19 de setembro de 2021

Do novo mundo à realidade

1 - Estamos perante um mundo novo que é inegavelmente de realizações, de evolução constante, de aprendizagem, mas ao mesmo tempo de enormes desafios que por um lado estimula a nossa caminhada mas, por outro, deixa enormes incertezas para o futuro.
2 - Neste novo mundo, como participantes activos, encontra-se o ser humano, a ciência, a tecnologia e o capital, que coordena todo o resto. Mas nesta equação o ser humano tem vindo a perder poder que sobra depois para os demais participantes, o que tem como consequência o desmando perceptível que grassa nas sociedades em geral, com impacto nos regimes políticos, com inegáveis prejuízos para o regime democrático, em benefício dos regimes autoritários que têm “a faca e o queijo na mão”, e só eles decidem o que fazer e como fazer, levando por isso vantagem relativamente aos regimes democráticos que governam em função do eleitor e não do povo em geral.
3 - Todos se queixam dos malefícios das redes sociais que se tornaram o “esgoto” das frustrações de uns e da vaidade de outros, sem que haja coragem para criar mecanismos de regulação de bom uso, como acontece com a Comunicação Social em geral.
4 - A China, que se prepara para comandar o mundo, e que é um dos campeões na tecnologia, de uma assentada, determinou um conjunto de novas regras para regulamentar a indústria de jogos electrónicos e online do país, e limitou a três horas semanais o tempo em que menores de idade podem passar jogando, em nome da protecção da saúde física e mental dos jovens chineses.
5 -  Outra medida decretada pelo governo chinês foi proibir as instituições financeiras de ter qualquer tipo de negócio envolvendo criptomoedas, alegando que o seu uso nas transacções “perturba a ordem financeira e também gera riscos de actividades criminosas”.
6 - Ora, enquanto que o Dragão Chinês tem em marcha um plano de defesa social e financeiro do seu país, a América e a Europa andam a brincar como  o “gato e o rato”, embalados pelas modernices que começam a fazer mossa .
7 - Na ordem do dia está o aumento do preço da electricidade ao consumidor, apontando-se como responsáveis o aumento do preço do gás natural e o aumento das licenças de emissão de dióxido de carbono.
8 - Ora, a Europa está dependente do gás natural da Rússia importado pela Alemanha através do pipeline que liga os dois países, assim como das licenças de emissão do dióxido de carbono que são uma mina para quem se dedica a tal negócio. Pelos vistos, um dos grandes negócios na Europa é o da compra e venda de energia eléctrica, que está nas mãos dos negociantes sem pátria, que controlam as várias cadeias de produção, e agora preparam-se em Portugal para ganhar milhões nos projectos que têm para construir centrais fotovoltaicas de grande dimensão, e eólicas em plataformas marítimas. Um verdadeiro negócio da China, que terá no fim da linha o consumidor, que é o eterno pagante da incúria dos responsáveis.
9 - Estas grandes questões dizem respeito também aos Açores e não as podemos descurar nem acreditar que elas se resolvem pelo diálogo e pela confiança entre o Estado e a Região, porque vezes sem conta temos visto que entre a promessa e o cumprimento da palavra dada, há um fosso abissal.
10 - Ainda agora se viu o que aconteceu com a promessa feita pela República para apoiar os custos dos estragos causados pelo furacão Lorenzo, em que dos 330 milhões de euros então prometidos pelo Primeiro-ministro António Costa, num instante ficaram reduzidos a 198 milhões. Onde está a palavra? Pelos vistos, anda pelas ruas da amargura.
11 - Em toda esta conjuntura que não é fácil, preocupa-nos que as atenções têm-se centrado no turismo, enquanto se constata uma apatia no tecido empresarial regional para discutir entre os seus pares, o futuro da economia dos Açores, discutindo o existente e encontrar formas de cooperação e projectos para a Região dar um salto na reindustrialização, que é a forma de mudar o modelo que não pode manter-se igual ao passado.
12 - Cuidado com as aves de arribação que andam por aí à caça dos estudos e projectos para uma realidade arquipelágica que não conhecem.

 

 

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Categorias: Editorial

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