Teresa Neves lança “O Outro Lado do Meu Mundo” no próximo Sábado, no Hotel Casa Hintze Ribeiro

“Todas as instituições de Educação deveriam promover o desenvolvimento de competências de sustentabilidade e protecção do meio ambiente” ambiente, geram catástrofes naturais, doenças e pandemias.

Enamorou-se pela escrita, pela poesia, e agora vai lançar um livro. Porquê o título “O Outro Lado do Meu Mundo”?
Sim, no próximo Sábado, pelas 17h00, vou lançar, no Hotel Casa Hintze Ribeiro, o meu primeiro livro, intitulado “O Outro Lado do Meu Mundo”, evento que é aberto ao público e que contará com algumas surpresas especiais. Vai ser um momento muito importante para mim, pois vou conseguir reunir e ter  nesse dia comigo a maior parte das pessoas mais importantes da minha vida. Isso é um privilégio imenso e um motivo de grande orgulho, emoção e gratidão.
Para responder à questão, vou falar um pouco sobre o livro. Este livro, é uma colectânea de poemas, frases, textos e reflexões pessoais que tenho vindo a escrever ao longo de sete anos. É fruto de uma necessidade, que vinha sentido, de comunicação do meu EU interior com um Todo que me rodeia, que me fascina, que me prende o olhar, que me incita a exteriorizar, através da escrita, a minha sensibilidade interior.
É, na verdade, um conjunto de escritos que reflecte estados de alma sentidos em certos momentos, situações e locais. Esses escritos, na sua maioria poemas, são apresentados no livro cronologicamente, ao longo de sete capítulos distintos. Alguns, são acompanhados por imagens, fotografias amadoras, tiradas por mim, captadas pela sensibilidade do meu olhar que depois me inspiram a escrever para homenagear e celebrar determinada imagem, elemento ou momento registado.
Assim, nesses momentos, fui construindo um “outro mundo”, um mundo que enaltece a beleza da vida, que se fascina e se engrandece com ela, que valoriza a intensidade e o brilho de cada momento. Nesse “outro lado do meu mundo”, cada simples pormenor é sentido, honrado, homenageado e celebrado para que a vida não passe despercebida, para que seja sentida, integrada, agradecida e vivida em toda a sua plenitude e beleza.
É,  a esse mundo mais divino, ligado à beleza, à sensibilidade e à criatividade que vou buscar a energia, o silêncio, a paz e a harmonia, tão importante e imprescindível para viver, de forma equilibrada, no “outro lado do meu mundo”, o lado mais racional, mais ligado ao Ser físico, às suas necessidades terrenas, aos afazeres do dia a dia, aos compromissos profissionais, sociais e familiares, onde a vida passa cada vez mais depressa, tal a azáfama e corrida que praticamos na “pista” da vida.

Como escritora, o que pretende que a sua obra deixe ao leitor?
Não me considero uma escritora, a minha escrita é muito simples, instintiva e genuína. Gosto de escrever e de utilizar esse meio para exprimir sentimentos e emoções que me afloram perante certos cenários da vida que me tocam, ou momentos que me despertam sentires e me levam a partilhar essa minha interioridade com os outros. E é exactamente isso que eu pretendo que a minha escrita alcance (…), que toque também o leitor, que lhe desperte emoções e sentires e que seja capaz de transmitir mensagens positivas que levem a reflexões e transformações.

Usa as experiências pessoais e comunitárias para transportar momentos para o papel ou é apenas uma criadora que deixa o imaginário vivenciar tempos, lugares e emoções?
Uso a realidade que me envolve, os elementos que me rodeiam, as pessoas que me cercam, que me inspiram, que me acrescentam, que fazem parte da minha vida e os momentos que me emocionam e fascinam. São estes os protagonistas da minha escrita, são estes que fazem parte, dão colorido e tanto animam o  “outro lado do meu mundo.

Tem alguma influência literária de poetas/poetisas e/ou de algum(a) escritor (a) na sua escrita?
Não tenho qualquer influência literária na minha escrita. A minha escrita está ao serviço da minha essência, da minha singularidade, do meu impulso criativo.
Escrevo, sem grandes pretensões intelectuais. Com a minha escrita pretendo apenas partilhar emoções próprias que, quase sempre, trazem algum tipo de mensagem, de reflexão que se quer expandir com o leitor para que ele possa, talvez, também se rever nela ou pelo menos, se deleitar minimamente com ela.

Qual a sua obra de eleição? Que mensagem deixa?
Tenho várias obras de eleição. Gosto de ler livros com conteúdos profundos. Não só aqueles que  contribuem para enriquecer a informação ou a sabedoria, ou aqueles que contenham um bom enredo, uma história que prenda e cative, mas também, e principalmente, aqueles que alimentam a alma e despertam os sentidos, que me façam rever neles, como é o caso dos livros de poesia e de desenvolvimento pessoal.

