VII Concurso Holstein Frísia de Outono

Jorge Rita: “Vamos fazer de tudo para que na Região haja menos produção de leite porque as indústrias assim o têm obrigado”

Numa altura de grande apreensão da lavoura devido ao baixo preço do leite pago à produção, o VII Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono abriu portas com várias palavras de ordem. “A excelência do nosso leite não é devidamente valorizada”; “precisamos dos governos ao lado dos produtores”; ou mesmo “é uma obrigação da indústria e da distribuição valorizarem os nossos produtos”, são algumas das frases que se podem ler no Parque de Exposições de São Miguel para um fim-de-semana de demonstração dos melhores animais de leite de São Miguel.
Na inauguração do VII Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono, organizado pela Associação Agrícola de São Miguel Jorge Rita foi bastante crítico com as indústrias, mas não esqueceu também a distribuição e apelou ao Governo Regional que esteja ao lado dos produtores. Numa “tempestade perfeita”, que tem deixado o sector agrícola numa situação “anormal e difícil”, devido à “brutal subida dos custos de produção” sem o devido acompanhamento do preço do leite à produção, o Presidente da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita, chamou os agricultores de “heróis” “por continuarem a acreditar numa fileira de extrema importância para a economia da Região”.
Por isso o desafio vai para as indústrias mas também para a distribuição, já que o Governo de Coligação “tem estado ao nosso lado” porque reivindicações da produção foram aceites e tiveram impactos directos no sector, nomeadamente a questão dos rateios.
“Não podemos continuar a aceitar desculpas”, garantiu Jorge Rita que lembrou que na Europa o preço do leite é 10 cêntimos mais bem pago que nos Açores e a nível nacional é 5 cêntimos mais caro do que na Região. Neste sentido lembrou que “o trabalho da produção está feito” e que são “as vacas que têm dado sustentabilidade à economia da Região” e isso ficou demonstrado “inequivocamente” durante a pandemia, quando a lavoura foi um dos sectores que nunca parou.
“Está na hora da mudança”, alertou Jorge Rita que referiu que ano após ano se repete o discurso da necessidade de aumentar os produtos de valor acrescentado produzidos pela indústria que “tem de produzir mais queijos”, quando o país é deficitário na produção de queijo. Os produtos lácteos dos Açores, acrescentou Jorge Rita, representaram 311 milhões de euros em exportação durante a pandemia, o que, só por si, representa a importância do sector na economia regional.
No entanto, lançou novamente o ultimato aos representantes das indústrias presentes: “vamos fazer de tudo para que na Região haja menos produção de leite, porque as indústrias assim têm obrigado”. E o ultimato da necessidade de aumento do preço do leite à produção, vai manter-se até ao final do ano, que foi o prazo dado pela lavoura para que o leite suba, caso contrário avançam com medidas para diminuir a produção de leite na Região.

Governo garante estar a o lado dos produtores

O Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, garantiu que este governo de coligação “não se limita a ser actor, mas moderador no diálogo”, e explicou que este Governo preocupa-se com a natureza e com as pessoas.
E deixou a nota que “as políticas estruturantes precisam de tempo para vingar” pois uma das coisas que diz não abdicar é que “este Governo tenha um rumo reformista e de longo prazo, e não podem ser pequenas tempestades e pequenos tumultos que nos abatem no caminho”.
Por isso garantiu que os produtores podem contar com este Governo ao seu lado, já que “a produção é a essência da nossa sobrevivência”, dando o exemplo de podermos ficar isolados enquanto ilhas e termos produção suficiente. “Um Governo responsável não pode deixar cair o sector quando podemos passar fome”, garantiu José Manuel Bolieiro.
Mas deixou o alerta que a cadeia de valor “não pode ser arrogantemente egoísta”, nem se pode dispensar a investigação, e o produtor também tem de preferir “o que é nosso”. Além disso, o leite “não pode ser apenas um produto final, mas acrescentar valor como matéria-prima”.
José Manuel Bolieiro deixou também alguns exemplos das políticas públicas que têm vindo a ser implementadas por este governo. Nomeadamente, a antecipação para Dezembro do pagamento de 30% do suplemento aos produtores de leite, que normalmente é pago em Abril. O Presidente do Governo garantiu ainda uma portaria para os produtores que quiserem abandonar a produção de leite e o pagamento das ajudas do POSEI sem rateios. O Executivo vai ainda abrir portaria que assegure o apoio à reconversão do leite para a carne, que aceitará candidaturas entre Dezembro e Janeiro do próximo ano. Incentivar a produção de leite biológico e de pastagem também é uma das intenções do Governo através de um programa de incentivo à naturalidade, aumentando também a literacia para a agricultura nas escolas. Colocar no activo, em 2022, o laboratório de inovação de produtos lácteos e incentivar para que se reúna a PARCA - Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar, a nível nacional. Está em marcha também o estudo de formação do preço do leite em cada ilha e José Manuel Bolieiro garantiu que o Governo está também empenhado na redução dos custos de energia eléctrica nas explorações agrícolas.
O VII Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono, decorre até Domingo no parque de Exposições de São Miguel, em Santana, com 170 animais de excelência a concurso, propriedade de 50 produtores de São Miguel.                           

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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