Direcção do Ambiente está a proceder ao controlo de gaivotas de patas amarelas no Ilhéu de Vila Franca do Campo

 A Direcção Regional do Ambiente decidiu “continuar com os trabalhos de correcção da densidade populacional de gaivotas” no Ilhéu se Vila Franca do Campo e “continuar com a fiscalização e vigilância da área protegida, durante a época balnear, com a presença de um vigilante da natureza em permanência”.
Considerando que a população de gaivota-de-patas-amarelas “tem vindo a aumentar no Ilhéu de Vila Franca e que esta espécie, oportunista, constitui uma grande ameaça para outras espécies que nidificam nesta área, predando as suas crias”, já foram realizadas algumas acções de controlo populacional de gaivotas.
Os trabalhos de controlo populacional das gaivotas “consistiram na destruição e remoção, considerado que as colónias reprodutivas do Ilhéu são recentes e têm pouca expressão”.
Na área protegida para a gestão de habitats ou espécies do Ilhéu de Vila Franca, foi realizada uma acção de inviabilização de ovos, e de destruição e remoção de ninhos.
Os vigilantes da natureza vão, igualmente, “continuar a ordenar e disciplinar as actividades turísticas recreativas, de forma a evitar a degradação dos valores naturais, culturais e paisagísticos do local, possibilitando o exercício de actividades de recreio e lazer compatíveis”.
Segundo o relatório, “apesar de se ter verificado que, em alguns dias, a capacidade de carga não foi respeitada, a equipa de Vigilantes da Natureza afecta ao Ilhéu, durante a época balnear, não verificou danos ambientais nem conflitos ao nível do fluxo turístico na área protegida”.
Durante a época balnear de 2019 visitaram o ilhéu 36.48 pessoas, das quais 29.851 foram de não residentes. O mês em que se verificou uma maior afluência de visitantes, foi Julho, com 9.299 não residentes e 2.462 residentes. As taxas de 4 euros sobre os não residentes resultou numa receita de 59,7 mil euros.

Menos 70% de visitantes
em 2020 que em 2019

De acordo com os dados de visitação, durante a época balnear de 2020, visitaram o ilhéu, 10.853 pessoas, das quais 8378 foram não residentes. O mês que se verificou
uma maior afluência de visitantes, foi o mês de Agosto, com 4102 não residentes e 1446 residentes. Verificou-se ainda que, à excepção do mês de Junho, predominou os visitantes não residentes, o que representou um valor de taxas de 16,7 mil euros.
Comparativamente, ao ano de 2019, o número de visitantes durante a época balnear 2020, foi muito menor, com uma diminuição de cerca de 70%.
Como expectável os valores foram, não só fortemente influenciados devido à crise do sector turístico, na sequência da pandemia de covid-19, mas também devido a má qualidade da água balnear, motivando acinterdição da prática de banhos de mar em 6 períodos, num total de 33 dias.
Devido às condições climatéricas, em 2020, as viagens para o Ilhéu foram canceladas 14 dias, em toda a época balnear.
Durante a época balnear de 2019 foram registados seis acidentes nos 116 dias efectivos de abertura ao público, três de queda em zonas de piso escorregadio e três situações de pré-afogamento, em todas as situações não houve necessidade de evacuação.
As quedas, devido ao piso escorradio, ocorreram em três sítios diferentes, nomeadamente, nas escadas existentes após o cais de embarque; local de entrada do mar para o interior da cratera, quando o mesmo está agitado; e na zona de acesso à praia, quando a maré está baixa torna-se num local de difícil acesso, por ser muito escorregadio.
A partir de 2019 o Parque Natural de São Miguel assumiu os trabalhos de manutenção do trilho de acesso ao topo do ilhéu grande, das áreas de nidificação do cagarro, controlo de espécies de flora invasora e manutenção do coberto vegetal natural.

Ilhéu: Qualidade ‘má’
da água em 2020

No âmbito do programa de monitorização da qualidade das zonas balneares costeiras dos Açores, a Direcção Regional dos Assuntos Marítimos efectuou análises à água balnear do ilhéu. Neste sentido, durante a época balnear 2020, foram analisadas 34 amostras da água balnear no “Ilhéu de Vila Franca do Campo”, com o código PTAV7H, das quais 11 tiveram como resultado “água imprópria para banhos”, por poluição fecal, tendo sido interdita
a prática de banhos de mar em 6 períodos, num total de 33 dias, pelo Delgado de Saúde. Isto devido a concentrações elevadas das bactérias Enterococos intestinais e Escherichia col.
 
Para além desta monitorização, com vista a uma melhor caracterização da situação foram ainda realizadas análises à água do mar na orla costeira de Vila Franca do Campo no dia 8 de Julho de 2020 em 25 pontos de amostragem a 2 profundidades (50 cm a 1 m e 10 a 15 m) sem resultados expressivos e efectuado um estudo de DNA (Método “Microbial Source Tracking“) para identificação das fontes de poluição fecal nos dias 17 de Julho e 11 e 14 de Setembro, cujos resultados indicaram a presença de Bacteroides de gaivotas e de humanos nalgumas amostras dentro e fora do Ilhéu.
 Terminada a época balnear foi calculada a classificação da qualidade da água para o ano 2020, a qual obteve a classe “Má”, o que representa um decréscimo em relação à classificação alcançada aos anos anteriores que variou entre “Aceitável” e “Boa”.
 Neste contexto, não foi possível apurar a causa da contaminação da água, se foi proveniente dos excrementos de gaivota ou humanos (resultantes das descargas do emissário de VilaFranca do Campo). J.P.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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