21 de setembro de 2021

Opinião

Alavancar a economia da Região

Já lá vai o tempo em que os Açores, em termos alimentares, quase se bastavam a si mesmos. Isto porque não havia o hábito de se querer produtos fora de época, não só por serem muito caros para a maioria das bolsas, como também, por falta de equipamentos para os transportar.
Em termos industriais e só para falar de S. Miguel, produzia-se açúcar, álcool, óleos alimentares, sabão, conservas, lacticínios, tabaco, chá, farinhas, bolachas e, provavelmente, mais alguma actividade que, neste momento, não me recordo.
Algumas daquelas indústrias desapareceram, em nome do progresso e da melhoria das condições de vida na Região, tendo-se passado a importar produtos agrícolas, por vezes até, para nossa vergonha, salsa e alhos.
Por outras palavras, a actividade agrícola propriamente dita quase que desapareceu, porque se optou por não mecanizar o cultivo da terra, mas sim, transformar as chamadas terras de pão em pastagens.
Todavia, outras actividades surgiram – o turismo, por exemplo!
Agora, que a pandemia parece começar a dar tréguas, julgo estar mais do que na hora de se começar a ajudar a retoma da nossa economia. Não com medidas pontuais para este ou aquele sector, mas sim para a generalidade das várias actividades económicas em presença.
Raramente abordo este tema porque, não sou economista, nem perito em finanças, mas sim um ex-comerciante que sempre teve os pés assentes na terra. Não me dei nada mal com isso.
Porém, o que observo nas ajudas do governo às várias empresas da região é, tão só, derramar dinheiro sobre os problemas, e não, ajudar a resolvê-los de uma vez por todas de modo a que, no final do ano, em vez de prejuízo, passem a apresentar lucro.
Exemplificando, devo dizer que, apesar do dinheiro “derramado” sobre a agro-pecuária (largos milhões de euros) e tomando como certas as declarações do Presidente da respectiva Federação, senhor Jorge Rita,  aquela medida parece não ter surtido o efeito desejado. Os problemas de fundo continuam por resolver, porque as soluções encontradas só têm adiado os ditos. Ainda segundo Jorge Rita, a industrialização e a comercialização dos produtos lácteos  (leia-se as fábricas) não se têm esforçado na criação de novos produtos.
No que concerne à nóvel (e volátil) actividade turística, onde se engloba o alojamento, a restauração, o entretenimento, os transportes (aéreos, marítimos e terrestres) também segundo  as declarações dos responsáveis pelo sector, sempre vão recebendo umas “migalhas” mas, aquilo que recebem, não dá para repor, nem metade, dos prejuízos sofridos.
Por falar em transportes, há quem se queixe que o preço dos combustíveis para a actividade comercial de transportes rodoviários deveria ser bonificado, tal como acontece com a agro-pecuária e as pescas.
Em minha opinião, que vale o que vale, e atendendo a que vivemos num país de “desenrascados” e de “desenrascanços” não vejo como tal medida possa vir a ser uma realidade porque seria muitíssimo difícil de controlar o que seria gasto na actividade comercial.
Por outro lado, não há dúvida que as actividades comerciais e industriais da região necessitam de apoio financeiro para poderem regressar ao que eram antes de dezembro de 2019. Porém, há que haver por parte do governo uma apertadíssima fiscalização na aplicação dos fundos públicos entregues. Não se pode, nem se deve, entregar envelopes financeiros como se fossem gratificações.
Há que criar legislação própria regional para esta matéria. Não nos podemos escudar (desculpar, digo eu) na legislação nacional para pôr em prática medidas específicas de apoio ao nosso  comércio e indústria. A autonomia tem de funcionar em pleno nestas matérias.
A menos que se prefira não passar da cepa torta!
P.S. 1 – No passado domingo, na RTP/A, falou-se da Semana de Estudos e houve quem dissesse que era inconcebível pedir licença a Lisboa para se comprar uma caneta. Sei que a linguagem era metafórica, mas dá para perceber que já estão “abrindo a pestana” sobre a autonomia que presentemente temos. Tarde é o que nunca chega!

P.S. 2 - Texto escrito pela antiga grafia.

 

Carlos Rezendes Cabral

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