acaba de ser publicado o Anuário Pontifício 2021 e o Annuarium Statisticum Ecclesiae 2019 que aponta para um ligeiro crescimento do número de católicos no mundo. A população católica mundial presentemente é de 1 bilhão e 345 milhões, números referentes ao ano de 2019.
2 - O crescimento em relação ao ano de 2018 foi de 16 milhões, isto é, mais 1,12%, quando eram 1 bilhão e 329 milhões. O crescimento é ligeiramente inferior ao crescimento da população mundial no mesmo período, que foi de 1,8%.
3 - É interessante ver o que se passa nos diferentes pontos do mundo para se compreender melhor a realidade europeia. 
4 - O maior aumento de católicos ocorreu em África, com um crescimento de 3,4%, que foi superior ao da população daquele continente, que no mesmo período foi de 2,7%.
5 - O crescimento do número de católicos na Ásia foi de 1,3%, superando o da população daquele continente, que foi de 0,9%. Igual fenómeno de crescimento se deu nas Américas, onde houve um aumento de 0,84% de católicos, contra 0,69% da população, enquanto na Oceânia houve um empate entre o crescimento da população e a percentagem de católicos, que se cifrou em 1,1%. 
6 - Cenário diferente verificou-se na Europa, território onde houve uma diminuição do número de católicos em relação ao número quase estacionário da população que forma o continente europeu. 
7 - Trata-se de um sinal, e ao mesmo tempo de uma consequência das mudanças fracturantes que têm sido férteis na Europa, e que merecem uma reflexão profunda por parte da sociedade, das suas instituições, assim como dos responsáveis políticos, para que se entenda para onde se caminha e quais as consequências daí resultantes.
8 - Não se pode ignorar as divisões ideológicas que se avolumam, criando o que se chama momentos de “pluralismo” em que a ideologia subalterna ganha preponderância e assume a liderança em nome de uma falsa premissa, segundo a qual todos passam a ter a mesma possibilidade de agir e de se exprimir.
9 - O professor e investigador Francisco Borba Ribeiro Neto, sociólogo e biólogo na Universidade Católica de São Paulo, referindo-se aos impasses ideológicos e às propostas capazes de superar as dificuldades geradas por eles, leva-nos a uma realidade que os Estados, sobretudo na Europa, têm procurado deitar para debaixo do tapete e que se resumem, como ele diz, ao seguinte:
10 - “O capitalismo internacional e os Estados chamados «do bem-estar social» enfrentam uma crise há muitos anos, mas nenhuma proposta neoliberal ou socialista conseguiu responder de forma convincente aos problemas enfrentados. A liberalização dos costumes tem levado ao vazio existencial e à depressão, mas os valores da tradição não conseguem mostrar-se tão universais como deveriam ser”.
11 - A propósito de valores e de questões do bem-estar social, está em apreciação na Assembleia Legislativa dos Açores uma proposta de lei a submeter à Assembleia da República sobre a criminalização do uso de drogas sintética, que tem crescido de forma exponencial nos Açores.
12 - Os efeitos do uso e abuso das drogas tem gerado desgraças no seio de inúmeras famílias, cria uma franja de dependentes na sociedade, e está gerando temor nas pessoas que são vítimas de assaltos às suas casas e haveres, além daquelas que são incomodadas nas ruas, nos parques de estacionamento ou à porta das lojas pelos pedidos insistentes de dinheiro pelos consumidores dependentes.
13 - Este é um problema que nem as associações de apoio e combate à toxicodependência, nem o programa de aplicação da metadona, têm podido resolver.
14 -  A Região precisa de um plano audacioso de combate ao consumo de droga começando nas escolas, fazendo fiscalização e encerrando espaços que, espalhados pelas cidades, vilas e aldeias, são estabelecimentos de duvidosa qualidade para estarem abertos ao público, pois acabam transformados em centros espúrios onde se compra e vende droga.
15 -  As pessoas têm direito a não ser perseguidas no seu dia-a-dia por pessoas indigentes que têm o dever de ser tratados e cuidados, mesmo que não tenham vontade para tanto. Esta é matéria que tem de ser agarrada e tratada por quem o deve fazer.
16 - A liberdade de cada um termina quando começa a liberdade dos outros.

Américo Natalino Viveiros
 

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Autor: CA

Categorias: Lista - Editoriais

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