No contexto nacional aumenta a assimetria na distribuição de rendimentos nos Açores (38,1%)

 Em 2019, a mediana do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo foi 9 539€ em Portugal, aumentando 4,5% face ao ano anterior. Todos os municípios acompanharam esta tendência de crescimento, mas apenas um quinto apresentou valores medianos superiores ao verificado no país: os 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML); 19 municípios no Centro; 13 no Alentejo; 7 no Norte; 4 na Região Autónoma dos Açores; 3 na Região Autónoma da Madeira e apenas Faro no Algarve.

Vila Franca do Campo com
menos rendimento mediano

Os três concelhos dos Açores com o rendimento mediano bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo acima da média nacional são Ponta Delgada (10.373 euros); Horta (10.013 euros); e Angra do Heroísmo (9.913 euros).
O valor mediano do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo mais baixo nos Açores regista-se no concelho de Vila Franca do Campo (7.043 euros); Povoação (7.341 euros); Nordeste (7.367 euros); e Lagoa (8.483 euros).
Os três municípios com valores declarados mais elevados foram Oeiras (14 009 €), Lisboa (12 898 €) e Cascais (11 859 €).

Aumenta  a assimetria
na distribuição
de rendimentos nos Açores

Em 2019, o Alentejo Central apresentou o menor nível de concentração do rendimento entre as 25 sub-regiões do país.
O Coeficiente de Gini é um indicador de desigualdade na distribuição de rendimentos que visa sintetizar num único valor a assimetria dessa distribuição. Assume valores entre 0 (quando todos os sujeitos passivos têm igual rendimento) e 100 (quando todo o rendimento se encontra num único sujeito passivo).
Em 2019, o coeficiente de Gini do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeaito passivo foi 36,5% em Portugal, evidenciando uma ligeira redução face a 2018 (37,0%). As regiões autónomas dos Açores (38,1%) e da Madeira (36,6%), as áreas metropolitanas de Lisboa (37,6%) e do Porto (36,5%) e as sub-regiões contíguas do Alto Tâmega (37,8%), do Douro (37,5%) e de Terras de Trás-os-Montes (36,9%) apresentaram coeficientes iguais ou superiores ao valor nacional sugerindo uma maior desigualdade relativa na distribuição do rendimento.
 
Vila do Porto com 44,3
do coeficiente Gini

A análise do padrão municipal do coeficiente de Gini evidencia, com valores superiores à referência nacional, a Região Autónoma dos Açores (8 dos 16 municípios com informação disponível) e a região Norte (19 dos 85 municípios com informação disponível). Para além destas duas regiões, verificaram-se também valores de coeficiente de Gini superiores ao nacional em municípios da Área Metropolitana de Lisboa (Lisboa, Cascais, Alcochete, Oeiras e Mafra); da Região Autónoma da Madeira (Calheta, Funchal e Ponta do Sol); e da região Centro (Coimbra e Murtosa).
Note-se que nenhum município do Alentejo e do Algarve registou uma assimetria do rendimento superior ao valor nacional (36,5%), à luz do coeficiente de Gini. Destacaram-se com resultados superiores a 40%,, os municípios Vila do Porto, em Santa Maria, (44,3%); Lisboa (42,4%); Porto (41,7%); Cascais (40,9%); Lagoa (40,6%); e Vila Franca do Campo (40,2%).
Os municípios com os menores níveis de desigualdade de rendimento situavam-se sobretudo no Interior das regiões Centro e Alentejo, tendo o Alandroal (27,9%) registado o menor coeficiente de Gini do país. A Região de Leiria foi a sub-região com menor amplitude do coeficiente de Gini entre municípios: o menor valor foi registado na Marinha Grande (30,6%) e o maior em Leiria (33,0%). Em 2019, dos 37 municípios com coeficientes de Gini superiores ao valor nacional, 13 registaram também valores medianos de rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo à referência nacional: Vila do Porto, Lisboa, Porto, Cascais, Ponta Delgada, Alcochete, Oeiras, Funchal, Vila Real, Angra do Heroísmo, Coimbra, Matosinhos e Mafra.
O padrão mais comum na leitura conjunta destes dois indicadores evidencia 205 municípios com coeficientes de Gini e valores medianos do rendimento simultaneamente abaixo do valor do país.  
 

Turismo: Ponta Delgada e Horta acima do referencial nacional

 

 Em 2019, 34 municípios registaram mais de 1 000 dormidas em alojamentos turísticos por 100 habitantes. Estes municípios localizam-se maioritariamente no Algarve (11) e regiões autónomas da Madeira (7) e dos Açores (4).
Deste conjunto, 19 apresentaram mesmo mais de 2 000 dormidas por 100 habitantes, destacando-se Albufeira com 20 636 dormidas por 100 habitantes. A situação pandémica provocou uma redução acentuada da procura de alojamento turístico por não residentes (-83,7% no período de Março 2020 a Fevereiro 2021 face ao período homólogo)1 e uma forte contracção da facturação nas Actividades de alojamento (-66,5% de Março a Dezembro de 2020), com particular incidência nas regiões dos Açores (-74,7%) e da Madeira (-73,3%) mas também no Algarve (-58,5%), região onde o peso da facturação nas Actividades de alojamento representou 11,9% do total.
O impacto económico da crise pandémica, particularmente desfavorável para a fileira do turismo, e a forte concentração territorial desta actividade, antecipam efeitos fortemente assimétricos dentro e entre as economias locais e, consequentemente, nos rendimentos das famílias que delas dependem.
Tomando como referência as notas de liquidação do IRS, o nível de rendimento mediano para a grande maioria destes municípios (26 em 34) é inferior ao nacional (9 539 €).
Com efeito, para além das cidades de Lisboa e Porto, apenas se verificaram níveis de rendimento superiores ao referencial nacional nos municípios de Évora, no Alentejo, Porto Santo, Funchal e Santa Cruz, na Madeira, e Ponta Delgada e Horta, nos Açores.
Em sentido inverso, em todos os municípios do Algarve com maior oferta de alojamento turístico, o nível mediano de rendimento dos residentes foi inferior ao verificado no país.  

 

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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