A sua vida também é preenchida com uma actividade de cidadania e de ajuda ao próximo. O que a move actualmente neste capítulo social e de apoio ao outro?
Passar por esta vida, não olhando para o outro, e só para nós, é o mesmo que viver uma vida vazia, individualista, egocêntrica e sem sentido ou mesmo não vivê-la. Nascemos para expandir o Ser e para partilhar esse nosso Ser com os outros. A vida é um todo e nós somos UM nesse todo, cada um, com a sua particularidade, singularidade, mas o espírito deverá ser sempre o da união, da solidariedade, da partilha, da compaixão e do respeito pela diferença do outro.
Se cada um desse um pouco de si ao outro, não só apenas em valores materiais, mas também em valores emocionais, o mundo seria, certamente, muito melhor.
É dentro desses valores que tento viver e este meu livro tem também esse espírito. Por isso, este livro vai ser oferecido, cujo valor total da sua venda vai reverter a favor de um Instituição religiosa muito enraizada na nossa cultura, espelho da fé e alma açoriana.

Qual é a instituição?
Não vou agora, aqui, desvendar o destino específico desse valor, pois é algo que faço questão de comunicar apenas no dia do lançamento.

É impossível dissociar a mulher de todas essas dimensões, como empresária ligada ao Pronto-a-vestir e ao Turismo, na escrita, para além de esposa e mãe. Como consegue fazer tanto ao mesmo tempo?
De facto, há uns anos atrás, quando os meus filhos eram pequenos e necessitavam da minha atenção, cuidado e apoio, juntamente com a minha vida profissional que é, de facto, muito activa, intensa e preenchida, era difícil  conseguir ser uma “habitante assídua” do “outro lado do meu mundo”. Mas agora, e ao longo destes últimos  anos, eles têm-se vindo a tornar, de forma crescente, mais independentes, o que tem proporcionado que, nos meus tempos de pausa da minha atividade empresarial que, na realidade não são muitos,  eu consiga ter  tempo para  sentir e exteriorizar, através da escrita, a beleza dos momentos, as particularidades e sinais que a vida nos transmite, a toda a hora, se tivermos atentos a ela.
Mesmo quando tenho necessidade de viajar por motivos profissionais, nos momentos, mesmo que poucos, de pausa, no espaço entre colecções, até no caminho de uma colecção para outra,  aproveito cada um desses momentos para “aterrar” no “outro lado do meu mundo”, para “respirar” e sentir o local onde me encontro e homenageá-lo com a minha escrita. Por isso, um dos capítulos do meu livro chama-se exactamente “Viagens”, onde são apresentados escritos, frases e poemas produzidos durante essas viagens, alguns até, produzidos na  própria língua desses locais, de forma a sentir-me mais ligada e unida à região onde me encontro e fruto também da minha própria paixão pela diversidade linguística.

Se tivesse poder de influenciar as decisões na área da Educação e Cultura, o que gostaria de ver implementado?
Promoveria a Educação para o desenvolvimento sustentável onde se abordariam nas escolas questões globais como a mudança climática e protecção do nosso meio ambiente  que exige uma mudança urgente do  estilo de vida de cada um, uma nova consciência e  uma transformação do nosso modo de pensar e agir.
Uma Educação que promova apenas o crescimento económico, pode levar a um aumento de padrões de consumo insustentáveis que desequilibram o meio ambiente, geram catástrofes naturais, doenças e pandemias.
Todas as instituições de Educação, desde a educação pré-escolar, até à educação superior, deveriam considerar, como sua responsabilidade, promover o desenvolvimento de competências de sustentabilidade e protecção do meio ambiente.
A Educação pode ser um instrumento muito poderoso na ampliação de novas consciências com o objectivo de transformar a nossa relação com a natureza. Seria importante  investir-se nesse campo, nessa área educativa se queremos ainda ir a tempo de salvar o nosso planeta.

O livro será apresentado por João Carlos Abreu, um poeta-ilhéu, ex-Secretário Regional do Turismo da Madeira. Com vê essa ligação cultural entre os Açores e a Madeira?
É verdade, terei a grande honra e orgulho imenso de ter o meu grande e querido amigo, João Carlos Abreu, a apresentar este meu livro.
É uma pessoa excepcional, um grande ser humano, um escritor e poeta de uma sensibilidade única e foi um político exímio aquando da sua função de Secretário Regional do Turismo e da Cultura da Madeira, que tanto fez por essa ilha.
É uma figura incontornável na dinâmica cultural e um grande adepto da união entre culturas, nasceu mesmo para cativar e unir!
Tem promovido e dinamizado iniciativas culturais de grande relevo e interesse, quer junto das camadas mais jovens como das mais maduras e intelectuais. Um exemplo dessas iniciativas, é o “Encontro Internacional de Poesia” que reúne vários poetas dos arquipélagos da Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde) e que contou este ano com o seu IV encontro nas Canárias, de 3 a 5 deste mês.
Em 2018, tive a honra e o prazer de coordenar com o João Carlos Abreu “O Livro da Amizade” que foi lançado nos Açores e na Madeira. Foi um livro muito especial que uniu estes dois arquipélagos através da escrita e da grande amizade que os envolve. Convidámos 21 autores açorianos e madeirenses que construíram, através da escrita, um maravilhoso “Arquipélago da Amizade”.
Mais tarde, em 2020, foi editado no Funchal, sob a coordenação também de João Carlos Abreu, o livro “Abraço Atlântico”, que também tive a honra de  fazer parte com uma contribuição escrita, e  que desta vez, “abraçou” além dos Açores e Madeira, também as Canárias, reunindo escritores destes três arquipélagos.
João Carlos Abreu tem de facto mesmo um  condão mágico que une culturas e pessoas à sua volta em projectos que sonha e que depois realiza.
   

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