21 de setembro de 2021

Opinião

Preso, Morto ou Vitória

Foram com estas palavras que o Presidente do Brasil Jair Bolsonaro brindou no passado dia 28 de Agosto, os líderes evangélicos, seus incondicionais apoiantes.
Quiçá não ficaram assim tão surpresos, dado que as declaração vinha dum enviado de Deus, ser providencial, que está resgatar o Povo brasileiro das “garras” do comunismo.
Excepção feita à República Popular da China e ao amigo Xi, porque sendo comunistas, são especiais.
Iríamos lá perder os negócios milionários que os grandes empresários brasileiros, apoiantes do Presidente, mantêm com os seus congéneres chineses, pese serem todos membros do comité central do partido comunista.
Acreditamos nos “poderes celestiais” do nosso Líder, mas não somos tolos, completam com algum mal disfarçado embaraço.
Bolsonaro veio mais tarde acrescentar que a opção ser preso estava fora de questão.
Ameaçando a Justiça brasileira, afirmava:
“Nenhum homem na Terra vai me ameaçar.”
O Brasil comemorou no passado dia 7 de Setembro 199 anos da sua independência.
Jair Bolsonaro aproveitou a efeméride para colocar na agenda, manifestações por todo o país, visando o Supremo Tribunal Federal e o Congresso, atropelando a Constituição e a separação de poderes, pilar de qualquer Democracia Liberal.
Procura o caos, para no seu lugar surgir ele próprio como o tal Libertador do Povo do jugo do perigo vermelho, instaurando uma ditadura.
Espera contar com o apoio de parte dos militares e de algumas forças de segurança, que já se comportam como uma milícia do Presidente.
 Geriu a pandemia de forma caótica, demitindo vários ministros, nomeadamente da saúde, substituindo-os por militares de carreira sem qualquer qualificação para o lugar, apenas por serem da sua confiança pessoal.
A situação económica degrada-se e o número de desempregados e de pobres não  pára  de crescer. Toda esta campanha montada por Bolsonaro e seus sequazes, não só nas ruas como nas redes sociais, plantando notícias falsas e teorias da conspiração, está relacionada com o temor que tem de vir a perder as próximas eleições presidenciais a realizar em 2022.
As sondagens colocam o seu rival Lula da Silva à frente nas intenções de voto.
Daí questionar o sistema do voto electrónico e lá vai antecipando não aceitar os resultados eleitorais, a não ser que seja ele o vencedor, entenda-se.
Jair Bolsonaro procura reeditar no Brasil a postura do seu ídolo Donald Trump.
Só que as instituições americanas são muito mais sólidas do que as brasileiras e conseguiram conter as veleidades não democráticas de Trump. Tal como Trump, Bolsonaro vitimiza-se.
Acusa Governadores estaduais, alguns, de seus apoiantes, passaram a seus críticos contundentes.
Elege a comunicação social como seus inimigos. Ameaça com a palavra forte “Chega”.
Está chegando a hora do Governo Federal ter uma acção mais contundente, ameaça.
A palavra chega, logo seguida de vergonha, corrupção, socialismo, comunismo, subsídio dependência, tudo malandragem, são recuperadas e voltam a ecoar para gáudio dos seus apaniguados.
É o populismo, conservador, retrógrado, racista, xenófobo, nacionalista e extremista de direita, no seu melhor.
Bolsonaro nas diversas arengas aos seus apoiantes repete até à exaustão que está a prever o caos e vai avisando:
“O momento está chegando, estão preparados?”
Os seguidores montam arraiais nas zonas limítrofes ao Palácio da Alvorada. Com a complacência das forças de segurança não arredam pé.
 Respondem ao líder supremo em uníssono e como se em “parada militar” estivessem, batem os calcanhares e perfilados bradam “Sim, Chefe!”.
O antigo capitão do exército, do qual foi expulso, agora feito Presidente colocado perante a questão, se não estaria a sugerir a implementação do estado de sítio no país, instrumento que só pode ser utilizado pelo executivo com autorização do Congresso Nacional em casos excepcionais previstos na Constituição, negou tal pretensão.
Saliente-se que tal negação foi feita perante o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, que por estes dias tem tido palavras muito fortes para com o candidato a Ditador, que tudo está fazendo para o conseguir.
Mesmo que para isso tenha de recorrer a um golpe de estado, com consequências imprevisíveis para o povo brasileiro, já a contas com as consequências da crise da pandemia.
É o regresso de “velhos demónios” que a pretexto de combaterem o “inferno” só vêm acrescentar mais ódio, medo, guerra e destruição de milhões de vidas inocentes.
Estar-se-á a tempo de evitar mais um hecatombe, provocada por um populista desequilibrado?
Que os moderados do movimento social – democrata e de todas as outras forças políticas que se revêem nos valores duma Democracia liberal moderna e com convictas preocupações sociais, assumem a liderança de resgatar o Brasil dos extremismos populistas, que como já se provou no passado, só trazem o caos e a miséria.
Haja esperança e confiança que sim!

 

António Benjamim

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