12 de setembro de 2021

Recados com Amor...

Meus Queridos! Na semana passada disse que não podia falar sobre as comemorações que assinalaram os 45 anos do arranque da Autonomia dos Açores com a abertura da primeira sessão da Assembleia Regional porque tinha de entregar os meus recadinhos no Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio até ao meio dia de Sábado, altura em que decorria ainda a Sessão solene na cidade da Horta. Prometi então falar hoje das festividades que foram viradas para os políticos, deixando de fora o povo para quem devia ter sido guardado uns tantos lugares nas galerias do Parlamento… Foi pena! Depois, a minha prima Maria dos Flamengos que não teve acesso à Assembleia Regional, mas seguiu o desenrolar das cerimónias pela RTP/Açores, que fez uma bela cobertura, e telefonou-me para falarmos sobre o que se havia passado naquelas duas horas e pico de sessão… Maria dos Flamengos diz que gostou do tom dos discursos, mas falou-se muito do passado e pouco do futuro, a não ser aquilo que os partidos pretendem ver revisto na Constituição e no Estatuto…. Maria dos Flamengos diz que faltaram propostas concretas dos partidos para responderem aos desafios que se colocam à saúde, à educação e à economia… O povo ficou sem saber as linhas com que se vai cozer… O I Governo dos Açores também fez os 45 anos da sua posse, e foi pena que não tivessem aproveitado a ocasião para memorizar o ponto de partida e a chegada aos 45 anos, que devia servir de História para os que não têm memória!


Meus Queridos! A minha comadre Engrácia resolveu juntar na sua casa três amigas para um chá… apenas três e quatro com ela, de modo a respeitar as recomendações das entidades de saúde ainda em vigor, mas a caminho da normalização da vida colectiva. No meio de um chá de alecrim e de Maria Luísa com uns biscoitos de orelha e bolo de cenoura, lá se foi falando um pouco de tudo, e encalhando a conversa na falta de pessoal para trabalhar em várias áreas, desde a construção civil aos canalizadores e electricistas e acabando na prestação de serviços domésticos. A propósito destes… Engrácia disse que nos Açores se devia aplicar às pessoas que recebem o RSI aquilo que o Governo dinamarquês vai aplicar aos imigrantes…. Impondo empregos a tempo inteiro – pelo menos 37 horas por semana – para poderem ter acesso aos benefícios do sistema social do país. A conversa depois alargou-se para outras paragens, mas todas concordaram que essa é a forma de reduzir o ócio que por aí vai, e talvez até seria uma maneira de combater a toxicodependência que alastra a olhos vistos, e uma maneira de equilibrar os direitos com deveres!....

Ricos: Muito me diverti com os debates que a RTP/Açores promoveu com os candidatos autárquicos, com tanta promessa que eu não sei onde se irá arranjar pilim para as concretizar. Felizmente vimos muito talento e outros nem tanto, mas que democraticamente têm o direito de se lançarem no combate político, em prol daquilo que gostariam de ver realizado nas freguesias e concelhos. Entretanto, a minha prima Ernestina, veio passar o serão a minha casa, aqui na Rua Gonçalo Bezerra, e tomar um chá de poejo para ajudar a combater a gripe e evitar a constipação nesta mudança de estação, no dia do debate dos candidatos à Câmara Municipal da minha cidade norte, e ficou para Deus a levar quando ouviu o representante do Chega, Fernando Mota, falar na dívida das 500 casas que foram construídas no tempo em que o PS esteve à frente dos destinos do município e que ainda não foram pagas, fazendo com que a charmosa candidata Lurdes Alfinete viesse à liça clarificar que o PS só construiu 150 casas e que as restantes foram do longínquo tempo em que era Presidente António Pedro Costa. Ernestina, que não deixa passar nada em branco, ficou furiosa e virou-se para o ecrã da televisão, perguntando: então há anos que aquelas casas foram construídas ao abrigo dos apoios do Instituto Nacional de Habitação e ainda não foram pagos os 15% que era parte que cabia à Câmara? Ernestina prometeu que logo que se realize a próxima Assembleia Municipal da Ribeira Grande após eleições, vai tirar a limpo o caso e quer saber porque é que passados esses anos todos a Câmara não resolveu essa pendência … se é que ela existe! …. É que se há dinheiro alegrar o povo… também não deve faltar para honrar os compromissos!

