Só há arroz e massa em stock para três meses

Banco Alimentar precisa que a população doe alimentos para ajudar 500 famílias


No âmbito do seu 25º ano de actividade, o Banco Alimentar Contra a Fome da Ilha de São Miguel realiza no próximo fim-de-semana, de 26 a 28, uma nova campanha de recolha de bens alimentares, junto dos estabelecimentos comerciais espalhados um pouco por toda a ilha, com especial enfoque nas grandes superfícies comerciais.
Sob o lema ‘Que ninguém fique sem alimento à mesa’’, o Banco Alimentar refere que “a campanha tem como primordial objectivo sensibilizar a população para a importância de que todo e qualquer contributo, assim como dos efeitos que estes poderão produzir. Qualquer bem alimentar doado, por mais pequeno que seja, contribuirá para fazer a diferença no dia-a-dia de alguém”.
Luísa César, Presidente do Banco Alimentar Contra  a Fome da Ilha de São Miguel,  refere que actualmente, a juntar às famílias que passavam por dificuldades, há um conjunto de outras que precisam de ajuda, uma consequência da pandemia. Para fazer face às necessidades há falta de muitos alimentos. “Neste momento temos stock de arroz e massa para apoiar 500 famílias durante os próximos três meses. Mas não temos outros alimentos para compor o cabaz das famílias no próximo mês. Por isso, apelamos às pessoas que contribuam com enlatados, que duram mais tempo, que podem ser leguminosas (feijão e grão), carne e peixe, legumes secos, atum, salsichas, cereais de pequeno-almoço, leite, papas para crianças, bolachas, azeite. E outros produtos passíveis de fazer um cabaz. O Banco Alimentar está a trabalhar para um cabaz de 16 produtos, cujas quantidades variam conforme o número do agregado familiar”.
Para a Presidente do Banco Alimentar “a grave situação social de muitas famílias que foram assoladas pelos efeitos da crise de Covid-19, justificam um esforço, uma generosidade e mobilização colectivas da nossa sociedade, em prol dos mais desfavorecidos.
Em relação ao programa europeu, de que o Instituto de Acção Social já lançou um concurso para fornecimento, Luísa César diz que desconhece o que é se passa. Está no “segredo dos deuses”, mas certo é que os alimentos que chegavam ao abrigo deste programa fazem falta, por isso há necessidade de recolher mais bens alimentares para ajudar as famílias micaelenses que precisam de apoio. “Para nos candidatarmos à distribuição deste programa ainda não temos qualquer data. Recorde-se que desde que existe o programa, o Banco Alimentar criou toda uma infra-estrutura para recolher e distribuir os alimentos (armazém, arcas de frio, carrinhas) num programa que tem grande exigência logística, sanitária e certificada. Sem este programa,  a necessidade de apoiar as famílias continua e Luísa César lembra que fazem 500 cabazes com 16 produtos são necessários mensalmente à volta de 18 a 20 mil euros. Esta é a expressão financeira, mas claro que quando temos donativos este valor baixa”. Neste momento, há falhas para completar os cabazes de produtos que fazem muita falta, como é o caso do leite. Felizmente, o Banco Alimentar tem alguma capacidade de angariação, porque a população adere, assim como pertencemos a uma Federação que nos faz chegar alguns alimentos, mas vivemos num constante planeamento para poder ter stock”.
Luísa César também faz questão de salientar que o Banco Alimentar “não escolhe as famílias que vão receber os cabazes. Trabalhamos em rede com o Instituto de Acção Social. 80% das famílias a quem nós damos alimentos são escolhidas pelos técnicos do Instituto. As restantes 20% são pedidos que recebemos das associações, que são também a nossa rede espalhada na ilha. O Banco Alimentar acredita que os pedidos que cheguem são de facto de situações de pessoas que precisam, sinalizadas pelos técnicos, ou por associações, e de comprovada carência económica. Também há outras situações. Por exemplo, de vez em quando o santuário do Senhor Santo Cristo, de vez em quando, também pede alimentos para entregar as famílias carenciadas. São famílias que pedem mas que têm vergonha de ir ao Banco Alimentar. Fazem pedidos com alguma confidencialidade. É a chamada pobreza envergonhada”.
Para Luísa César é pena que ainda hoje em dia ainda haja pessoas que queiram “denegrir a imagem do Banco Alimentar”, mas adianta que “felizmente há muita gente que faz voluntariado, disponíveis a ajudar, e outros que entregam o que têm a mais, como fruta”. Também elogia o trabalho dos presidentes de câmara na passagem da mensagem de que há necessidade de recolher alimentos para os mais vulneráveis  porque, como diz, “este é um problema que não tem cor partidária”.
O Banco Alimentar da Ilha de São Miguel recorda que, no ano passado, fez chegar alimentos a 3.138 famílias, números que, infelizmente, teimam em não baixar, distribuindo 656 toneladas através de cerca de 70 associações parceiras.
Luísa César também lembra que esta Campanha, dada a sua complexa e alargada dimensão, só vai ser possível graças ao envolvimento activo de muitas entidades, desde as lojas e seus  colaboradores, voluntários, órgãos de comunicação social, PSP e transitários. O número  de voluntários ascenderá a 600, sendo de evidenciar, mais uma vez, a presença de vários  grupos de escuteiros. ‘Fazemos ainda um apelo a todas as pessoas, empresas, instituições e produtores locais à  doação para esta causa. Há milhares de famílias que dependem de nós para poder colocar comida na mesa. É uma triste realidade que só pode ser combatida com um forte sentido  de responsabilidade colectiva’, alertou Luísa César.
          

Print

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima