As pastagens que ocupam 90,8% de terras aráveis diminuiram 15%

Em dez anos os Açores perderam produções significativas de citrinos, maçãs, pêras e de hortas, e mais que duplicou a produção de vinho


 Em 2019 haviam nos Açores 10.656 explorações agrícolas, menos 44,7% que em 1999, com o valor médio de 79,9 hectares por exploração. Entre 2009 e 2019, a quebra no número de explorações foi de 29,8%.
As 10.656 explorações agrícolas registadas em 2019 tinham um VPPT – Valor de Produção Padrão Total de 423.979 mil euros.
Do total de explorações agrícolas na Região, 5.414 explorações (50,8%) tinham um Valor de Produção Padrão Total de 15.340 mil euros.
Em 2019 havia nos Açores 1.989 pequenas explorações agrícolas (18,7%) com um Valor de Produção Padrão Total entre os 8 mil e menos de 25 mil euros; havia 2.021 explorações médias com um Valor de Produção Padrão entre os 25 mil euros a menos de 100 mil euros; e 1.232 explorações agrícolas com um Valor de Produção Padrão total com mais de 100 mil euros.
Em 2019 os Açores tinham 120.632 hectares de Superfície Agrícola Útil, mais 0,2% do que em 2009. A Superfície Agrícola não Útil na Região era, no mesmo ano, de 822 hectares, menos 54,2% do que em 2009.
Havia, também, 566 hectares de outras superfícies em 2019, menos 86,7% do que em 2009.
A superfície total nos Açores era em 2019 de 127.076 hectares, menos 2,6% do que em 2009.
Em 2019 havia 27.282 hectares de superfície com culturas temporárias na Região, o que representou um aumento de 130% em comparação com 2009.
Em 2019 havia 303 hectares de hortas familiares nos Açores, menos 29% do que em 2009.
Em 2019 a Região tinha 2.574 hectares de culturas permanentes, um aumento de 27,3% do que em 2009.  
  Nos Açores, em 2019, existiam 81.704 hectares de pastagens semeadas e espontâneas melhoradas em terra limpa e 8.269 hectares de pastagens consideradas pobres, num total de 89.973 hectares, o que representa uma diminuição de 15% em relação a 2009.
Embora a superfície de pastagens melhoradas tenha diminuído, elas representam Açores 90,8% das pastagens permanentes do arquipélago.

Menos 38,5% de árvores
de frutos frescos em 10 anos

Dos 2.574 hectares de culturas permanentes existentes na Região, 111 hectares são de frutos secos (mais 8,2% que em 2009); 350 hectares são de citrinos (menos 20,8% do que em 2009); 481 hectares são de frutos subtropicais, (mais 10,6% do que em 2009), e quatro hectares de frutos pequenos de baga.
Em 2019 os Açores tinham 97 hectares de superfície útil agrícola com árvores de frutos de casca rija; 1.424 hectares de vinhas, mais 53,7% do que em 2009; e 21 hectares de culturas lenhosas, mais 153,4% do que em 2009.
Em 2019 havia na Região 417 explorações com macieiras, menos 41,4% do que em 2009; 198 explorações com pereiras, menos 31,3% do que em 2009; 69 explorações de pessegueiros, menos 43,4% que em 2009; e 255 hectares de outros frutos frescos.
No total havia em 2019, nos Açores, 686 explorações com árvores de frutos frescos, menos 35,8% do que em 2009 numa superfície de 111 hectares, mais 8,2% do que em 2009. A dimensão média da exploração era de 0,2 hectares, o que representa mais 68,6% do que em 2009.
Os Açores tinham em 2019 dezassete explorações agrícolas especializadas em frutos frescos com um Valor de Produção Padrão Total de 142 mil euros.
No mesmo ano, os Açores tinham 1.674 explorações agrícolas de laranjeiras, menos 37,9% do que em 2009; 554 explorações com limoeiros, mais 41% do que em 2009; e 645 explorações com tangerineiras, mais 9&% do que em 2009.
No total, a Região em 2019 tinha 2.385 explorações de citrinos, menos 37,1% do que em 2009 numa superfície de terra útil de 350 hectares, menos 20,8% do que em 2009. A dimensão média de cada exploração era de 0,1 hectare, representando um crescimento de 25,9%.
Havia em 2019 nos Açores 218 explorações especializadas em citrinos (menos 45,4% que em 2009) com um Valor de Produção Padrão Total de 482 mil euros (menos 34,8%).

