‘Memorial do Soldado Emigrante’ inaugurado na praça do Emigrante na Ribeira Grande

Na sequência da inauguração do “Memorial ao Soldado Emigrante”, na Ribeira Grande, o “Correio dos Açores” contactou o Coordenador Científico do Monumento, Professor Sérgio Rezendes, visando entender o contexto que lhe deu origem.
Sérgio Rezendes enalteceu o apoio e sensibilidade da Associação dos Emigrantes dos Açores assim como o alto patrocínio da Câmara Municipal daquela cidade, destacando o facto de ser único a nível nacional e provavelmente, mundial. “Após uma apurada pesquisa internacional, não se encontraram informações sobre um memorial ou monumento dedicado ao “Soldado Emigrante” mas sim aos soldados nacionais ou desconhecidos, ainda hoje evocados nas cerimónias de 11 de novembro”. Rui Faria, Presidente da Associação, corrobora e complementa ao afirmar que “enriquece ainda mais o caráter único do Globo em Pedra de Calçada” que caracteriza a Praça do Emigrante.
Sérgio Rezendes deu a conhecer a intenção, enquanto colaborador do “Correio dos Açores”, de publicar em breve a investigação que originou o memorial e que tem como base o faialense Manuel Mendonça, nascido em 1889 e emigrado para os Estados Unidos da América em data incerta. “Manuel Mendonça já nasceu em perigo…”, diz o historiador, “e foi mobilizado a partir de East Boston, integrando a Companhia M do Terceiro Batalhão do 301.º Regimento de Infantaria, partindo para o norte de França no verão de 1918. Enviado para o «front», participou na derradeira ofensiva dos últimos cem dias do conflito, morrendo em combate a 4 de novembro, a uma semana do fim da I Guerra Mundial.”
“Manuel Mendoça retornou e está sepultado entre nós, pelo que no centenário do regresso a casa dos falecidos no conflito, inclusive dos dois Soldados Desconhecidos de Portugal, é de todo relevante dignificá-los inclusive aos que, não deixando de serem portugueses, abraçaram a causa da Liberdade pelos países que os adotaram, pagando com a sua juventude, esse sonho numa Vida melhor”. Lembra que o memorial não é em Honra a Manuel Mendonça, mas sim a todos os que, como ele, emigraram para fugir à miséria sonhando com um futuro condigno e alistaram-se nas Forças Armadas do país de acolhimento.
Acompanhado por um QR Code, o memorial ganha dinamismo por conter uma base de dados para que emigrantes alistados, combatentes ou não, possam registar esse contributo para a posteridade.
“Tratando-se de um importante reforço dos laços que unem os Açores e Portugal com o mundo, sabe-se serem muitos os que tombaram em diferentes conflitos pelo que a Associação dos Emigrantes dos Açores e o coordenador científico convidam a diáspora a interagir com o Memorial na Praça do Emigrante, deixando informações que após confirmação, serão disponibilizadas on-line”, palavras de Sérgio Rezendes.

 

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker