Polvo na telha ganhou medalha de ouro para melhor prato

Taberna Açor vendeu 500 quilos de lapas na primeira semana a representar os Açores na Feira Gastronómica de Santarém

Convidado pelo Governo Regional e pela Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, o restaurante Taberna Açor foi o escolhido para representar os Açores na 40.ª edição da Feira Gastronómica de Santarém, conhecida por ser o maior evento gastronómico existente a nível nacional.
Nos dois contentores que foram enviados para Lisboa, para além dos equipamentos de cozinha, constavam também os preciosos ingredientes regionais que permitem que este restaurante se distinga dos demais ali presentes, tais como vinhos, compotas, mel, pimentas da terra, temperos regionais, polvo, queijos e uma tonelada das famosas lapas açorianas.
Em apenas uma semana de participação nesta feira, o restaurante micaelense conseguiu vender meia tonelada destas lapas que rapidamente se tornaram num dos principais pratos pedidos pelos visitantes da feira, restando agora vender a restante meia tonelada que ainda resta, o que, de acordo com Pedro Raposo, não deverá ser um grande desafio. Isto é, com 100 lugares sentados, o restaurante montado no recinto em Santarém tem estado sempre completo, “tanto ao almoço como ao jantar”, sendo que no passado Sábado, o dia mais forte da feira, existiam dezenas de mesas à espera pela sua vez de provar as especialidades tão características dos Açores.
A “salvação” da equipa composta por 17 pessoas, adianta o proprietário do restaurante, foi o facto de estar “já habituada a este ritmo em São Miguel”, embora na ilha seja permitido parar e em Santarém não, havendo até dias em que “nem há tempo para almoçar”, adianta, já que as pessoas “comem e andam” para poderem dar lugar aos outros, o que faz com que a equipa tenha que trabalhar a “um ritmo alucinante”.
Face aos resultados que tem alcançado, Pedro Raposo não tem receio ao afirmar que a Taberna Açor é o restaurante preferido dos visitantes da Feira Gastronómica de Santarém, embora o prémio para melhor restaurante seja apenas atribuído e conhecido amanhã, no último dia da feira. Esta preferência, na sua opinião, surge pelo facto de o nome do restaurante remeter de imediato para os Açores, o que “só por isso já chama muita gente”, diz.
Inclusive, logo no segundo dia da participação neste evento, o restaurante ganhou na categoria de restaurante com mais qualidade e higiene alimentar: “Tem a ver com a qualidade dos produtos, com a limpeza das cozinhas, com a confecção dos produtos e, neste caso ficámos à frente dos restaurantes todos naquilo que o HCCP nos pede. Aqui temos inspecções todo o dia, são oito inspecções por dia. Testam as comidas, as bebidas, as limpezas, às nossas mãos e não só pela questão da pandemia, pois vem aqui muita gente comer e tem que haver qualidade nos produtos”.
Em acréscimo, o restaurante candidatou o seu polvo na telha ao lugar de melhor prato, distinção esta que alcançou através de uma medalha de ouro concedida pelo júri do 3.º concurso nacional de cozinha tradicional portuguesa.
“Apresentámos o polvo na telha, que é elaborado dentro de uma telha de barro que vai ao forno, onde demora cerca de 30 minutos, e que é também servido na telha. É um dos pratos mais solicitados no restaurante quando o temos disponível, porque nem sempre se consegue o polvo regional. Quando é possível confeccioná-lo é dos mais pedidos”, explica Pedro Raposo, adiantando que o prato alcançou “nota 10 em tudo, na apresentação, na visualização do produto, na qualidade da imagem, na qualidade do produto e na confecção”. Há ainda a saber o resultado de dois prémios, incluindo o de melhor restaurante da feira.
Pedro Raposo realça que para a equipa representar o arquipélago é um grande orgulho, tendo em conta o papel importante que a gastronomia representa na economia e na história açoriana.
“Para o restaurante, o maior orgulho que temos é representar os Açores. Lógico que não somos desportistas para receber medalhas, mas trabalhamos na parte da gastronomia, uma das maiores riquezas que os Açores têm, e tentar mostrar cá fora o melhor que temos. E ver as pessoas a valorizar o nosso trabalho e a saírem satisfeitas e felizes, a dizerem que é uma excelente refeição, para mim, para o restaurante, e acho que para os Açores, deve ser um orgulho enorme, sinal de que estamos a fazer um bom trabalho e a representar bem a nossa gastronomia”, diz o empresário.
Com esta participação, o restaurante tem tido também uma grande exposição mediática, tendo em conta a cobertura que tem sido feita a partir dos grandes canais de televisão a nível nacional, e que se deslocaram ao restaurante de propósito para filmar a confecção das lapas açorianas.
Hoje é também dia de grande azáfama na tenda da Taberna Açor, tendo em conta que este penúltimo dia de feira gastronómico será “o dia dos Açores”, o que significa que ao longo do dia de hoje toda a animação do evento será proporcionada pelo restaurante açoriano, contando, por exemplo, com a actuação dos Tunídeos na feira e com um show cooking proporcionado pela chef do restaurante, que irá fazer um tártaro de atum em directo para alguns canais de televisão, adianta Pedro Raposo.
Esta é a primeira vez que o restaurante participa num evento desta dimensão, tendo em conta que até aqui participou apenas em eventos locais como é o Senhor Santo Cristo dos Milagres ou a Feira Quinhentista. A nível nacional, o restaurante contou com uma participação reduzida no Taste Azores, realizada no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, onde não havia confecção de alimentos, apenas uma prova de queijos e enchidos.
Porém, esta participação em Santarém proporcionou já convites para outras feiras dedicadas à gastronomia portuguesa, nomeadamente para a Feira de Gastronomia de Vila do Conde, também considerada um grande evento nesta área, e que se deverá realizar em 2022.
Depois de terminada a feira, será altura de “respirar um bocado” desta “aventura desgastante” e de aproveitar o regresso à ilha para matar as saudades de familiares e amigos e trabalhar de modo a que seja possível reabrir o restaurante no dia 8 de Dezembro, a tempo do Dia das Montras em Ponta Delgada e “sem perder o ritmo”, diz Pedro Raposo.

 

 

Print

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima