14 de novembro de 2021

Recados com Amor...

Meus queridos! Estas últimas semanas têm sido coisa de loucos, desde o “enterro” da geringonça à dissolução da Assembleia da República, que depois de anunciada pelo Presidente Marcelo continua em plenitude de funções… até à cimeira do clima que já leva duas semanas da chamada COP 26 em Glasgow… onde os ingénuos esperavam que de lá saísse a sentença de morte e a data do enterro da extracção da exploração do carvão e dos combustíveis fósseis… mas, pelos vistos, ficam é todos a assobiar para o lado… Como isso não bastasse, e à falta de melhor, a “guerra de capoeira dentro do PSD entre Rio e Rangel tem alimentado os noticiários e tem sido “pasto” para os habituais comentadores de bancada… Até a minha Prima Maria da Praia telefonou-me, dizendo que estava admirada com a notícia que anda pela Ilha de Jesus, dando por certo que os maiorais do PSD/A tiraram o tapete a Rui Rio e passaram-se de armas e bagagens para Paulo Rangel… Diz Maria da Praia que não percebe a jogada, porque se Rui Rio desdenhou da importância eleitoral dos Açores no contexto nacional, Paulo Rangel também prometeu que seria o Deputado Europeu que iria preencher o vazio da presença de um representante do PSD/Açores no Parlamento Europeu e até agora, meus queridos, foi só parra… e nenhuma uva... É o que há!

Ricos, com o bom tempo que se fez sentir a semana passada, que antigamente chamávamos de Verão dos milheiros, mas que modernamente se apelida de Verão de S. Martinho, resolvi ir até aos areais, aqui na minha cidade nortenha, apanhar um pouco de sol e iodo que o salgado mar do norte nos oferece e, no caso, para me aliviar das dores ciáticas que me dão cabo das ilhargas. Deparei-me com centenas de miúdos que brincavam com as suas pranchas nas grandes ondas, numa competição mundial promovida, ao que me disseram, pelo município da Ribeira Grande. Como não consegui estender a toalha para apanhar um “solínho”, fui até uma tenda ali perto, onde se realizava a “Feira do Mar com Vida”. Não fui convidada para lá estar, mas não me fiz rogada e lá me abeirei da tenda para assistir ao showcooking feito pelo jovem chefe Cláudio Pontes, e promovido pela associação local Food Culture, onde apresentava deliciosas e criativas maneiras de cozinhar peixe de baixo valor comercial, assim como evitar o desperdício alimentar. Juro que gostei do pouco que vi e daqui mando um ternurento beijinho para a organização, sugerindo que tais eventos se repitam e tenham a adequada divulgação, para ter uma maior abrangência e mais participação, porque aprender com quem sabe faz muito bem e é meio caminho andado...


Meus queridos! A minha prima Teresinha foi esta semana chamada para levar a vacina contra a gripe, lá para os lados do Centro de Saúde de Ponta Delgada. Ela vai ter de voltar lá para levar a terceira dose contra a Covid-19 porque ainda não tinha seis meses a segunda dose que levou. Como ela bem se lembra da belíssima organização nas Portas do Mar quando tomou a dita cuja vacina e não se cansou de elogiar a forma como tudo ali decorria, também agora ela diz que lá no Centro de Saúde aquilo precisa de mais um pouco de organização, a começar pela informação que é dada às pessoas pelo telefone mandando para irem à recepção do Centro de Saúde… e que lá hão-de dizer para onde irão… Lá o dizer… dizem, mandando ir para ( R ), mas o que acontece é que os utentes têm de voltar a sair da recepção e procurar outra porta,… e lá são confrontados com um extenso corredor, sem cadeiras para os idosos se sentarem, alguns com os achaques próprios da idade… aflitos com dores nas cruzes. Vale a simpatia dos recepcionistas que a todos acolhem da melhor maneira e que para os casos mais graves lá arranjam uma cadeira ou até uma cadeira de rodas. É urgente criar condições melhores, porque assim o stresse é maior para quem espera e para quem lá trabalha. Até parece que se está a vacinar a conta-gotas, pois Dezembro está quase aí e muitos septuagenários ainda nem receberam a vacina da gripe…


Ricos! Não sou mulher de andar a pensar e a falar das sentenças que cada juiz livremente vai dando por aí, mas eu acho que os sábios magistrados deveriam pensar também que as suas sentenças, para além do efeito punitivo para os réus, têm também um efeito pedagógico e preventivo para a sociedade. E é por causa de muitas sentenças que algumas pessoas são levadas a acreditar cada vez menos na justiça que se faz. E não estou a falar dos dislates do dito juiz negacionista que não teve pejo de chamar aos seus meretíssimos colegas aquilo que Maomé não chamou ao toucinho. Em todas as profissões há sempre a tal ovelha que desmancha o rebanho. O que muita gente estranha é que por exemplo, por um crime de violência doméstica de marido contra a mulher, o marido seja colocado em prisão domiciliária… e o que acontece à pobre mulher? Mas não fica atrás desse caso a sentença que foi dada há poucos dias, quando um assaltante de popós foi condenado a duzentas horas de trabalho comunitário… A minha comadre Gertrudes disse logo que não se trata de uma pena para o assaltante, mas sim de uma prenda porque nessas horas de trabalho comunitário ele pode ir marcando e anotando quais vão ser as suas próximas vítimas. Tenham dó!


