3 de outubro de 2021

Opinião

Um caso de sucesso...

Estamos a festejar o quadragésimo aniversário da elétrica açoriana, a maior empresa dos Açores, um caso de sucesso na nossa história recente, consequência direta da implementação em 1976 da autonomia regional, quatro décadas volvidas um percurso pleno de sucesso foi conseguido, uma ação notável de transformação na condução e gestão do sector energético regional, tornando-o coeso e estável, fatores determinantes para sua credibilização comercial como vetor de desenvolvimento económico e social!
Atualmente a EDA - Eletricidade dos Açores, S.A., é o melhor exemplo de empresa pública regional e a nossa maior conquista no tecido publico empresarial, analisando por exemplo, fatores como a estabilidade financeira e regularidade técnica, em ambos os casos com bom desempenho na gestão empresarial ao longo dos anos!
Longe vai o tempo das graves crises de abastecimento de energia elétrica às populações ao comércio e à indústria açorianos, fruto do abandono sistemático a que estiveram votadas as nossas ilhas durante o Estado Novo em quase todos os sectores da nossa vida, com especial incidência no elétrico que sobrevivia em estado de definhamento crónico em todas as ilhas! Na década de 80 o sector elétrico ,praticamente, existia devido à boa vontade de algumas câmaras municipais, de federações de municípios e também por empresas públicas e/ou privadas, quase todas elas passando por dificuldades técnicas e financeiras notórias.
A instabilidade nos mercados petrolíferos, decorridos da crise de 1973, conjuntamente com a continuidade da guerra colonial portuguesa muito ativa nos primeiros anos da década de 70 ajudaram a arruinar, por dívida acumulada, a maior empresa de eletricidade açoriana de então, a Empresa Insular de Eletricidade – EIE, que operava na maior ilha do arquipélago, São Miguel e em Santa Maria! A situação energética no todo do arquipélago, em 1981 era considerada grave, fase à ausência de produção e à excessiva procura que a sociedade e a economia, cada vez mais exigiam!
O terramoto ocorrido no grupo central em 1980 na Terceira, São Jorge e Graciosa, causou danos significativos nas redes elétricas, designadamente nas redes dos Serviços Municipalizados de Água e Eletricidade de Angra do Heroísmo, ajudaram a aumentar as dificuldades e a aprofundar a crise energética. Nas outras ilhas a situação não era melhor, as constantes insuficiências de produção de energia no Pico e no Faial requeriam avultados investimentos que as concessionárias locais não podiam concorrer!
As populações dispersas em São Jorge, Pico e Faial recorriam muitas vezes a pequenas centrais, chamadas comunitárias, geralmente montadas nos adros ou nas proximidades da igreja, de modo a iluminar as ruas, tudo muito insípido, sem planeamento regras ou normas básicas.
Os Açores passavam pela segunda grande crise energética da sua história, a primeira ocorrida em São Miguel no início da década de 60, foi só ultrapassada com a criação da Federação dos Municípios de São Miguel, quando finalmente se inaugurou o primeiro grande investimento realizado no sector elétrico nos Açores com a concretização da construção da Central Térmica de Ponta Delgada. Nesta primeira experiência sobressaiu a figura do distinto técnico Engenheiro Deodato Chaves de Magalhães Sousa, a quem coube a tarefa de liderar o processo de transição do sector energético regional para uma nova era, certo que só se solucionaria o problema criando-se uma solução empresarial de âmbito regional.
A ideia de uma empresa com esta dimensão recolhia a simpatia do Governo Regional dos Açores, através do Secretário Regional do Comércio e Indústria, Américo Natalino Viveiros, e da ideia à prática o tempo decorrido foi curto, eis que surge em o Decreto Legislativo Regional 16/80/A, de 21 de agosto que cria a Empresa de Eletricidade dos Açores, E.P., tendo sido convidado para a liderar o Eng.º Deodato Chaves de Magalhães Sousa.
Abre-se assim, um novo capítulo no sector elétrico regional, solucionando-se de imediato as principais prioridades do sector, ou seja, controlar a falta de produção em São Miguel com a construção da Central de Emergência dos Foros, na Ribeira Grande e o arranque de duas novas centrais térmicas base uma para São Miguel e outra para a Terceira, conhecidas como Caldeirão e Belo Jardim, equipamentos que foram inauguradas a 1987 e 1988 respetivamente. Coube à Administração de Américo Natalino Viveiros, entretanto empossado presidente da empresa, desde 1984 a gigantesca tarefa de solucionar, de uma vez por todas, a falta de produção de energia elétrica nas duas maiores ilhas açorianas e preparar as restantes para a sua definitiva regularização. Um desafio constante na busca de novas políticas que permitissem à EDA trilhar por caminhos mais renováveis, foi a tarefa empreendida, nas décadas que se seguiram, por quase todos os conselhos de administração, era imperioso vencer a aposta nas energias limpas designadamente da energia eólica e hídrica, mas e sobretudo na Geotermia!
O abanão empreendido pelo Professor Monteiro da Silva na empresa, aquando da criação do Grupo EDA, designadamente com o surgimento da GLOBALEDA, SEGMA e outras empresas, possibilitaram uma atenção maior à Geotermia através da SOGEO, não só em São Miguel, mas também na Terceira e a um incremento significativo no sector das energias hídricas impulsionando-se a atividade da EEG, Lda. A atividade da EDA chamou a atenção dos grandes grupos económicos portugueses e locais no início do novo século, e o apetite privado pela empresa manifestou-se através da EDP e do Grupo Bensaude, quando ambos adquiriram 39% da empresa. Hoje, volvidos todos estes anos de avanços e recuos, a tarefa continua a ser exigente, para as gerações vindouras, urge continuar a apostar nas energias limpas, acreditar no nosso petróleo branco, na Geotermia como força energética estratégica, mas também em todas as outras formas que nos possam garantir a nossa independência e a diminuição de sobrecarga financeira!
Alcançar outras metas e delinear novos desafios, diversificar formas de negócio, quiçá e dando uma sugestão, os transportes coletivos de passageiros muito atrasados em todas as ilhas!
A Eletricidade dos Açores, S.A. é hoje uma empresa consolidada, respeitada cumpre eficazmente com a sua tarefa de produzir, distribuir e vender energia elétrica, para além de ser um sucesso empresarial é um orgulho para todos nós açorianos.

Luís Miguel Rodrigues Martins

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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