Burlas disparam e violência doméstica diminui nos Açores no ano de 2020

Na Região Autónoma dos Açores, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) entregue recentemente na Assembleia da República, ocorreram 9.125 crimes durante o ano de 2019, enquanto em 2020 ocorreram 9.263, registando portanto um aumento de 138 ocorrências.
A tendência na Região segue assim o sentido inverso ao todo nacional, tendo em conta que no território português foram registados, em 2019, um total de 335.614 crimes, enquanto em 2020, ano associado à pandemia e aos constrangimentos impostos à movimentação dos cidadãos, registaram-se 298.797 crimes, uma diferença de menos 36.817 crimes no espaço de um ano.
No que diz respeito à criminalidade violenta e grave nos Açores, em 2019 foram registados 144 crimes deste tipo, assistindo a um aumento, no ano de 2020, de mais 48 crimes, elevando assim o número na Região para 192 crimes, o que apenas nesta categoria corresponde a um aumento de 33,3%, o maior valor registado em todo o país, sendo que Castelo Branco se ficou pelos 22,0%, Coimbra pelos 5,2% e Setúbal pelos 2,7%.
Quanto aos crimes mais participados no ano de 2020, nos Açores, lidera a criminalidade geral, com um peso relativo de 71,3%, e de onde se destacam os crimes de ofensa à integridade física voluntária simples, que mesmo com uma diminuição na ordem dos 11% acumulou 919 crimes reportados.
Em segundo lugar, o gráfico disponível no RASI demonstra que as burlas informáticas e nas comunicações registaram 917 participações, sendo este um tipo de crime que sofreu um aumento de 26,8% desde o último ano.
Neste sentido, apesar da violência doméstica contra cônjuge ou análogos ocupar o terceiro lugar nos crimes com maior incidência nos Açores, com 932 crimes reportados, entre 2019 e 2020, este aparenta ter sofrido uma diminuição de -6,6%, aponta o relatório, tal como os crimes de ameaça e coacção, com 683 crimes registados e uma diminuição de -7,2%, ou a condução de veículo com taxa de álcool igual ou superior a 1,2g/litro de sangue, com 456 ocorrências associadas e uma redução de -7,9%.
Por outro lado, o crime de desobediência sofreu um aumento de 107,9%, com 185 ocorrências registadas, seguindo-se o crime de condução sem habilitação legal, que sofreu um aumento de 37,5% e registou um total de 370 ocorrências, tal como o crime de furto em residência sem arrombamento, que com 193 ocorrências registadas, aumentou em 20,6% em toda a Região.
Na criminalidade violenta, os crimes mais participados foram extorsão, com um aumento de 200,0% e 18 casos registados, seguindo-se roubo a residência, com um aumento de 85,7% e 13 ocorrências relatadas, e roubo na via pública, excepto por esticão, que acusou um aumento de 67,6% reflectido através das 57 ocorrências participadas. Por outro lado, os crimes de violação foram menos reportados, com uma evolução negativa de -23,5%.
Porém, na criminalidade violenta e grave por mil habitantes, os Açores não surgem com o índice mais elevado, permitindo concluir, através do gráfico apresentado, que a criminalidade grave e violenta se faz sentir com maior intensidade em Lisboa, Setúbal, Faro e Porto.
Na análise evolutiva de alguns crimes violentos, o Relatório Anual de Segurança Interna adianta que houve na Região Autónoma dos Açores uma subida de 33,3% , resultado de mais 48 ocorrências inseridas nesta tipologia, quando em comparação com o ano de 2019.
De uma forma geral, a nível nacional, os crimes violentos que apresentaram uma subida relativamente ao ano de 2019 foram os roubos a postos de abastecimento de combustível, os roubos a residências, os roubos em edifícios comerciais ou industriais, os roubos a viaturas e os roubos a farmácias, bem como a veículos de transporte de valores.
No ano de 2020, em Portugal de uma forma geral, aumentou também o número de homicídios voluntários consumados, de resistência e coacção sobre funcionário e, com um grande crescimento, os crimes de extorsão.

Maioria dos crimes cometidos nos
Açores registada em Ponta Delgada

Quanto ao número de crimes por município, a incidência maior ocorre em Ponta Delgada, com um total de 2.832 do total dos crimes praticados e registados na Região em 2020, seguindo-se o município da Ribeira Grande, com 1.890 crimes, Angra do Heroísmo, com 1.033 crimes reportados e Praia da Vitória, com 615 crimes.
No fundo da lista, encontram-se os municípios de Nordeste, com 115 crimes reportados, Santa Cruz das Flores, com 105 crimes, Lajes do Pico, com 98 crimes registados, Calheta com 69 crimes, Lajes das Flores, com 34 crimes reportados e, por fim, Vila do Corvo, com 19 crimes referidos.

Outros elementos presentes
no relatório

No domínio da poluição no mar, o relatório aponta que foram registados pelo sistema CleanSeaNet, da Agência Europeia da Segurança Marítima (EMSA), um total de 262 potenciais manchas de poluição nos espaços marítimos sob jurisdição ou soberania nacional, sendo que, destas, 124 foram detectadas na Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, número este que representa também um aumento, já que no ano de 2019 foram registadas 69 potenciais manchas de poluição nas duas Regiões Autónomas.
Também o movimento nos portos das Regiões Autónomas foram analisados neste relatório, tendo os Açores recebido um total de 10 navios de cruzeiro ao longo do ano de 2020, 452 movimentos de cargas perigosas e 687 movimentos que se enquadram na categoria “outras cargas”, contando ainda com 28 movimentos de navios militares.
No que aos cidadãos portugueses deportados/expulsos ou afastados para Portugal diz respeito, o Relatório Anual de Segurança Interna realça que, no total, foram deportados para Portugal 287 cidadãos portugueses, entre os quais 198 (69%) são provenientes de países europeus e 89 (31%) do resto do mundo, sendo que, entre estes portugueses pelo menos cinco regressaram aos Açores, pedindo o apoio da Direcção Regional das Comunidades.
Quanto às deportações em específico, foram deportados em 2020 nove açorianos, o que corresponde a 30% do total de portugueses deportados, de acordo com a informação disponível.
 

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