4 de abril de 2021

Recados com Amor...

Meus Queridos! Hoje é Domingo de Páscoa, e mesmo com a pandemia fiquei embevecida com uma bonita caixa muito bem decorada que mão amiga deixou em minha casa, aqui na Rua Gonçalo Bezerra. Veio com um bonito laçarote de uma mistura de cores vivas de laranja, azul e amarelo. Julgava eu que era para mim, mas vinha lá dentro um bilhetinho, incumbindo-me de entregar as prendas a alguns políticos da nossa praça. Como o tempo não estica em quadras como a Páscoa, prontamente fiz questão de as mandar entregar na passada Quinta-feira, antes do confinamento, não vá o diabo tecê-las… e lá ficavam os destinatários nesta quadra sem a boca adocicada. Por engano, o namorado da minha sobrinha neta, que me fez o favor de levar a caixa para Ponta Delgada, entregou as prendas ao porteiro do Palácio da Conceição, em vez do Palácio de Sant’Ana, onde fica o Presidente do Governo. De qualquer das formas, espero que elas cheguem a tempo aos seus destinatários. Para José Manuel Bolieiro foi um bonito pacote de amêndoas “Pérolas da ilha”; para Artur Lima, um Kinder chocolate com uma bela surpresa lá dentro; para Sofia Ribeiro, um ovo de chocolate da Barbie com uma astronauta como prenda; destinado a Clélio Meneses foi uma caixinha com 3 vacinas Coronavac made in China, para distribuir também pelo Berto Cabral e por Gustavo Tato Borges; para Duarte Freitas, um saco de amêndoa torrada; para Ana Carvalho, uma caixa de amêndoas Regina com sabores surpreendentes de caramelo e flor de sal. Também havia um saboroso folar à moda da Terceira para António Ventura partilhar com Carlos Costa Neves e Clélio Meneses. Para Mota Borges um voucher para comprar uma caixa de amêndoas em Bruxelas, tão amargas como as dívidas da SATA. Basto e Silva, sempre com parcimónia nos gastos coube-lhe um quilo de miolo de amêndoa, que sempre servirá para ajudar noutras ementas. As amêndoas Rainha foram entregues a Paulo Estevão e para Vasco Cordeiro foi entregue no seu gabinete na Assembleia Legislativa um bolo da deliciosa massa sovada à moda da Covoada. Espero que tenham cautela com o colesterol e não partem nenhum dente com as amêndoas variadas da Avó Dona Maria.


Ricos! Não era para falar de política neste Domingo… mas depois de ter ouvido a resposta que o Ministro dos Negócios Estrangeiros Artur Santos Silva, deu ao deputado Paulo Moniz, quando este perguntou se ele já tinha feito alguma diligência junto do Governo dos Estados Unidos da América a solicitar vacinas para os Açores, ao abrigo do acordo existente sobre as facilidades concedidas aos americanos na Base das Lajes, fiquei para Deus me levar, pela sonsice do Ministro, ao descartar que não podia pedir vacinas à América para os Açores, porque o seu fornecimento é feito pela “mísera” percentagem que cabe à Região do bolo que a União Europeia vai enviando para Portugal… Juro que não percebo o servilismo do Governo da República para com os EUA quanto aos Açores… e cheira a que haja grandes interesses de Portugal envolvidos no acordo… para tanta subserviência… Bem fez o Vice-presidente Artur Lima, que apontou a solução com recurso à compra directa pelos Açores da vacina Sputnik V da Rússia, logo que esteja validada pela Agencia Europeia do Medicamento… Aquele Ministro dos Negócios Estrangeiros Santos Silva não é flor que se cheire… e há-de ter quem o substitua sem ele dar por isso!

Meus queridos! E a propósito do Domingo de Páscoa e antes de mais, quero mandar um ternurento beijinho a todos os leitores do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, porque mesmo com o confinamento decretado para a ilha do Arcanjo, a gente tem de procurar pensar positivo e arranjar alternativas para lembrar estes dias de festa que nos ajudam a renovar forças para o resto do ano, mas que agora, tudo mudou por obra e graça de um vírus que parece ser a encarnação do Diabo…. Ao ver as alterações de horários que muitas paróquias estão a fazer, com as vigílias pascais ao meio dia, por via de não poderem ser feitas à noite, lembrei-me de quando era menina e moça lá nos anos sessenta do século passado, quando as “Endoenças” só eram celebradas nas Igrejas Matriz, e que nas outras igrejas “rasgava aleluia” ao meio dia de Sábado, altura em que acabavam os jejuns, partiam-se os folares e a criançada até já podia jogar ao pião, porque tinha acabado a quaresma… Passados tantos anos é um vírus que obriga a que se faça a Vigília ao meio dia… Nessas coisas, há sempre regressos ao passado… e já me disseram que muitos dos nossos padres voltaram a forrar os altares e as imagens de preto e a minha prima Encarnação disse-me que até já ouviu falar de saudades da Quarta-feira de Trevas… Por mim, as trevas na presente situação é o recolher obrigatório, por medo do “diabo do bicho” fazer mais estragos… Cá por mim, mesmo indignada com a cercadura feita em toda a Ilha de São Miguel… e mesmo fechadinha em casa, aqui deixo os meus votos de Boa Páscoa para todos e todas!

