29 de março de 2021

Recados com amor...

Meus Queridos! Entramos agora na semana de Páscoa, e apesar das restrições que a pandemia nos impõe, bem bom que não há proibição de comer amêndoas e saborear os ovos de Páscoa, quer nos folares, quer em chocolates, assim como saborear umas amêndoas caseiras… produtos que estão à venda para miúdos e graúdos… embora seja preciso ter cuidado com os açucares que fazem aumentar o colesterol… Entretanto, a minha comadre Ernestina telefonou-me a dizer que a Câmara de Ponta Delgada através dos ATL’s de crianças do Concelho… embelezou vários pontos da cidade com ornamentos alusivos à Páscoa… Pena é que a partir das 15h00 da tarde os pais não possam levar os filhos ao jardim do Colégio, ou de Sena Freitas para apreciarem as obras de arte feitas pelos mais novos… Uma iniciativa que marca o lado profano da Páscoa, mas é ao mesmo tempo uma ajuda para quebrar o tédio gerado pelos confinamentos. 


Meus queridos! Hoje é Domingo de Ramos e espero que todos os leitores do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, ao ler estes meus recadinhos semanais, já tenham adiantado uma horinha aos seus relógios, com a entrada da hora de Verão que a minha avó Ermelinda sempre chamou de hora nova, em contraponto com a hora de Inverno, que para ela era a hora velha… Já pelo segundo ano as cerimónias pascais vão ser resumidas aos actos dentro das igrejas, mesmo assim este ano já com a presença de fiéis, contrariamente ao que aconteceu no ano passado, em que nem se podia entrar nas igrejas. Mas meus queridos, o que lembra a Páscoa são mesmo as suas procissões, que vão desde o Domingo de Ramos até ao Domingo de Páscoa com a celebração da Ressurreição, sem esquecer a visita aos enfermos, com os caminhos tornados autênticos jardins… onde não faltava a alegria da música, dos foguetes e dos abraços de boas Festas… Mas, os tempos que atravessamos não estão para graças, … e todo o cuidado é pouco. … Embora não seja uma campeão de afectos como é o meu querido Presidente Marcelo, que deve penar… porque não pode em confinamento dar os beijinhos que gosta de distribuir,… tenho que confessar que  sinto um vazio pela falta de um beijo e um abraço… que  faz diferença para muita gente. Por isso mesmo, a todos, deixo antecipadamente o meu ternurento beijinho de Boa Páscoa…


Ricos! Contou-me a minha prima Maria da Vila que lá para os lados da velha capital, numa das suas freguesias vai um grande alarido, porque nesta Quaresma resolveram trocar os seculares quadros de Via-Sacra que circundavam o templo por um conjunto de figuras em cerâmica dessas modernas que agora pegaram de galho. A minha prima não me soube dizer se os ditos cujos são bonitos ou feios porque ela ainda lhe pôs os olhos em cima,… mas a pergunta que muitos fazem é como se pode justificar essa ânsia de mudar sem respeitar coisas antigas, que por mais pobres que sejam, dizem muito a quem sempre conviveu com elas… A minha prima Maria da Vila diz, e bem, que  não se trata de uma questão de ser contra as mudanças, mas tão só o bom senso de não se andar a embonecar tudo, quando há tanta necessidade para acorrer e aí sim, gastar o pilim, cumprindo-se uma das obras da misericórdia…. E, já agora, seria bom saber se houve parecer da Comissão de Arte Sacra (se é que ela ainda existe) para substituir os seculares quadros da Via-Sacra pelas modernas figuras em cerâmica…… Valha-nos o Menino Jesus, que não é só o de Praga!


Meus queridos! Sempre fui uma mulher respeitadora de tudo o que diz respeito ao ambiente e acho mesmo que ninguém pode ter verdadeira qualidade de vida sem um bom ambiente. E ainda penso que, como já li, em vez de estarmos sempre a pensar no planeta que vamos deixar aos nossos filhos, devemos é pensar é nos filhos que vamos deixar a esse planeta. O que não posso levar à paciência é que o ambiente e tudo o que o rodeia se tenha transformado no maior negócio do mundo, em que uma multidão enorme de seres se serve disto apenas para enriquecer ou para dar jeito a lóbis e grupos. E foi disto que me lembrei quando ouvi há dias o Ministro do Ambiente dizer descaradamente que é preciso é subir o preço da água para reduzir consumos. Nunca fui com a cara daquele Ministro… mas esta foi a gota que fez transbordar o copo… Então não devia o Ministro preocupar-se com a boa gestão dos recursos hídricos, fazendo os investimentos necessários para evitar desperdícios onde existam… e aproveitar as tecnologias para captar água para satisfazer as necessidades nos sítios onde ela é escassa. Defender o aumento do preço da água cheira a esturro… e o desejo do Ministro Matos Fernandes de aumentar os preços água para evitar desperdícios …. dá muito jeito mas é aos nababos que recebem as rendas dos grandes negócios que o Governo assina… Tenham dó! Com ministros desses é caso para perguntar por anda o socialismo do PS!


Ricos! E já que estou a falar de ambiente, muito gostei de ler no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, a notícia de que as algas que existem nos mares dos Açores podem salvar o planeta, entre muitas outras coisas, sendo adicionadas aos alimentos concentrados do gado para evitar a produção de metano… Acho tudo isto muito bom e sei que se apregoa pelos quatro ventos que a exploração dos mares é um dos pilares futuros da economia, como sói dizer-se agora. Mas como mulher que já passou muitos Janeiros, também sei que as algas fazem muita falta no lugar onde estão, para equilíbrio das espécies que vivem no mar, pois elas são filtro e alimento… Não me posso esquecer que nos velhos anos sessenta e setenta, a corrida que houve ao “musgo dos calhaus”… para ser vendido às toneladas para a indústria, conhecida como “agar-agar”,… fez com que as nossas costas tivessem ficado rapadas, desnudadas e depenadas de peixe e de lapas. Não sou mulher sabida nessas coisas, mas toda a exploração intensiva é moeda de duas faces, ou melhor,... pau de dois bicos…
Meus queridos! Depois da tirada do euro-Zorrinho que disse que o Governo dos Açores era uma frente de oposição ao Primeiro-Costa, facto que já referi aqui nos meus recadinhos e com quem não vou gastar mais cera, … foi agora a vez do Ministro Heitor vir apregoar que nunca assinou nenhum contrato para o célebre acordo que dava 1,2 milhões por ano para a Universidade dos Açores, e assim ficou-se a saber que muitas assinaturas afinal são mesmo a fingir, para “inglês ver”, e há quem se preste a tamanha fantochada… Este é dos casos em que vale a pena chorar sobre leite derramado, pelo menos para que não se esqueça quem, por maldade política ou por ingenuidade se deixou envolver dessa maneira…. A minha prima Genoveva diz que enrolados temos sido sempre …. e com festa, roqueiras e tudo… Quem tiver paciência de ver a lista, comece por exemplo, com as contrapartidas da Base das Lajes, na Terceira, e vai ver como temos sido enrolados. Há muita gente que sabe e que viveu tudo isto e que deveria escrever, porque está na hora de se saber como e quem nos tem enganado…


Meus queridos! Todas as Sextas-feiras, aqui na minha Rua Gonçalo Bezerra, e já que saio pouco por via do dito cujo vírus que agora tem ares de inglês, sou leitora fiel do suplemento Correio Económico, do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio. E esta semana lá li que com a pandemia, os valores dos depósitos bancários não param de subir, mesmo sabendo que não rendem nada e que a gente ainda tem de pagar para ter o pilim lá depositado. Como aquilo que a minha reforma lá da caixa onde trabalhei anos a fio… dá para chegar ao fim do mês, mas não dá para fazer depósitos… De qualquer forma, com as coisas como andam por aí, dá que pensar como é que há tanto dinheiro a circular e aumentar os depósitos bancários no meio de tão grande crise. A minha prima Maria da Praia diz que isso talvez seja efeito do medo que as pessoas têm de gastar agora, sem saberem o que as espera para o futuro… e daí a necessidade de poupar… e como não é seguro ter o pilim guardado em casa por causa dos amigos do alheio, … lá vão dando negócio aos bancos…


Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço já tinha combinado fazer-me uma visitinha de Páscoa, mas ligou-me a dizer que da forma que estão as coisas para os lados de São Pedro, o melhor é ficar em casa, porque por lá o bicho pegou forte. Quem não tem parado a ver se as coisas tomam outro rumo é o dinâmico Presidente José Leal, que se tem multiplicado com a sua equipa a mentalizar e ajudar as pessoas para que saiam o menos possível. Por aquilo que me contou a minha prima, ele merece um ternurento beijinho, bem como toda a sua equipa. Pode-se dizer que não faz mais do que a sua obrigação, mas é preciso reconhecer que muitas vezes e com poucos meios se faz mais do que aquilo a que se é obrigado. Até as obras de demolição das defuntas galerias da Calheta tiveram de parar por via do vírus…
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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