Restrições na Páscoa geram sentimento de aceitação e também de tristeza e revolta

A maioria das pessoas inquiridas pelo Correio dos Açores concorda e vai cumprir com as medidas de não circular de Sexta-feira a Domingo de Páscoa entre concelhos e ficar em casa a partir das 15 horas nestes três dias. Mas há aquelas que, dizendo que vão cumprir, deixam alguns recados como: “paga o justo pelo pecador” e “uns vão cumprir, outros não…”.
Há um sentimento de aceitação, devido à propagação do vírus e também de tristeza e revolta por não se poder reunir a família pela Páscoa e pela eventualidade de os prevaricadores, aqueles que não cumprem as medidas restritivas, não serem punidos.
Nos inquiridos há zanga por a evolução do vírus em São Miguel se dever muito ao facto de pessoas não estarem a cumprir as regras básicas de distanciamento social, não usarem máscaras, não utilizarem os desinfectantes. E há também revolta por saberem que “os mesmos de sempre” não vão voltar a cumprir as regras e irão fazer como sempre fizeram que é, afinal, o que “lhes der na gana”.
É evidente que muitas famílias, com membros em mais do que um concelho em São Miguel, pela primeira vez em muitos anos, não se vão juntar pela Páscoa.
Há também aqueles que, estando em São Miguel há menos de um ano, pela primeira vez, não vão estar no continente português a festejar a Páscoa em família.
E há igualmente os turistas que optaram por passar a Páscoa em São Miguel fugindo às restrições no continente e são apanhados por elas na ilha.
Fica o desejo de que esta circunstância seja útil para a não propagação do vírus, tal como tem acontecido nos últimos dias.

 

“Viajo de autocarro seis dias por semana” - João Rofim, 36 anos

Como vai passar a Páscoa não podendo circular entre concelhos e ficando em casa a partir das 15 horas?
Vamos passar a Páscoa em casa com a família, com meus pais. Não vou poder estar com meus tios na Ponta Garça, em Vila Franca. Tem de ser assim.

Como costumava passar a Páscoa antes desta pandemia?
A Páscoa era passada sempre em família. Passávamos o dia da Páscoa em casa de meus avós, em Ponta Garça.

Qual a sua opinião sobre as restrições?
Estas são medidas bastante restritivas, bastante duras. Mas esta é a melhor maneira para o vírus ser castrado.
Já que algumas pessoas não estar a cumprir as regras de distanciamento social e uso de máscaras, acabam todos por pagar. 

“Vamos acatar as recomendações” - Roberto Amorim, 58 anos
Como vai passar a Páscoa, não podendo circular entre concelhos e ficando em casa a partir das 15 horas?
Vamos estar em casa, obviamente, acatando as recomendações.

Como costuma passar a Páscoa numa situação normal?
De alguns anos a esta parte, costumávamos ir à Madeira ou mesmo integrando algum cruzeiro, mas sendo assim, ficamos mesmo por casa.

Qual a tua opinião sobre as restrições?
Concordo. Estas restrições acabam por desencadear uma série de constrangimentos, mas temos de acatar.

São restrições que já vêm tarde?
As decisões relativamente a este tipo de recomendações só podem ser tomadas quando, efectivamente, se registam mais casos ou maior disseminação do contágio. Não se trata de ser mais tarde ou mais cedo. A decisão tem de ser tomada no momento certo. 

“Vamos ver o que as pessoas vão fazer” - Cláudia Santso, 46 anos

 Como vai passar a Páscoa, não podendo circular entre concelhos e ficando em casa a partir das 15 horas?
Temos de nos restringir ao nosso agregado familiar e havemos de estar juntos no nosso espaço de casa. Estou com um irmão e meu pai em Ponta Delgada e tenho outro irmão na Ribeira Grande. Para cumprir as medidas anunciadas, não vai ser possível juntar todos.

Como costumava passar a Páscoa numa situação normal?
Juntávamo-nos todos em casa de meus pais

Qual a opinião sobre as restrições?
Por muito que custe, as imposições são necessárias para que um dia esta pandemia possa terminar.

Estas medidas pecam por ser tardias?
Qualquer medida pode ser muito eficaz ou não. Vai depender da atitude das pessoas. Vamos ver como as pessoas vão reagir a estas medidas e o que é que vão fazer.

 

“Estas limitações são necessárias” - Celestino Fonseca, 60 anos

Como vai passar a Páscoa não podendo circular entre concelhos de Sexta a Domingo?
Em casa. Não se pode, não se pode. Tem de se cumprir.

Como costumava passar a Páscoa?
Normalmente, em casa. Na melhor das hipóteses ia a casa de minha mãe, que ainda é viva.

Qual a sua opinião sobre as restrições?
Da forma como a pandemia se está a complicar um pouco mais, não sei se as medidas irão ficar por aí. De qualquer forma, o que acontece é que paga o justo pelo pecador.

São necessárias estas limitações?
Entendo que haja estas limitações. Se calhar, o que está aqui em causa é, precisamente, coincidir com o período da Páscoa. À partida, dadas as circunstâncias, entendo que deviam ser adoptadas mesmo sem que fosse o período de Páscoa. O número de casos é que está a justificar estas medidas.

 

“O mais importante é cumprir...” - Catarina Rodrigues, 40 anos

 Como vai passar a Páscoa, não podendo circular entre concelhos e ficando em casa  partir das 15 horas?
Terei mesmo de ficar por cá. Estou cá há poucos meses. Estou a trabalhar cá desde Setembro. Sou da Covilhã. À partida, iria passar a Páscoa em família, mas, realmente, este ano não foi possível. De facto, esta situação já dura há um ano, é complicada para todos. Por prudência, não é possível viajar nesta altura.

Como passaria a Páscoa se não houvesse pandemia?
Seria um almoço em família na Covilhã, certamente, como era habitual.

Qual a sua opinião sobre as restrições?
Concordo com as medidas. De facto, o mais importante é cumpri-las. Claro que não é fácil e há situações bastante complicadas

Considera importantes estas limitações?
Claro que às vezes questionámos da lógica de algumas restrições, por exemplo, em algumas freguesias. Mas vamos respeitar, para ver se conseguimos ultrapassar este problema.

“Gentalha que fica cá fora e não cumpre” - Sofia Botelho, 44 anos

 Como vai passar a Páscoa não podendo circular entre concelhos e ficando em casa a partir das 15 horas?
Eu moro em São Pedro e convido toda a gente a vir para a rua a partir das três da tarde e olhar e ver a gentalha que está cá fora.

As restrições não vão surtir efeitos?
Se todos estivermos as cumprir as regras, distanciamento social, uso de máscara e desinfectantes, tudo bem. Agora, estarmos fechados em casa não tem lógica porque ninguém faz isso.  Vemos a polícia a passar e a não fazer nada.
 
Se não fossem estas restrições, como era a sua Páscoa?
Ia para casa da minha irmã que faz sempre uma festa em outro Concelho. Mas, face a estas medidas, vou passar a Páscoa em casa.
Estou aborrecida com esta situação.

 

 

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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