Ricos! Este ano, e com todos estes confinamentos, não vesti o meu vestido azul bandeira para descer à cidade de Ponta Delgada no dia dos seus 475 anos que este ano ocorreram mesmo em Sexta-feira Santa. Mas aqui na minha cidade-norte, não me esqueci do aniversário da velha urbe, que é o motor e a cabeça do desenvolvimento dos Açores. Com limitações e erros passados e presentes, a cidade afirma-se pelo seu dinamismo e pela sua vida que não pára de crescer, porque as cidades são realidades dinâmicas que se vão fazendo ao sabor do tempo e nada disto mata o olhar romântico sobre o passado que se vê na sua arquitectura, desde a mais humilde até à mais solarenga, a lembrar tempos de fartura e inovação que os nossos antigos lhe deram com as suas indústrias e seus mercados, que nunca mais tiveram tão grande arrojo. Para Ponta Delgada, na pessoa da sua dinâmica Presidente e toda a sua equipa, vai o meu ternurento beijinho de parabéns e que nunca cedam à tentação do imobilismo de que muito gostam alguns velhos do Restelo, ou no nosso caso, da Varanda de Pilatos…

Ricos! E já que estou a falar de efemérides, também não me posso esquecer dos 70 anos do Teatro Micaelense que se comemoraram no dia 31 de Março. Foi um marco na cidade e hoje ninguém se lembra e muito menos chora que tenha sido construído no preciso lugar onde existiu o Convento de São João, malogradamente transformado em instalações militares que o descaracterizaram. Passados setenta anos, o Teatro Micaelense, com os seus traços arquitectónicos a lembrar o velho e defunto Monumental de Lisboa, é já um grande ponto de referência da história de Ponta Delgada, por onde passaram os nomes mais sonantes das artes de palco dos Açores, de Portugal, como a Amália Rodrigues (não venham dizer que eu não sei geografia), e de muitos outros países. E, de entre todos quantos deram o seu melhor para o êxito daquela casa de espectáculos, nunca me esqueço do grande, grande Santos Figueira, para quem Teatro e Coliseu eram a sua vida e a sua paixão e que mesmo nas maiores dificuldades soube “aguentar” a grande obra sonhada e concretizada por Francisco Luís Tavares, que além de empresário foi, jornalista e fundador do jornal Correio dos Açores, e outros grandes empresários do tempo como José Honorato Gago da Câmara de Medeiros, Visconde do Botelho, e tantos outros nomes perpetuados em salas do actual e remodelado teatro…

Meus queridos! Fiquei para Deus me levar, quando soube dos actos de vandalismo e do roubo de figuras que as crianças e suas educadoras tinham colocado nos arranjos de Páscoa que tão bonito tornaram o Jardim Sena Freitas, neste período festivo. Depois de ter lido no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio o artigo do meu querido Presidente Emérito Mota Amaral sobre os sinais de Páscoa, fiquei curiosa e lá fui dar uma voltinha no meu velho popó e fiquei encantada com o que vi. Por isso mesmo fiquei muito triste quando soube que aquilo tinha sido vandalizado. Há gente para tudo, principalmente quando se sabe que já não há polícia nas ruas… A minha prima da Rua do Poço disse-me esta semana que até apedrejaram os vidros dos painéis de Domingos Rebelo, mesmo em frente à EDA, na Calheta… Como dizia o Padre António Vieira já há séculos, nem Deus nos templos e sacrários está seguro…

Meus queridos! Sempre fui mulher de consumir produtos regionais, até porque a minha cidade-norte é exemplo acabado do melhor que se produz nos Açores, desde lacticínios, até aos licores do Velho Ezequiel, agora Eduardo Ferreira, até aos caseiros biscoitos da Lomba da Maia. E acho muito bem que os nossos governantes falem e estimulem ao consumo do que é nosso. Ainda há dias ouvi o irrequieto Secretário Ventura, que bem rima com agricultura, dizer que os açorianos deveriam aproveitar a Quaresma para consumir produtos regionais. Não percebi o porquê de puxar a quaresma para ali, a não ser que o rico quisesse dizer que é preciso consumir peixe do nosso mar, já que a carne é desaconselhada neste tempo… Mas, rico, o preço do peixe nesta altura  está pela hora da morte, … e por isso não há quem coma!

Ricos! Quando se chega a esta altura… começamos a olhar para o calendário e contar as cinco semanas que faltam para a festa maior da ilha, que é o Senhor Santo Cristo, que pelos vistos este ano vai ficar novamente no coro baixo, a não ser que o vírus dê tréguas e permita que se saia, nem que seja para uma missa campal com lugares marcados no Campo, como se fez em Fátima no 13 de Outubro passado. Tanta certeza havia de que não ia haver festas para ninguém, mas pelo menos o ressuscitado Azores Rallye vai-se realizar mesmo na semana do Senhor… Caso houvesse festa, no Sábado de Mudança, o som das roqueiras de entrada da Imagem no Santuário ia misturar-se com o roncar dos carros a chegar à Praceta, no fim da prova… Isso é que é uma pontaria para data das festas…

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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