Lima & Quental regista aumento de 80 % nas suas vendas em comparação com o ano passado

NoConcelho de Vila Franca do Campo, a Lima & Quental, fundada em 1946, estabeleceu-se como uma das mais importantes e reconhecidas empresas do sector vitivinícola nos Açores. Desde o vinho de cheiro, aos cremes, licores, aguardente e gin, a empresa, que apresenta uma variada gama de produtos, registou este ano uma quebra na vindima.
“A vindima acaba este Sábado e foi pior do que a do ano passado. Recebemos menos uvas e por isso mesmo, vamos ter menos vinho”, avança Liberal Lima, sócio-gerente da empresa.    
A diminuição na campanha deste ano é algo que preocupa este empresário que considera mesmo que “a tendência é para vir sempre a decrescer porque a despesa é muita e as pessoas acabam por arrancar as vinhas. Isso acontece mais na vinha de cheiro que é mais baixa e estendida enquanto nas castas europeia é espaldeira e por isso dá menos trabalho”. Liberal Lima admite que pode existir o risco da uva de cheiro sofrer uma grande redução “porque não existe qualquer tipo de subsídio para este tipo de vinha, ao contrário do que existe para as de casta europeia”.
A produção deste ano será de aproximadamente 90 pipas de 500 litros, um valor inferior às 100 pipas registadas no ano passado. A Lima & Quental recebe actualmente uvas de aproximadamente 50 produtores.
O denominado ‘mercado da saudade’ e muito concretamente, os Estados Unidos da América, continuam a ser uma aposta desta empresa que continua “com a exportação de 20 mil unidades de vinho e enviamos mais as box (caixas) do que garrafas (…) Temos lá um agente que recebe e depois distribui o nosso vinho”, explica Liberal Lima.
Depois de um ano em que a pandemia de Covid-19 condicionou e travou o ritmo do negócio, este empresário afirma categoricamente que o cenário, em 2021, mudou completamente de figura.
“Este ano as vendas foram melhores do que no ano passado, principalmente ao nível dos vinhos regionais que, em 2020, praticamente não se tinham vendido. Este ano já se estão a vender bem e falo principalmente dos vinhos do Pico. Quem consome mais este tipo de vinhos são os turistas que o ano passado foram muito poucos”, destaca antes de quantificar as diferenças registadas.
“Do ano passado para este aumentamos a venda de vinhos em 80%. O vinho esteve aí todo o parado e não comprei praticamente nada”, lembra.
Para além dos vinhos, a Lima & Quental também aposta forte na comercialização de outras bebidas como as aguardentes, licores ou gin. No caso desta última, é destacado o Rocha Negra, “o meu primeiro gin” e o Baleia Gin, produzido para o empreendimento turístico Solar Branco e que “nasce um pouco como irmão do nosso primeiro gin”.
Sobre as vendas deste produto, Liberal Lima considera que estas “têm corrido muito bem”, destacando que “não era hábito fabricar cá Gin apesar de existir muita gente a consumir (…) Construímos a fábrica de licores e, como não sabia como se produzia, fui ao Continente para me explicarem como se fazia”.
Luís Dias, colaborador da empresa, entra na conversa para explicar que a “produção de gin começou há 5 anos e até agora, em 2021, produzimos já 4 ou 5 mil litros. Como agora temos uma marca nova produzimos mais do que era habitual antes da pandemia”. Luís Dias conta que para além dos de produção própria, “também distribuímos outras marcas e começamos a perceber que as pessoas começavam a consumir gin de melhor qualidade do que acontecia há 10 anos atrás. Por isso, percebemos que havia a necessidade de produzir um gin de cá”. O colaborador explica que “o Baleia acaba por seu uma consequência da aprendizagem do Rocha Negra, apesar de serem gins diferentes”.
Os cremes, os licores e a aguardente são outras das apostas da Lima & Quental que, durante o ano passado e em plena época de pandemia, iniciou também a produção de álcool gel.
“Continuamos ainda com o álcool gel, mas em menos quantidade porque o consumo diminuiu. Talvez as pessoas estejam menos preocupadas e já utilizem menos. No ano passado vendemos mais”, afirma Liberal Lima.
Falando de mercados, o empresário revela que “temos mandado alguma coisa para a Alemanha (gin e licores) e, em princípio, surgirá um outro contacto na Holanda. As pessoas reconhecem a qualidade do gin e procuram produtos diferentes. Os licores, como são feitos com fruta, é uma questão um pouco mais cultural. Estamos habituados aqui nos Açores a beber os licores no Natal e outras regiões têm os seus próprios produtos, já nos gins ou na aguardente, as pessoas reconhecem o valor e já querem consumir aquelas marcas”.
Também no mercado de Portugal continental, principalmente em algumas grandes superfícies, “o licor de limão, de mel e o gin, são os que se vendem mais”. Nos Açores, os licores e o vinho de cheiro destacam-se como sendo os mais vendidos.
Olhando para o futuro, Luís Dias explica que “os desafios acabam por nascer um pouco como o que aconteceu com o Solar Branco. As pessoas desafiam-nos e, outras vezes, somos nós que percebemos que temos de desenvolver, alterar ou criar produtos de marca própria para outros clientes. Para já temos uma gama bastante grande”, realça.
A terminar, Liberal Lima afirma que “por agora não temos nada previsto para 2022”, admitindo, no entanto, que não fecha porta a novos projectos: “É capaz de nascer alguma coisa entretanto, vamos ver”.              
 

Luís Lobão

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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