Meus Queridos! Quero mandar um repenicado beijinho ao padre José Fernandes, porque Sexta-feira dia 12 de Novembro celebrou as suas 89 Primaveras. O padre José Fernandes é leitor atento dos meus recadinhos e grande amigo do Correio dos Açores e do sempre atento Director que tão generosamente me acolhem no seu seio. Ele guarda uma frescura de espírito que faz inveja a quem com ele contacta. O padre José Fernandes, dedicou a vida sacerdotal à Vila da Povoação e foi Presidente da Fundação Maria Isabel do Carmo Medeiros (1962-1992) e professor do Externato que depois passou a Escola Secundária. O padre José Fernandes ajudou a formar gerações e gerações de jovens deixando um legado que não é esquecido pelos povoacenses e por quem teve a dita de se cruzar com ele em diversas circunstâncias… Depois da aposentação escolheu a cidade da Lagoa para residir finda a sua missão na Povoação, que é o seu torrão natal. Ainda hoje, o padre José Fernandes é lembrado em Rabo de Peixe onde foi coadjutor na Igreja do Bom Jesus, deixando depois muitas amizades. Que Deus o conserve com saúde para chegar ao centenário e nessa altura terá de haver festa rija para comemorar tão merecida data.


Meus queridos! Quem não sabe rir de si próprio e dos seus azares deve levar uma vida muito enfadonha. Nada como encarar desportivamente os nossos próprios erros, assumindo-os e deles pedindo desculpa. Foi o que eu pensei quando esta semana me telefonou a minha prima Maria das Capelas a dizer-me que estava muito ruim porque tinha lido no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que o Clube Escolar de Vila Franca do Campo, em futsal sénior, ganhou o Capelense, quando afinal, e como estava no corpo da notícia, a vitória foi sobre o Desportivo de São Vicente Ferreira… E logo ali tinha de ser a confusão entre duas terras cujas fronteiras são sempre de duvidosas linhas… Mas como era véspera de São Martinho até se perdoa, que nisto, como em tudo, só se engana quem trabalha….


Ricos! Quando li esta semana no velhinho e sempre renovado Diário dos Açores que agora o que está a dar é planear os passeios para o espaço a partir das nossas ilhas, primeiro fui ver a data do jornal, porque podia acontecer que eu por engano estivesse a ver uma edição do dia 1 de Abril. Mas quando vi que é de agora, só tenho de me render às evidências, porque ainda sou das que pensa que sonhar não paga imposto e essa coisa de “estratégia regional para o espaço” é muita areia para a minha camioneta. Eu sei que uma coisa não tem a ver com a outra, mas num país que vem adiando a renovação dos cabos submarinos que estão quase a finar-se, e num país que é o último dos últimos a entrar naquela tecnologia que dizem chamar-se 5G, o futuro está mesmo em organizar passeios e excursões espaciais… Este já é um mundo difícil de encaixar para mim…


Meus queridos! Depois da trapalhada de Tancos, só faltava agora a novela dos diamantes dos Comandos. Até parece que cada bernarda sai na altura certa para desviar atenções de outras guerras e outras lutas. Ainda não se sabe as consequências de tudo isto e quem sabia o quê e quem ocultou o quê, mas uma coisa é certa: o inefável Ministro Santos Silva já veio dizer que nada disto afecta a nossa imagem lá fora. Pois claro! São tantas seguidas que mais uma menos uma, já poucos ligam. Diamantes sempre foram uma tentação e África é outra tentação. Mas enquanto se fala nisto, outras tentações mais caseiras vão ficando eclipsadas na voragem das notícias e da sede dos comentadores… É o que temos!


Ricos! A minha prima Maria da Praia disse-me que os lavradores da Terceira iam descer à rua com tratores e máquinas numa marcha lenta de protesto… e também já se ouve que por São Miguel há quem pense no mesmo lá mais para Janeiro ou Fevereiro. Mas marcha lenta já cá temos todos os dias e ainda esta semana a minha prima Jardelina levou mais de meia hora atrás de um rancho de vacas em plena estrada regional, que lhe ia dando um fanico. Ela pensava que havia um regulamento para as mudas, mas se há, ninguém fiscaliza… E a minha prima ainda disse que a ela que é obrigada a andar com o saquinho para limpar o cocó do seu Pluto, que é pouco maior que um caniche, lá teve de andar de mangueira na mão para lavar o dito cujo das vacas… Por isso é que nesta terra, as vacas é que são felizes…

 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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