Bancários vão manifestar-se contra encerramento sucessivo de balcões e entregar “manifesto de descontentamento” ao Secretário das Finanças

Os secretariados das Secções regionais dos Açores do Mais Sindicato (Ponta Delgada, Angra e Horta) vão entregar no dia 28 do corrente mês, pelas 16h30, uma comunicação (manifesto de desagrado) ao Secretário Regional das Fsinanças, Planeamento e Administração Pública, e com conhecimento ao Presidente do Governo dos Açores, Ggerente do Banco de Portugal (Delegação de Ponta Delgada) e aos presidentes das Câmaras Municipais de Ponta Delgada, Ribeira Grande, Povoação e Lagoa, e ao Presidente da UGT/Açores, “apelando ao desagrado para com as instituições que encerraram de “forma desumana, balcões em localidades que ficaram sem nenhum e que têm pressionado as trabalhadores a aceitarem de forma pouco ética, as RMA (Rescisões por Mútuo Acordo)”.
Meia hora antes, as secções regionais dos sindicatos vão manifestar-se junto à Secretaria das Finanças, em Ponta Delgada,  altura em que haverá intervenções dos sindicalistas contra o encerramento de balcões de várias instituições bancárias nos Açores. Ao que conseguimos apurar, em causa está o encerramento sistemático de agências bancárias, com o subsequente desemprego e deixando desprotegidos pequenos empresários e população daquelas localidades.
Tal como refere Afonso Quental, coordenador da Secção Regional de Ponta Delgada do Mais Sindicato, “esta situação é preocupante, pois faz com que aumente o desemprego na Região Autónoma dos Açores, sobrecarrega os orçamentos da Segurança Social e, ao mesmo tempo, cria grandes dificuldades a muitos bancários que ficam desprovidos dos seus empregos e rendimentos, que nalguns casos constituem, o único sustento da família.”
Recorde-se que em 2020, em plena pandemia, os bancos fecharam em Portugal 655 balcões, com a consequente saída de dois mil trabalhadores, conforme revelou o Banco de Portugal. Nos Açores, no mesmo ano também houve encerramento de portas de 8 agências bancárias e este ano, ainda vamos no terceiro trimestre, já encerraram seis balcões. No espaço de três anos deixaram a banca, com rescisões ou em pré-reforma, mais de 100 trabalhadores, após o encerramento de 21 balcões.
O encerramento de balcões na Região Autónoma dos Açores começou em 2018, com o fecho do balcão do Santander nas Furnas (Povoação) em Agosto de 2018. Em 2020, o mesmo banco fechou os balcões das freguesias de Água de Pau (Lagoa), Arrifes (Ponta Delgada), Maia (Ribeira Grande), Lajes e São Roque (Pico). Em 2021 fechou o balcão da Vila de  Rabo de Peixe (Ribeira Grande), Lago 2 de Março (Ponta Delgada) e o de Nordeste passou a abrir as portas apenas duas vezes por semana. A Caixa Económica de Angra do Heroísmo fechou o balcão em São Roque (Pico) o ano passado, assim como o fez o Millenium na Madalena (Pico) e na Praia da Vitória (Terceira). O Montepio também seguiu o mesmo caminho e encerrou os balcões de Maia, Lagoa e São Roque do Pico em Junho deste ano. Encerraram também os balcões da Calheta e hiper Solmar (ambos em Ponta Delgada). Já o BPI em Maio deste ano encerrou o seu balcão em São Gonçalo (Ponta Delgada), quando no ano anterior havia encerrado as portas das agências da Vila de Capelas (Ponta Delgada) e vila Franca do Campo.
O coordenador da Secção Regional de Ponta Delgada do Mais Sindicato  recentemente lembrou em declarações ao nosso jornal que quando foram encerrados os balcões de Furnas e Água de Pau foi dado o primeiro sinal de que ia haver “uma sangria” na banca açoriana, sendo de opinião de que tanto o Governo regional anterior, as autarquias e as juntas de freguesia deviam “ter posto as barbas de molho”, porque “quando a casa do meu vizinho está arder devemos acautelar com água para a nossa”.        

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