Fechada a pescaria ao atum rabilho nos Açores

Compradas em lota 97,8 toneladas de rabilho por 574 mil euros

 A direcção regional das Pescas, publicou um edital a proibir a pesca do atum rabilho no mar dos Açores a partir do dia 7 do corrente.
A partir daquela data “é proibida a captura, manutenção a bordo ou descarga de qualquer espécime dessa espécie de pescado ao abrigo das regras estabelecidas para a pesca dirigida”, lê-se no aviso.
Até ao dia 1 de Abril tinha sido descarregadas nos portos dos Açores 97,8 toneladas de atum rabilho no valor de 574 mil euros, o equivalente a 5.82 euros o quilo. A quota de 100 toneladas foi praticamente atingida no espaço de três meses.
Numa nota de esclarecimento enviada  ao ‘Correio dos Açores’, a Associação de Comerciantes de Pescado dos Açores explicou que “o que se passa em 2021 no Rabilho nos Açores tem sido excesso de oferta, derivado de uma corrida desgovernada e desorganizada à pesca de uma espécie muito protegida, com uma quota comunitária reduzida e um processo burocrático de controlo muito apertado e acompanhado de perto por parte do ICCAT, através dos certificados electrónicos”.
Ainda segundo a Associação de Comerciantes de Atum, este excesso de oferta de uma espécie de grandes dimensões, que atinge os seus maiores preços quando vendida inteira e não em lombos, ocorreu em simultâneo com enormes restrições em termos de transporte aéreos e de baixas consideráveis no turismo, factores que são determinantes para as flutuações que podem existir na compra e venda de qualquer produto em fresco”.
 Valdemar Oliveira já foi armador de atum e, desde o início, se interessou pela pesca do atum rabilho nos mares dos Açores com o objectivo de o exportar para mercados onde é muito valorizado. 
Valdemar Oliveira explicou, recentemente, numa entrevista ao ‘Correio dos Açores’, que o problema do rabilho “foi sempre o mesmo problema. Na sua migração ele passa pelos Açores muito magro e como tal sem valor comercial para consumo em cru”.
Disse recordar-se da Sociedade Corretora “não querer comprar rabilho quando ele por cá passava, nesta altura do ano, dizendo que estava verde. De facto o rabilho cozido muito magro ficava com a carne esverdeada”.
Recorda que, com os dois barcos atuneiros que chegou a ter, “tecnologicamente preparados para pescar e trabalhar o atum para exportação para Los Angeles, apanharam vários rabilhos que aos classificar nunca encontrei um peixe com condições mínimas de gordura enquanto classifiquei vários patudos bastante gordos e com um calor comercial em Los Angeles, muito interessante”.
“Prova disso foi a foto de capa do Correio dos Açores, que desconheço a data, de um patudo com 64 kg que me rendeu 12 mil dólares vendido num sushi bar de Los Angeles. Comprei recentemente uma posta de rabilho fresquíssima, e de boa cor, mas que sem gordura alguma não a consegui comer como sashimi”, palavras de Valdemar Oliveira.
“Donde, em resumo, uma posta de patudo gordo poderá valer muito dinheiro enquanto um posta de rabilho magro não valer nada”, concluiu.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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