Entre Junho e 2020 e Junho de 2021

Construção perdeu mil trabalhadores num ano e tem falta de mão-de-obra qualificada

A Associação de Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores manifestou ontem a opinião de que o final do 3º trimestre deste ano confirmou que “a espiral positiva de trabalho na construção civil cada vez mais se afirma como uma realidade”.
O consumo de cimento na Região está, à data de Agosto, no patamar das cerca de 107 mil toneladas, o que representa um crescimento de 30% face a Agosto de 2020, sendo necessário recuar-se até 2012 para, nesta data, registar valores de consumo acima das 100 mil toneladas.
Se o consumo do cimento “cresce naturalmente, o sector também está a crescer, em muito impulsionado pela obra do Porto de Ponta Delgada, visto que é uma das matérias-primas mais importantes”.
Ainda a nível de licenças para obras particulares, quer de edifícios, quer de fogos, o crescimento face ao período homólogo “é evidente e na casa dos dois dígitos”, revela a AICOPA.
A Associação de Industrias de Construção Civil refere, por outro lado, que em Junho deste ano existiam 7.400 trabalhadores na construção civil, menos 1.000 efectivos face ao mesmo mês de 2020. A AICOPA considera, a propósito, que os empreiteiros e subempreiteiros se queixam da “falta” de mão-de-obra e que têm constatado uma “extrema dificuldade de se fixar mão-de-obra”.
Defende a Associação que “é necessário que se desenvolvam esforços no sentido de se tornar este sector atractivo e a consistência pode ser uma força importante para que os jovens possam encarar este sector como um caminho seguro, onde poderão trilhar um futuro”.
A 30 de Setembro, o volume de concursos públicos e ajustes directos cifram-se no total de 131 milhões de euros. “Fazendo o exercício habitual de uma projecção de volume de trabalho com base numa média, o ano encerrará com um volume de 175 milhões de euros”.
“Mesmo admitindo que tal não acontecerá, 2021 será certamente mais um bom ano de trabalho para o sector e que se traduzirá num quadriénio bastante interessante em termos de trabalho na construção civil”, refere a AICOPA.
Para a Associação de Industriais de Construção Civil, “alguma consistência de trabalho será um desafio eterno sendo importante continuar a apostar nas pessoas e a procurar alternativas de eficiência e eficácia no nosso sector”.

Análise em Junho

O consumo do cimento a 31 de Maio deste ano estava nas 65.800 toneladas. Este consumo representava um crescimento de 37% face ao período homólogo “e no vislumbre da história recente só quase há uma década atrás (2012) alcançamos um consumo ligeiramente superior a esta data”, refere a Associação.
A projecção de Maio para todo o ano era de um consumo de cimento que se situava em cerca de 158 mil toneladas “o que seria bastante interessante”.
Outro indicador “importante” prende-se com o número de licenças de obras de edifícios e de fogos para habitação. À data de Abril deste ano os números são respectivamente 309 e 201, sendo que se tem verificado uma “tendência crescente” nos últimos 5 anos e valores a esse nível ou ligeiramente superiores só encontramos em 2011”. São factos que “vêm também confirmar a lenta e ligeira recuperação que tem vindo a decorrer na construção civil e para a qual todos temos de continuar a esforçar-nos e trabalhar para que se mantenha”, refere a AICOPA.
Em Março deste ano, e em termos absolutos, o número de trabalhadores no sector representava menos 5% do registado no período homólogo de 2020.
“Necessitamos atrair gente jovem e com algumas qualificações para a construção civil”. A AICOPA “tem procurado desenvolver esforços neste sentido mas sem o compromisso de todos torna-se mais difícil”, diz a Associação.
Ao nível de volume de concursos e ajustes directos a 30 de Junho, o sector registava o marco de cerca de 84 milhões de euros.

Abril e 1ª Quinzena de Maio de 2021

 A AICOPA tinha sublinhado já o 1º trimestre que se caminhava para um “bom arranque em termos de trabalho” e que “se a tendência se mantivesse, estaria segura de que 2021, no seu todo, seria um bom ano para o nosso sector”, o que se veio a verificar.
Em Março deste ano verificava-se que, em termos absolutos, havia menos trabalhadores do que no ano anterior mas em números superiores aos últimos anos. Por sua vez, a taxa de desemprego no sector era menor do que em igual período dos últimos anos.
O volume de trabalho (concursos públicos e ajustes directos) à data de 19 de Maio deste ano cifrava-se nos 74 milhões de euros e mantinha-se a mesma proporção de 60% do volume do ano anterior. No espaço de um mês e meio o volume de trabalho tinha “crescido apenas” 14 milhões de euros.
A AICOPA continuava a acreditar, então, que o ano de 2021 continuava “no bom caminho mas, mesmo assim, é importante manter a pressão e a atenção sobre o nosso sector não esquecendo que nesta fase de crise seremos um pilar importante para a manutenção do trabalho e desenvolvimento da economia”.
 60 milhões no 1º trimestre

O primeiro trimestre de 2021 registou um volume de trabalho na ordem dos 60 milhões de euros. Embora este volume represente apenas 60% do trabalho do mesmo período homólogo era, para a AICOPA, “um excelente indicador”.
A estimativa da AICOPA no primeiro trimestre deste ano era que se iria conseguir alcançar os 240 milhões de euros, valor muito próximo de 2020.
 “Não podemos ignorar que o momento que se vive é de crise e que as decisões que vierem a ser tomadas nesta fase, nomeadamente no que à aplicação dos fundos que o PRR irá disponibilizar diz respeito, irão definir e marcar fortemente o futuro de toda a nossa economia, sociedade e sector produtivo em particular”, referiu a Associação de Industriais de Construção Civil.
O consumo de cimento no primeiro trimestre foi superior ao trimestre homólogo de 2020 em 41,5% e a nível de licenças expedidas para obras quer de edifícios quer de fogos os números alcançados “são bastante interessantes”, referia a Associação.
Neste contexto, os dados disponíveis relativos ao primeiro trimestre de 2021, constituíam “um bom arranque e se a tendência se mantiver assim a expectativa é a de que teremos um ano razoável que irá ajudar a cimentar a importância do nosso sector na economia açoriana.”

A evolução em 2020

Segundo a Associação de Industriais de Construção Civil e Obras Pública da Região, o ano passado, “apesar da crise pandémica e de todos os constrangimentos que a mesma gerou, nomeadamente a redução de algum investimento por parte do privado, acabou por ser um ano importante e com alguma estabilidade ainda para o sector da construção”.
Prova disto eram alguns dos indicadores importantes do sector, como é o caso do consumo/vendas do cimento que, em 2020, inverteu a tendência de decréscimo registada nos dois anos anteriores e assumiu uma dimensão idêntica à de 2013. Todavia, refere a AICOPA, “para o nosso sector conseguir a tão almejada consistência, esse indicador terá de ser melhorado”.
Ainda a nível de licenças obtidas quer para obras de edifícios quer de fogos manteve-se “a senda de crescimento dos últimos anos durante 2020”.  O ano passado tinha-se conseguido, pelo segundo ano consecutivo, “crescer ligeiramente a taxa média anual de trabalhadores e reduzir a taxa média anual de desemprego. Tal significa que a construção civil estava a conseguir manter os seus quadros mas também não é menos verdade que a crescer terá a necessidade constante e a capacidade de atrair mais quadros”. Era neste contexto que a AICOPA continuava “a defender a aposta na qualificação e formação dos quadros existentes mas, sobretudo, de novos que só o farão se o sector for naturalmente atractivo”.
Em 2020 o volume de trabalho lançado, quer via concursos públicos quer via ajustes directos, cifrou-se em cerca de 247 milhões de euros (mais cerca de 33% face ao trabalho de 2019).

J.P.

 

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker