Carlos Madruga da Costa, Presidente da Casa dos Açores na Madeira

“Não faz sentido” os Açores e a Madeira continuarem de “costas voltadas”, pois “é mais o que nos une do que o que nos separa”

Correio dos Açores:  A Casa dos Açores na Madeira é a mais recente das 16 casas dos Açores espalhadas pelo mundo. Quais são os objectivos primordiais?
Carlos Madruga da Costa (Presidente da Casa dos Açores na Madeira): - A Casa dos Açores na Madeira tem por objectivos principais defender os interesses da Região Autónoma dos Açores de forma a contribuir para o seu progresso e desenvolvimento, promover os Açores e a sua cultura, promover a aproximação e o conhecimento mútuo entre o povo açoriano e o madeirense, congregar a comunidade açoriana residente na Região Autónoma da Madeira.
Também tem como objectivo incrementar o intercâmbio turístico, cultural e empresarial entre os Açores e a Região Autónoma da Madeira, apoiar e orientar os açorianos recém-chegados à Região Autónoma da Madeira e prestar aos seus associados e aos açorianos em geral a possível assistência.

Que projectos tem a sua presidência?
Felizmente, já conseguimos concretizar muitos dos projectos da minha presidência. Para além da inauguração da sede da Casa na Madeira, destacaria a sua integração no Conselho Mundial das Casas dos Açores e a realização de diversas conferências.
Por outro lado, a procura constante de abertura de pontes entre as duas regiões, aos mais diversos níveis, é um grande desafio, para o qual trabalhamos reiteradamente e em várias frentes, tendo em conta a persecução dos nossos objectivos.

 É importante desenvolver actividades para que os açorianos se sintam em casa e/ou é a necessidade de encontrar um elo de ligação entre “gente nossa”?
As duas situações são importantes, mas também é importante mostrar os Açores a todas as outras pessoas. Pensamos que as nossas tradições, a nossa cultura são elementos que conjugados com a beleza natural das nossas ilhas e com os nossos produtos de eleição são razões mais que suficientes para desenvolvermos actividades não só para a nossa comunidade, mas para toda a população em geral, de forma a mostramos a nossa açorianidade.

 Os açorianos procuram a instituição para resolver alguns dos seus problemas ou é apenas por questões de relacionamento social entre ilhéus?
A realidade das Casas dos Açores passa por todos por esses factores, pela procura para a resolução de algum problema e pela necessidade de relacionamento social. No nosso caso, somos a mais nova das 16 casas e a que tem sede há menos tempo, só agora é que começámos esse trabalho de realizar actividades e de ser um chamariz para a comunidade local.

Sair de um arquipélago para outro, qual a motivação, no seu caso?
No meu caso, vim para a Madeira porque casei com uma madeirense. Mas as  motivações dos nossos associados são as mais variadas, relacionadas com o trabalho ou estudo.
Como são acolhidos os açorianos na Madeira?  
Os açorianos são bem acolhidos nesta Região, não temos informação do contrário, e integram-se bem na sociedade madeirense.

 A Casa dos Açores na Madeira, disse o Vice-presidente do Governo na inauguração da sede, é mais um “passo seguro” no relacionamento entre as duas regiões autónomas? Sente esta responsabilidade?
Estamos em perfeita sintonia e articulação com o senhor Vice-presidente do Governo para a concretização desse desiderato e para dar o nosso contributo e estreitar o relacionamento entre as duas regiões autónomas.  
 
Pode-se afirmar que as Casas dos Açores são um dos veículos essenciais para a afirmação da Açorianidade no mundo?
Sim, podemos afirmar isso. Tive a oportunidade, recentemente, de testemunhar esse sentimento de açorianidade no Conselho Mundial das Casas dos Açores, a maneira especial de que todos falavam dos Açores da sua cultura e tradições e da transmissão desse sentimento de açorianidade, às várias gerações que compõem essas comunidades espalhadas pelo mundo.

 Participou no Conselho Mundial das Casas dos Açores. Que memória ficou desse encontro?
A maneira especial de que todos falavam sobre os Açores, essa açorianidade de que fala, a troca de experiências entre todas as Casas das mais variadas latitudes, foi muito enriquecedora. A forma como tudo foi muito bem organizado pela Vice-presidência do Governo e pela Direcção Regional das Comunidades, que permitiu essa troca de experiência e saber foi muito importante para nós, porque permitiu-nos aprender e tomar de exemplo várias dessas experiencias, e que irão permitir melhores escolhas.  
Somos a mais nova das Casas dos Açores, temos muito a aprender e a evoluir, com as nossas congéneres mais velhas.

 Os Açores e a Madeira têm afinidades comuns nos EUA por via da emigração. Como pensa estreitar os laços neste triângulo?
Isso acontece sobretudo na Costa Leste dos EUA e no Havaí. Nós, Casa dos Açores na Madeira, estaremos sempre disponíveis para aquilo que as duas Regiões Autónomas entendam ser necessário e preciso nesse estreitar de laços entre as nossas comunidades nos EUA.

Em seu entender o que é possível fazer para aproximar os povos dos Açores e Madeira, fora do contexto turismo?  
Existem vários sectores que podem aproximar e permitir um maior intercâmbio entre os dois povos, como por exemplo o intercâmbio  cultural, o artístico e o empresarial. Não faz sentido continuarmos de “costas voltadas” uns para os outros, é mais o que nos une do que o que nos separa.
        

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