Produção de vinha duplicou

Em 2019, os Açores tinham 421 explorações de vinhas para a produção de vinho com Denominação de Origem Protegida, o que representava um aumento de 334%. Estas explorações estavam em 1.227,2 hectares de superfície. No mesmo ano havia na Região 187 explorações de vinha para produção de vinho IGP – Identificação Geográfica Protegida, o que representa um aumento de 252,8% relativamente a 2009.
Havia ainda, em 2019, nos Açores 1.465 explorações de vinha para produção de vinho não certificado, menos 49,6% do que em 2009. Esta vinha ocupava 429 hectares de superfície, menos 47,2% do que em 2009.
Em 2019 existiam nos Açores 151 explorações de vinha para a produção de uvas de mesa, mais 28% do que em 2009 em 20 hectares de superfície, mais 57,5% do que em 2009.
Na Região, em 2019, havia 446 explorações especializadas em viticultura com um Valor de Produção Padrão Total de 3.526 mil euros.
A vinha continua a ser a cultura mais disseminada, estando presente em mais de metade das explorações agrícolas nacionais com culturas permanentes (51,9%), ocupando uma área de 173,3 mil hectares (177,8 mil hectares em 2009), apenas inferior à ocupada pelo olival. A dimensão média da vinha por exploração aumentou dos 1,14 hectares em 2009 para os 1,52 hectares em 2019.
O aumento relativo “foi particularmente notável nos Açores” cuja dimensão das vinhas mais que duplicou, ultrapassando a dimensão média das vinhas da beira Litoral e aproximando-se da dimensão apurada no Algarve.

Açores com terras aráveis
ocupadas com forragens e prados
 
As culturas temporárias secundárias, quer sejam sucessivas (que antecedem ou sucedem, no mesmo ano agrícola, uma cultura temporária de maior rendimento económico) ou sob coberto de permanentes (cultivadas sob coberto de culturas permanentes), ainda são uma realidade muito presente no panorama agrícola nacional, em particular nas regiões onde predominam as explorações com reduzida dimensão de terras aráveis (Entre Douro e Minho, Beira Litoral e Açores) e onde são realizadas maioritariamente com o intuito de rentabilizar a terra. No seu conjunto representam cerca de 8,6% da superfície total de culturas temporárias, cerca de 76 mil hectares. Este facto é bastante perceptível nos prados temporários e culturas forrageiras em que cerca de 12,5% da área total é explorada em cultura secundária, e em particular em Entre Douro e Minho em que este rácio é próximo dos 50% e nos Açores onde é cerca de 1/3.
Os aumentos de terras aráveis registados no Ribatejo e Oeste e Açores deveram-se, sobretudo, a utilizações do solo relacionadas com a alimentação animal: prados temporários e culturas forrageiras. Nos Açores, constata-se que as terras aráveis estão, quase na sua totalidade, ocupadas com culturas forrageiras e prados temporários, por oposição à Madeira, que apresenta a diversificação mais equitativa da utilização das terras aráveis no território nacional.

Queda de 47,3% na pecuária
no continente...

A análise das explorações segundo a Orientação Técnico Económica (OTE) aponta para o reforço da especialização da agricultura portuguesa. De facto, 3/4 das explorações são especializadas (mais de 2/3 do Valor da Produção Padrão Total provém de apenas uma actividade) e representam 88,4% do VPPT, tendo as explorações especializadas aumentado 7,0% e o respectivo VPPT crescido 49,9% desde 2009.
Em contrapartida, as explorações com orientações indiferenciadas ou combinadas decresceram 30,6% e representam apenas 11,6% do Valor de Produção Padrão Total nacional.
A especialização em culturas permanentes foi a que registou o maior crescimento do número de explorações, principalmente devido às explorações especializadas em frutos de casca rija e frutos tropicais que aumentaram no Continente 96,7% e 100,2%, respectivamente. Em contrapartida, na pecuária assistiu-se a decréscimos no número de explorações especializadas em bovinos de leite (-47,3%), ovinos e caprinos (-11,9%) e aves (-8,8%).
 Os Açores são a região que apresenta maior especialização, uma vez que 88,3% do Valor de Produção Padrão Total regional resulta das explorações especializadas, maioritariamente em herbívoros (61,1%).  
 O abandono da actividade agrícola verificado desde 2009 ocorreu sobretudo entre os pequenos produtores, tendo inclusivamente o número de explorações com mais de 20 hectares aumentado (+16,1%) a nível nacional.  

 

                                      

 

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Autor: CA

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