Meus queridos! Já só faltam 15 dias para as eleições das autarquias e durante estas duas semanas todos os candidatos vão dar tudo para convencer os eleitores, e esta é a verdadeira festa da democracia, porque aqui, mais do que em quaisquer outras eleições, as pessoas sabem e conhecem quem vão eleger, e mais do que partidos há pessoas e equipas que todos conhecem e assim sabem melhor o que devem escolher. O mais difícil é convencer os eleitores que devem mesmo ir votar, porque a abstenção continua a ser um fantasma que deveria ir morrendo com o tempo e com o esforço de cada um dos protagonistas. Para quem seguiu os debates que agora terminaram na RTP/Açores, fácil é ver que muitos na ânsia de prometer, confundem o que são competências das autarquias e as que são dos Governos, quer Regional, quer da República… E também há os que, em vez de falarem dos seus concelhos, não resistem em falar dos outros concelhos e de outras ilhas, não resistindo à tentação do bairrismo, que deve ser esconjurado por quem gosta verdadeiramente dos Açores. Mas, à parte de tudo isto, cá vou eu estar aqui na minha Rua Gonçalo Bezerra, atenta à campanha, para, depois das eleições, a ela voltar aqui nos meus recadinhos, porque o tempo agora é de ouvir…

Ricos! Claro que isto não tem nada a ver, nem a haver com as eleições, mas o primeiro- Costa lá deixou fugir que quer rever os escalões do IRS para 2022, fazendo poupar uns trocos a mais de um milhão de famílias do segundo e do terceiro escalão que só vão ver a diferença do pilim lá para o ano 2023, quando for o acerto das contas referente a 2022. E também já se fala no aumento do salário mínimo que, sendo bom em si, está a deixar outros milhares de trabalhadores de cabelos em pé, pois que por este andar, todo o país daqui a dias vai estar a ganhar o ordenado mínimo, e quem se esforçou a estudar e a formar-se vê que isto não vale a pena, porque afinal há uma igualização de salários que é puramente desestimulante. E isto para não falar nos reformados que trabalharam uma vida inteirinha… que descontaram forte e feio, eles e as suas entidades patronais, e que agora não têm um aumento de reforma há um poderio de anos e quase que já são ultrapassados por quem nunca descontou um cêntimo… para receber uma reforma… Esta é uma injustiça social para a qual ninguém olha e até são capazes de apedrejar quem tenta dizer que estão apenas estimulando a falta de competência e de produtividade… Mas é o país que temos…

Meus queridos! E já que estou a falar de injustiças, e porque não ouço nenhum político tocar no assunto, sempre quero dizer que está em tempo de se repensar a questão da saúde pública e privada, naquilo que diz respeito aos doentes que são beneficiários do regime geral da Caixa, onde trabalhei tantos anos, ao balcão, aqui na minha cidade norte. Nos hospitais e centros de saúde há especialidades que pura e simplesmente não dão conta do recado, como são por exemplo os dentistas e oftalmologistas. Não há outra solução que não seja recorrer aos privados. Mas os reembolsos das despesas feitas são uma vergonhosa miséria e ainda por cima dependem da exibição do IRS para saber se a pessoa tem, ou não, direito ao dito reembolso. Na maioria dos casos, nem vale a pena ir receber porque nem dá para o frete da camioneta ou da “Bertinha”. E isto arrasta-se desde há anos, e não se entende que não haja ninguém, nem um deputado, que seja capaz de mexer no assunto. Se calhar é porque quem tem seguros e outros sistemas de saúde não faz ideia nenhuma do drama que é para muita gente tratar dos seus dentes ou dos seus olhos. Tenho uma amiga do peito que um dia destes vai mostrar umas contas…

Meus queridos! Muito gostei de ver, na edição de há duas semanas do Atlântico Expresso, a reportagem da jornalista Carla Dias sobre o iate “Cisne”, que foi protagonista da série televisiva “O barco e o sonho”, uma grande realização de Zeca Medeiros sobre o conto com o mesmo nome escrito por Manuel Ferreira, que durante muitos anos foi chefe de redacção do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio. Nas redes sociais e noutros espaços, muitas dezenas de pessoas fizeram questão de contar as suas aventuras a bordo daquele pequeno iate construído num anexo da velha fundição da Calheta e que viajou de São Miguel para várias ilhas dos Açores, e agora espera por alguém que o possa salvar... Como estamos em campanha eleitoral, tenho esperança que algum candidato seja capaz de olhar para aquela embarcação, seguindo o exemplo de outras ilhas que sabem aproveitar situações parecidas para enriquecer o seu património. Sei que em São Miguel tudo quanto seja musealização dá cá uma comichão terrível, tal como as velhas locomotivas, o património baleeiro e muito mais… Mas estou para ver se alguém se chega à frente para salvar o “Cisne”… e depois não venham com lágrimas de crocodilo… chorar quando o “cisne” for reduzido a cinzas!

Meus queridos! Já escrevi muitas vezes aqui nos meus recadinhos que a onda de defesa dos animais está a conhecer exageros que a gente até nem sonhava que pudessem existir. Depois de terem proposto o fim da caça, ou então que se caçassem com os cães açaimados, agora vem a proposta que está a assustar aqueles que gostam de passar um bocado de tempo livre no calhau ou na rocha apanhando uns peixinhos para consolar a família… Tudo isto pode ter os dias contados porque a senhora deputada Inês, do PAN, que disse com todas as letras que se devia acabar com a pesca desportiva, porque causa dor e sofrimento aos peixes… O que eu queria era entender é o que fazem os pescadores profissionais para pescar sem que o peixe sofra… Se calhar o engodo leva um anestésico que põe o dito cujo a dormir antes de ser pescado… Há cada uma!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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