Aplicações Android e iOS que dão temperatura da água das piscinas naturais da Ferraria tiveram17 mil visualizações até Agosto

 Até ao final do mês de Agosto deste ano 17 mil utilizadores acederam às duas aplicações Android e iOS para saberem se, naquele momento, a água da piscina natural da Ferraria estava quente e um total de 8.500 utilizadores instalaram a aplicação.
A aplicação para Android foi lançada em Março de 2016 e para iOS em Junho de 2017 foi operacionalizada por Oleksandr Kruk, de origem ucraniana que, chegado à ilha de São Miguel com 11 anos de idade, cedo se apaixonou pela Ferraria.
A aplicação para Android está disponível desde o lançamento em 2016 e sempre teve utilizadores activos, mesmo durante a pandemia.
No mês de Julho passado teve 320 utilizadores activos, os quais, no total, acederam à aplicação pouco mais de 1.100 vezes.
No mês de Agosto houve 360 utilizadores activos que, no total, acederam à aplicação por volta de 1.400 vezes.
Foi em Agosto de 2019 que se registou o pico de observações, ultrapassando os 500 activos.
Como desde que foi decretada a pandemia pelo novo coronavírus o número de utilizadores diários decresceu para menos de cinco, foi suspensa a aplicação de iOS.
Neste momento Oleksandr Kruk paga por um serviço de previsão de marés e dentro de meses começa a pagar por um serviço de meteorologia, que, segundo diz, “não é caro, mas está por sua conta”.
Oleksandr planeia reactivar a aplicação para medição da temperatura da piscina da Ferraria para iOS e cobrar um valor simbólico para ajudar a pagar a tal licença de 100 euros, mais o serviço de marés e meteorologia.
A aplicação para Android provavelmente permanecerá gratuita.

Recebem mensagem de turistas

Para além das aplicação móvel, Maryana gere uma página no Facebook ligada à aplicação (https://www.facebook.com/FerrariaHotSprings). Recebem mensagens privadas de turistas a perguntarem pelas horas de água quente. Respondem sempre, seja de noite ou aos fins de semana, só para que as pessoas consigam aproveitar aquele espaço na plenitude.
 Há a percepção de que as pessoas confundem a página particular com se fosse oficial da Ferraria (como não existe nada oficial), porque chegaram a perguntar, por exemplo, por quanto tempo iam demorar as obras na estrada de acesso à Ferraria, entre outras questões.
Os dados concretos recolhidos junto do promotor das aplicações confirmam o que se vem sabendo através de dos diálogos que se vão estabelecendo.
O facto é que a aplicação funciona, tem grande interesse e divulgação, mas “não tem revelado interesse quer dos organismos governamentais de outrora e de agora, nem da Junta de Freguesia dos Ginetes”.
Os seus promotores acreditam que “se surgisse uma proposta de uma empresa, envolvendo milhares de euros, possivelmente a atenção seria outra. Como foi oferecida, havendo apenas custos associados de manutenção e sem grande monta, foi desprezada”.
Fica a noção, entre as nossas fontes de informação que acompanham este processo, que “há uma gritante falta de visão de algumas das pessoas que estão a dirigir os departamentos governamentais, autárquicos e de promoção dos Açores. Não pensam à frente. A visão não ultrapassa as fronteiras de cada ilha”.
Entendem que se devia “promover a aplicação nos canais próprios, agora com a facilidade de usar o meio poderoso das redes sociais; instalar em locais da zona da Ferraria o endereço da “Ferraria Hot Springs”; suportar os custos, que são mínimos, no aproveitamento de um trabalho que custa milhares de euros, não é pedir muito”.
Alguns dos nossos informadores estão atentos “aos desenvolvimentos” que vai ter o interesse público sobre estas aplicações “e verificar se os responsáveis públicos por estes domínios dão o passo determinante para diminuir drasticamente as dúvidas que existem sobre o horário da temperatura da água do mar na Ferraria”.

Como funciona?

Nos momentos de lazer, juntamente com a irmã Maryana, designer gráfica, o engenheiro informático Oleksandr Kruk , de uma importante empresa sedeada em Londres, debruçou-se na construção de uma aplicação para Android que fornecesse a todos os visitantes interessados os horários da água quente na Ferraria.
“A “Ferraria Hot Springs” é uma aplicação nativa do sistema operativo móvel Android. Para poder fazer os cálculos dos intervalos de horas em que a água está quente, a aplicação acede a um serviço online que fornece as tabelas das marés. A informação das marés é de seguida interpretada para poder extrair apenas as horas das marés baixas. Depois de extrair as horas das marés baixas, basta aplicar uma conta de subtrair, somar (2 horas em cada sentido) e obtém-se o intervalo em que existe grande probabilidade de a água estar a uma temperatura superior à temperatura média do mar.
 Para além das marés, “Ferraria Hot Springs” também faz uso de um serviço de meteorologia para buscar informação sobre o estado do tempo nos intervalos em que a água está quente e utiliza também o serviço de mapas da Google, Inc. para ajudar as pessoas a chegarem à Ponta da Ferraria”.
No arranque do projecto houve empenho do então Presidente da Junta de Freguesia dos Ginetes, João Paulo Medeiros, na promoção da Ferraria. Abriu as portas para os contactos de Oleksandr com o delegado do turismo na ilha de São Miguel.
A autarquia divulgou a aplicação em muitos grupos de Facebook e assumiu os 100 euros de custos anuais da licença de iOS em 2017. A partir daquela data tem sido Oleksandr a suportá-los.
Como Kruk aprendeu

Esta reportagem surgem em sequência a uma crónica do colaborador do Correio dos Açores, Alberto Ponte, onde aborda os contínuos problemas que assolam a zona balnear da Ferraria, na freguesia dos Ginetes.
A determinada altura fala da perplexidade de muitos visitantes por à hora em que se fizeram ao mar a água estava fria.
Ao relatar comentários de pessoas que se “sentiram enganadas por falta de conhecimento da forma como a fonte termal permite temperaturas da água acima dos 30 graus”, Alberto Ponte recorda que “há relativamente poucos anos sei que um jovem desenvolveu uma aplicação para telemóvel onde era possível recolher a informação sobre as horas em que existe água quente na Ferraria.
Não sei se tal ainda é possível aceder. Desconfio que não, pois sei que muita gente que nos visita, não sabendo da origem da água quente, pensando que se encontra disponível durante todo o dia, acaba por pensar que foi enganada e que tal não é mais que uma farsa.”
Oleksandr Kruk, em entrevista ao Correio dos Açores, publicada em Abril de 2016, justificou ter “aprendido com os locais da ilha que a água começava a aquecer duas horas antes da maré baixa e ficava fria (da temperatura do mar) aproximadamente duas horas depois da maré baixa”.

                                          

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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