1 de agosto de 2021

Ir ao fundo dos números…

 1- Os dados preliminares dos Censos de 2021 fizeram tocar as campainhas de alarme face ao decréscimo da população verificado entre 2011 e 2021. São vários os factores que influem este resultado e é bom não esquecer que nos últimos dez anos Portugal atravessou duas brutais crises, a primeira das quais resultante da “bancarrota” deixada pelo Governo do Primeiro-ministro socialista José Sócrates, que obrigou ao corte nos salários e nas pensões, ao encerramento de empresas e ao enorme desemprego que originou uma fuga para o estrangeiro de muitos trabalhadores e famílias na busca da subsistência.
2- A segunda crise ainda está por aí, e não se sabe como vai acabar porque parece ter-se recuado aos tempos de Babel, onde se falava várias línguas o que tornava difícil a compreensão entre os habitantes que lá viviam. Assim estamos agora, devido ao manancial diário de opiniões desencontradas, com avanços e recuos, e sem fim à vista.
3- Isto é, as duas crises vividas nestes últimos dez anos, têm o seu quinhão no decréscimo da população residente, mas há outros factores que têm de entrar na equação, como a evolução dos nascimentos, a percentagem com que contribuem ou contribuíram para compensar as mortes geradas, o número de estudantes e os profissionais que estão ausentes sem residência própria e os emigrantes que saíram dos Açores nesta década.
4- No que respeita aos Açores, entre 1981 e 2018 a taxa de natalidade teve uma quebra de 54,7%. Entre os anos de 2014 e 2018, houve uma contenção no declínio dos nascimentos em todo o país, registando-se nesse período de quatro anos um aumento de 5.6% de nascimentos, enquanto nos Açores, continuaram a decrescer os nascimentos.
5- Apesar de todas as considerações que devem entrar na equação final que determine as razões do decréscimo da população, a verdade é que estamos confrontados com um problema que tem décadas, e para o qual tem de haver políticas consistentes dirigidas às famílias, que são a chave para garantir o aumento da população residente.
6- Depois é preciso injectar jovens nas Ilhas que estão a envelhecer e por isso sem condições para aumentar a sua população. Este problema não se resolve a partir da transição digital e da transição energética.
7- Resolve-se sim com a aposta no ensino e na formação profissional especializada, na inovação da agricultura e dos recursos do mar, na reindustrialização com enfoque na área tecnológica e na agro-indústria, no aproveitamento da terra inculta, combatendo-se dessa forma a desertificação das Ilhas mais pequenas.
8- Para isso são necessários estímulos ao investimento que devem ser considerados no próximo quadro de apoio da União Europeia de 2023 a 2027. Temos o exemplo da Madalena no Pico, que deve servir de estímulo para a dinamização da agricultura.
9- Enquanto nos preocupamos com as pessoas, os milionários que se sentem donos do mundo divertem-se gastando milhões de euros e poluindo o planeta com os foguetões que fabricam à laia de brinquedos, para em dez minutos espreitarem a Terra do alto do espaço, quiçá para perceberem o que dela ainda podem extorquir de modo a aumentar a riqueza que têm, bafejados pela sorte de não pagarem impostos, como é obrigado a fazê-lo o comum do cidadão.  
10- Não há maneira da ONU e os governos traçarem uma política de distribuição de riqueza que englobe os empórios internacionais de modo a contribuírem para que os pobres se tornem menos pobres.
11- Pobres continuam aqueles que viram as suas poupanças serem devoradas pelos bancos que faliram ou foram recomprados como aconteceu com o BES e BANIF. A Assembleia da República aprovou o último Relatório da comissão que dissecou todas as trafulhices que levaram à falência do BES e aos problemas que se sucederam na gestão do Novo Banco.
12- Pelas conclusões, tanto andou mal o governo de Passos Coelho quando aceitou a Resolução do BES tal como ela foi concebida pelo Banco de Portugal e pelo BCE, como mal ficou o governo de António Costa pela forma como vendeu depois o NB ao Fundo Lon Star. Quem continua aflito são os que viram as suas poupanças arderem de um momento para o outro, e continuam a esperar que sejam cumpridas as promessas dos governos.   

Américo Natalino Viveiros

 

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Categorias: Editorial

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