Pedro Tavares é licenciado em Ciências do Desporto e joga no Desportivo de Rabo de Peixe

Professor de Educação Física entrega-se ao futebol de corpo e alma

Correio dos Açores: Lembra-se como começou a jogar futebol?
Pedro Tavares: Perfeitamente. Desde os meus primeiros anos de existência, sempre me interessei pelo futebol. Comecei a jogar no Clube Operário Desportivo com 7 anos de idade e com 8 anos ingressei no Clube Futebol Vasco da Gama, zona onde residia e resido. Regressei ao Operário, onde fiz toda a formação até ao plantel sénior. Destaco aqui a influência que o meu pai teve no começo e em toda a minha carreira, acompanhando-me sempre em todos os treinos e todos os jogos. 

Qual foi o grande sonho de criança em termos desportivos?
À semelhança de muitas crianças, sonhava em ter uma carreira profissional ao mais alto nível. Ao longo dos anos, para além da prática do futebol, sempre objetivei ingressar no ensino superior e especializar-me em Desporto, e assim foi. Neste momento, para além da prática de futebol, sou licenciado em Ciências do Desporto e professor de Educação Física. 

O Operário foi um clube que marcou a sua carreira de atleta? 
O Operário será sempre o meu clube. Um clube muito familiar, onde aprendi a jogar e apreendi valores importantes para toda a minha vida. Foram muitos anos naquele clube que considero como a “minha casa”, onde para além de toda a formação, desde os 8 anos, estreei-me na equipa sénior do clube com 17 anos. Nesta minha passagem pelos “Fabris” destaco três pessoas muito importantes no meu desenvolvimento: Hélio Oliveira (Helinho), André Branquinho e Francisco Agatão. 

Conte-nos como foi a tua passagem por Loures.
Foi uma passagem de que guardo boas recordações, que coincidiu com uma altura delicada da minha vida, a mudança de cidade (Lisboa) para ingressar no ensino superior. Um período exigente, pela dificuldade que tive em conciliar os estudos com o futebol. Quando me incorporo num projecto, dedico-me a 100%, e por sentir que não estava a conseguir dar tudo de mim, na faculdade e no futebol, foi um período complicado na minha vida. Faço um balanço positivo da minha passagem pelo clube, onde realço as amizades feitas durante esta época. 

O que o motiva para os treinos?
Adoro treinar e melhorar os meus pontos fracos. Vejo sempre os treinos como uma oportunidade de evoluir e tornar-me uma melhor versão de mim mesmo. Com o passar da idade e com a minha formação na área do desporto, comecei a dar muito mais importância ao treino e cuidar da nossa “ferramenta” de trabalho, o corpo. Para além do treino no clube, procuro ter cuidados que me têm ajudado a ser o jogador que sou, quer seja ao nível da nutrição, do descanso e, por fim, ao treino específico envolvendo as capacidades físicas da resistência, força, flexibilidade e velocidade. 

Como tem sido a prestação nesta época no Desportivo de Rabo de Peixe? 
Tem sido uma prestação muito boa. A nível colectivo conseguimos concretizar os objectivos, a nível individual também considero que tenho realizado épocas bastante positivas. Aproveito para agradecer e parabenizar toda a equipa técnica, liderada pelo mister Manuel Matias e todo o restante staff, por todo o trabalho realizado ao longo desta época. 

Qual foi a reação dos jogadores pela conquista antecipada da manutenção no Campeonato de Portugal?
Reagimos com muita alegria e com muito orgulho no que já se conquistou. Muitas pessoas duvidaram, mas penso que só é surpresa para quem não acompanha o dia-a-dia deste grupo de trabalho. Toda a equipa técnica e todo o plantel trabalha muito durante toda a semana. Com um enorme espírito de grupo e de sacrifício, soubemos desde o início identificar as nossas virtudes e lacunas e fomos capazes de fazer das fraquezas as nossas forças. Sempre soubemos que havia equipas nesta série com recursos completamente diferentes dos nossos, mas soubemos nos “agarrar” aquilo que temos e atingimos o objectivo proposto pela Direcção com muito mérito. Com este nosso trajecto, penso que temos conseguido orgulhar e dar uma pequena alegria à vila de Rabo de Peixe, que tem sido muito fustigada com esta pandemia provocada pela Covid-19. 

A partir de agora a equipa vai baixar os braços?
O principal objectivo está concretizado, no entanto, como plantel ambicioso que somos, trabalhamos sempre por mais. Vamos continuar a trabalhar e lutar para vencer sempre o próximo jogo e no final fazemos as contas. 

Porque optou pelo Desportivo de Rabo de Peixe?
Fui convidado pelo mister Nelo, que tinha sido meu colega de equipa no Operário, a ingressar no Rabo de Peixe, onde, em conjunto com a Direcção, apresentou-me o projecto e objectivos do clube e resolvi aceitar. Foi a decisão correcta e apropriada para mim. 

Qual o jogo que marcou mais a sua carreira de atleta?
O jogo da minha despedida no Operário diante do Casa Pia. Neste jogo fui capitão de equipa e saí aos 90 minutos da partida, recebendo aplausos de toda a bancada, inclusive das pessoas mais importantes da minha vida, os meus pais e irmã. 

Porque seguiu a carreira de atleta de futebol?
Pelo gosto que tenho pelo desporto e pela modalidade em si. Sinto-me muito feliz e realizado dentro de um balneário e dentro das quatro linhas. 

Que jogo guarda na memória como mais positivo?
Os primeiros jogos ficarão sempre na minha memória… destaco os primeiros dois jogos que realizei pelos seniores do Operário. Tinha eu 17 anos e recordo-me perfeitamente como se fosse hoje… Entrei no primeiro minuto de jogo, fruto da lesão de um companheiro de equipa. Em segundo lugar, destaco o jogo em Tondela, onde marquei o golo do empate.     
Em que medida o futebol marcou o modo de viver e encarar a vida?
O futebol faz parte da minha vida. Permite-me um desenvolvimento como atleta e como Homem. Para além de um desenvolvimento multifacetado, o futebol proporcionou a optimização das componentes ao nível técnico-táctico do jogo, físico, psicológico e a nível social. Na minha humilde opinião, destaco a componente social que o futebol me proporcionou, pois, creio que ao longo da minha carreira esta modalidade permitiu-me perceber e vivenciar a importância de estar em grupo e em sociedade, tão importantes numa sociedade cada vez mais egocêntrica e egoísta, bem como a criação e partilha de excelentes amizades, laços e valores

Quais os requisitos para um atleta ter sucesso?
Ser atleta não é uma tarefa fácil. Para mim, um atleta é aquele que procura constantemente a sua melhor versão. Um atleta terá de agregar a componente técnico-táctica à componente psicológica e mental. 
Na minha opinião, na vida de um atleta, para além do constante cuidado com o seu corpo e da sua mente, é fundamental a presença diária de valores como o empenho, a superação e a disciplina. 

Qual a sua principal “arma” dentro do campo?
Penso que sou competente no capítulo do passe, posicionamento em campo e no jogo aéreo. 

Tem alguma mensagem que queira deixar aos que pretendem seguir uma carreira no futebol?
Que nunca desistam de lutar pelos seus sonhos e objectivos. Para além de sonhar, é importante trabalhar com afinco e fazer alguns sacrifícios na vida. É importante definirem objectivos e sonhar na possibilidade de exercer uma carreira futebolística, mas creio que mais importante ainda é perceber que o futebol não dura para sempre e os estudos e a escola não deverão ser relegados para segundo plano. 

Como tem vivido esta pandemia?
Não tem sido nada fácil. A pandemia privou-nos de muitos hábitos que tínhamos anteriormente, mas pronto, tivemos de reaprender a viver nesta nova situação. O plantel do Rabo de Peixe contém jogadores que também possuem o seu trabalho (inclusive eu), pelo que a logística da realização de testes de despiste à Covid-19 por vezes dificulta a nossa intervenção nos trabalhos. No entanto, considero importante para a segurança de todos.  

Qual é o seu desejo para 2021?
Vou continuar focado a trabalhar para evoluir e ser melhor todos os dias. Penso que tenho muito para conquistar como atleta. Relativamente ao futuro, já tive algumas abordagens de outros clubes, vamos tentar terminar a época da melhor maneira e veremos o que surgirá. Depois disso terei tempo para decidir o melhor para mim. 

Sente orgulho no emblema do Desportivo de Rabo de Peixe? 
Sem dúvida que sim. Identifico-me com os valores com a mística do clube. Sendo um dos capitães de equipa, mais orgulhoso e realizado me sinto.               
          António Pedro Costa
 

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Autor: CA

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