10 de agosto de 2021

Opinião - Do meu olhar

Nótulas de Verão

1. Estas são as Nótulas do Verão, que já vai a meio, em comentários que vou procurar que sejam curtos e claros, relacionados com a nossa vida quotidiana porque, em nossa opinião, já não há paciência para ler textos compridos e enfadonhos.

2. Boa notícia foi aquela da colocação, pela Câmara de Ponta Delgada,  de painéis de informação nalguns sítios de relevante interesse turístico, uma iniciativa que merece realce porque a falta de informação encrenca quem visita a nossa ilha, sejam os residentes, sejam os visitantes que se deliciam com as maravilhas da natureza, das mais exóticas do mundo,  segundo publicações internacionais que assim as classificam. Mas falta ainda um imenso trabalho que a Câmara já tem projetado, principalmente no centro urbano, onde se situam os mais relevantes edifícios do nosso património, jardins e outros sítios de interesse histórico e cultural. Uma boa iniciativa e um investimento que é mesmo prioritário, que não nos temos cansado de referir e realçar noutros apontamentos.

3. Todas as ilhas têm uma orla marítima atrativa, mas a que menos beneficia com isso é São Miguel, não apenas por ser a maior, mas sobretudo porque há concelhos onde a costa é alta e escarpada e também por falta de investimentos nesta área, passados que são  45 anos da Autonomia que possibilitou a realização de grandes obras e de vultuosos investimentos considerados de primeira prioridade. No Pico o mar beija a terra em todo o seu redor, constituindo, por isso, um inegável fator atrativo para todos. A Terceira possui excelentes piscinas e zonas balneares em quase toda a parte e até São Jorge foi bafejado com magníficas Fajãs. Por exemplo, os Mosteiros, na ponta poente da nossa  ilha,  oferecem um manancial de orla marítima desaproveitada, o mesmo acontecendo com a Ribeira Grande e Lagoa, que felizmente já iniciaram bons investimentos, faltando referir as zonas do Pópulo e das Milícias praticamente abandonadas à sua sorte e que em grande parte pertencem  à  área do Governo, um assunto que não se resolve, antes se agrava, com a construção de monstruosos hotéis. Mas é preciso não esquecer o concelho do Nordeste, que é aquele com os acessos ao mar mais difíceis e complicados e que , sem delongas, requerem um avultado investimento.

4. A torre da Igreja  Matriz de Ponta Delgada, onde no século passado foi colocado um relógio e um cata-vento, que são um verdadeiro ex-líbris da maior cidade dos Açores, tem as suas obras paradas e o verão está a caminhar fogosamente  para o seu término e o inadiável reforço estrutural da torre, do relógio e do cata-vento, da responsabilidade da Edilidade, não há maneira de recomeçar. Será que os técnicos que estudam a revisão do projeto estão de férias ? Ou há ainda outras complicações? A cidade não pode esperar mais!

5. As Marinas de Ponta Delgada têm sido votadas ao esquecimento e não têm surgido iniciativas para conservar o existente nem para requalificar aquela importante zona da cidade virada para o mar.
Parecem  entregues a si mesmas  cada uma das marinas, com pavimentos degradados e estruturas danificadas,  apesar de agora se falar em recuperação do espaço,  principalmente o que liga ao Clube Naval.
Aqueles espaços nobres de Ponta Delgada merecem maior atenção do Governo e da Câmara, em conjunto, num esforço articulado,  com nova e dinâmica administração, no interesse da cidade e dos seus cidadãos.

6. Os novos quiosques que o Município está a ultimar na cidade vêm embelezar e dar vida à capital dos Açores (sim, já se sabe que não há capital, só há do património, do mar e do turismo!). Bem enquadrados, elegantes e de cores bem escolhidas,  fazem a diferença nos locais onde foram instalados  e vão proporcionar um novo serviço e um bom ambiente à cidade. Aguarda-se o seu pleno funcionamento.

7.  Percorri hoje, domingo, o conhecido e afamado troço da Tronqueira, afamado principalmente por causa do Rali. Está completamente votado ao abandono, com pavimento em cascalho vermelho com inúmeras covas, com grandes e fundas valetas a atravessarem a estrada, fazendo as vezes de escoamento de águas que deveria ser em tubagem apropriada, uma situação  que impossibilita o trânsito de viaturas pequenas. Tenho fotos que comprovam  tudo isso; julgo até que não deveria ser permitida a circulação de viaturas ligeiras, mas os dirigentes e chefes é que sabem tudo!  Os Serviços Florestais são os grandes responsáveis de tamanha incúria e há que chamar-lhes à responsabilidade.
As bermas não são roçadas há meses, e até as criptomérias quase tocam  umas nas outras. Tive pena de um casal francês que circulava atrás de nós, ainda antes do pior troço! Façam menos obras novas e conservem bem as que  já existem!
    
Espigão, Nordestinho,
verão de 2021

 

Eduardo de Medeiros

 

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