1 de agosto de 2021

Opinião - Crónica da Madeira

O Sonho do Rui Sá: O Museu de Arte Moderna

“... se desejares muito
Alguma coisa, tê-la-ás;
Podem ser precisos paciência,
Duro labor, luta renhida
E muito tempo;
Mas tê-la-ás.
Esta fé infinita
É o requisito prévio
De qualquer empreendimento,
Artístico ou outro.”
(Margo Jones, 1913-1955)


Não sei bem por onde começar esta minha crónica (a 79ª que escrevo para o “Correio dos Açores”). Se por apresentar aos leitores, o ideólogo, o pintor, o curador da exposição, o proprietário do MAMA (Museu de Arte Moderna da Madeira) – Rui Sá ou falar da família Sá por quem nutro um especial carinho e consideração. Começo pela família, pela solidariedade que une todos os elementos cujo espírito de perseverança os caracteriza. Do pai, Sr. Jorge de Sá, dinâmico comerciante, passando pela mãe, Sra. D. Helena (já falecida) que foi o grande pilar desta família. Aos filhos: Jorge, Cipriano, Rui e Vitor – todos eles dinâmicos, trabalhadores, merecem a minha admiração, por isso estive sempre com eles: nos momentos menos bons e naqueles de alegria.
O museu do Rui Sá ocupa uma área de 800 m2. Neste espaço, onde a imaginação é inimaginável e a fantasia derrama-se por todos os recantos, perdemo-nos na descoberta da história de cada quadro. São trezentos, no total, pintados pelo Rui, o que revelam um indomável espírito de tenacidade e trabalho.
É apanágio da Família Sá o empenhamento pelo que fazem. Isso mesmo constatei eu pessoalmente, em diversas ocasiões. Assim em cada um dos membros previ sempre que quaisquer que fossem os temporais iriam sempre vencer, pelo entusiasmo e espírito de luta.
Abrir um museu no Funchal era um velho sonho do Rui Sá. Viajante imparável onde bebeu os seus ensinamentos, em 97 países. Em cada um destes países visitou dezenas de museus. Carregou livros. Pagou excesso de bagagem. Eu e outros amigos que fomos seus companheiros de tantas viagens, vimos que todos os dias ele enchia as páginas do seu pequeno “caderno de viagem” onde apontava as suas emoções. Assim fortaleceu o seu grande sonho: o Museu.
É economista por formação. Licenciou-se em Coimbra. Encontrei-o ali com o seu irmão Jorge Cipriano, numa daquelas ruas poéticas, da cidade com a segunda Universidade mais antiga da Europa. Vinham alegres, cheios de energia, tinham na mente um mundo de projetos. Falámos de tudo isso e, naturalmente da Madeira, a paixão que se sobrepõe a todas as outras, paixões porque amá-la é entendê-la em todas as suas vertentes. Segundo o Rui, o seu lado artístico teve muitos contributos, “mas sem sombra de dúvida que o viajar influenciou-o imenso”.
O “MAMA” que se situa na Estrada Monumental, junto à Ponte do Ribeiro Seco, está dividido no seu interior por temas: Oásis, Club Éden; Mistérios; Céu; Caverna; Arena; Obelisco; Universo; Tempo; Êxodos; Energia e Passos Perdidos.Quanto às obras não me atrevo a expressar uma opinião dada a labiríntica interioridade do seu autor. Naturalmente que cada quadro tem uma história e cada um deles reflete as suas inquietações, alegrias, preocupações. Em todos se derrota a sua rica experiência de vida.
Rui, o homem sonha e a obra nasce. Assim aconteceu contigo.
Envolvo-te num abraço de parabéns

 

João Carlos Abreu

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima