5 de setembro de 2021

Recados com amor...

Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço, calhetense de gema, esta semana ficou muito triste quando soube que tinha sido abatida a centenária árvore nolina da Rua Nova da Misericórdia que se via imponente e bela principalmente em tempo de floração. E logo no dia seguinte leu no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio a explicação da Câmara Municipal com fotos a demonstrar que a dita cuja estava mesmo doente e em perigo de tombar quando menos se esperasse. O que a minha prima não compreende é todo o alarde que agora virou moda por tudo e por nada, em vez de primeiro se tentar saber o que se passa. Eu sei que da parte das entidades deve haver cuidado e rapidez nas informações, mas às vezes a pressa é inimiga da perfeição. Aos que logo julgam e aproveitam para deitar culpas até ao tempo dos afonsinos, será bom perguntar o que diriam se a dita cuja caísse e causasse prejuízos materiais, ou, pior, humanos… E aos que dizem que ela morreu por não ter sido cuidada, se calhar deviam escrever um manual sobre como se arranja forma de estar dentro ou na raiz de cada árvore… Defender, sim, mas sem fanatismos…


Ricos! Se São Pedro der uma ajudinha no tempo no dia de hoje, sempre quero sair daqui da minha rua Gonçalo Bezerra para dar um saltinho e ir com a minha sobrinha-neta à Feira das Traquitanas que hoje reabre ao primeiro Domingo de cada mês, depois de mais de um ano encerrada. E bem bom que parece que o bicho está a dar alguns tréguas… que até os Açores, já foram considerados de baixo risco, mesmo a nível internacional…. O que eu queria agora é que lá para os lados das terras do Tio Sam alguém visse isto porque não cabe na cabeça de ninguém que os aviões andem para aí cheios de americanos e açorianos emigrados que nos vêm visitar, e muito bem, e a gente aqui não consiga sair para ir visitar os nossos lá para os lados dos States. Há tanta gente inquieta para fazer a sua viagem, algumas já pagas há mais de ano e que não consegue, enquanto os aviões andam cheios de lá para cá… Ou seja, se calhar ainda pensam que bicho só pega em residentes e não nos turistas que chegam…


Meus queridos! Telefonou-me a minha prima Maria do Pico para me contar que as coisas por lá andam azedinhas porque já se fala na localização da nova fábrica de conservas que vai ser construída na ilha Montanha e a localização, qualquer uma que se possa apontar, tem um monte de defeitos. O projecto ainda não foi apresentado, mas o lugar não presta, o lugar mata um parque natural, a água na zona é pouca, há por ali turismo de habitação que não vai suportar os cheiros, ainda não pensaram na ETAR e os caminhos vão ficar enjoando com os camiões a transportar o peixe… E que tal, diz a minha prima, fazer a fábrica numa plataforma no mar, ou escolher outro concelho? Está difícil ser regedor duma terra assim…
Ricos! E já que estou a falar da ilha Montanha que ainda na passada semana bateu todos os recordes de chegadas e partidas de aviões num só dia e que cada vez mais é requisitada como ilha de turismo e bem receber, quero dizer que muito gostei da foto que me mandou uma amiga de peito que gosta muito dos meus recadinhos e em que aparece o edifício da delegação da Assembleia Regional na vila-quase cidade da Madalena, todo arranjadinho e pintadinho. O que espanta quem por lá passa é como alguém vai conseguir içar as bandeiras nacional, regional e europeia, naqueles mastros, pois onde foram colocados, nem de escadote se consegue lá chegar e das janelas é impossível fazer a cerimónia de içar e arrear… Diz a minha amiga que vai estar atenta para ver quem será o equilibrista ou contorcionista… quando houver verba para a guita, pois que até agora só lá estão os mastros…


Ricos! Um dia destes fui com a minha sobrinha-neta ver como estava o mar e o movimento lá para os lados dos Poços de São Vicente que cada vez mais atraem dezenas e dezenas de banhistas, … os habitués e os visitantes… que ali se deslumbram, na fronteira entre Capelas e São Vicente… Nesse dia lá me encontrei com a minha prima Maria das Capelas que tem uma predilecção especial por aquela zona, e ela sempre atenta ao que à sua volta se passa, chamou-me a atenção para o facto de há muito tempo, aqueles que se banhavam no lado da rampa e mar aberto do porto de São Vicente, tinham de ir tomar duche às Capelas. Mas agora e como o mês de Agosto até deu para mar manso e ausência de limos na rampa do porto, os banhistas preferem a zona de São Vicente em vez das piscinas naturais das Capelas… que é onde estão os nadadores salvadores, que agora ficam a vigiar a água quase sem banhistas… Como diz a minha prima… o mar é que manda e não as fronteiras terrestres…


Meus queridos! Fiquei para Deus me levar quando li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que afinal todo o pilim que se gastou e gasta na vigilância das pescas e dos mares através de sistemas electrónicos, não serve para coisa nenhuma, pois que os pescadores clandestinos e ilegais podem estar à vontade nas zonas proibidas, porque as imagens captadas pelas câmaras de vigilância não servem de prova e os tribunais só aceitam casos de flagrante delito, o que no mar é sempre muito difícil, pois só por azar alguém se deixa apanhar quando vê embarcação ao longe… É o que faz não ter leis que acompanhem a tecnologia que se vende todos os dias como o melhor que há…. E depois ainda se ficam a rir… Mas é o que temos!


Ricos! Nunca fui mulher de criticar por criticar, nem de andar com fita métrica em tempo de eleições para dizer e escrever sobre o tamanho das ervas nas bermas das estradas. Mas nestes soalheiros e abafados meses tenho dado umas voltas com a minha sobrinha-neta e com as minhas amigas de peito e o que posso dizer é que, pelo menos neste Verão, e salvo algumas raras excepções, as nossas estradas, tanto as do Governo como as das Câmaras, em termos de limpeza e alindamento são já uma batalha perdida. A gente vai vendo um grupinho aqui e outro ali, a roçar a passo de caracol, mas nada, mesmo nada parecido com o que acontecia há anos, com essas estradas a parecerem verdadeiros jardins. E com tanto programa ocupacional não se entende como se chegou a isto que agora vai ser muito mais difícil. As ervas e arbustos crescem e até se tornam “senhoras acácias” que depois é uma dor d’alma cortar… e lá ficam a incomodar residentes e passantes…


Ricos! A minha prima Teresinha é candidata como independente lá na terra dela para fazer parte da Assembleia de freguesia. Quando preencheu o documento da candidatura, lá tinha um lugar para colocar o seu mail e o contacto telefónico o que ela achou natural e até lógico. Mas o que ela não entende é que, de repente, o partido por onde ela se candidata como independente se aproveite do contacto que ela indicou e lhe encha o telelé e o mail de toda a espécie de comunicações e de propaganda a toda a hora e a todo o momento. Para que quer ela toda aquela informação se não faz parte de partido nenhum e se nem deu autorização para tal? Como ela diz, é um abuso de quem não respeita a privacidade alheia… Doutra vez, e se calhar, nem como independente se disponibilizará para participar num acto cívico!...


Ricos: Já lá vai a festa em honra do Senhor da Pedra, que costumava levar à antiga capital da ilha inúmeros forasteiros, numa manifestação religiosa das mais importantes de S. Miguel e que o povo aproveitava para comprar a louça de barro e visitar as olarias. A RTP 1 transmitiu a eucaristia solene logo pela manhã, para todo o país, missa presidida pelo Cónego Adriano Borges. A minha comadre Amelinha telefonou-me não por ter visto o Presidente José Manuel Bolieiro na missa, mas pelo facto dos 5 sacerdotes presentes terem a particularidade de todos serem oriundos da Ribeirinha, aqui da minha cidade norte. Para além do Cónego e dos seus 2 irmãos Paulo e José, concelebraram a cerimónia religiosa, o Pe. Nuno Sousa, ordenado o ano passado e o Pe. João Cabral que exerce o seu múnus na área de Ontário, Canadá, e que agora vive umas temporadas em Vila Franca, na conhecida casa aristocrática das famosas tertúlias da “Fonte Milagrosa”, onde imperava mormente Teotónio Machado de Andrade e Armando Cortes-Rodrigues. Amelinha sempre atenta a estes pormenores, ficou entusiasmada ao contar-me esta coincidência e fez uma prece ao Senhor da Pedra para que para o ano se possa realizar a emotiva cerimónia da mudança da imagem no sábado à noite e a tradicional procissão solene percorrendo as principais artérias da Vila.
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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