28 de novembro de 2021

Recados com Amor...

Meus Queridos! Andava por aí muita gente em pulgas para saber se o Governo de José Manuel Bolieiro passava ou não no Parlamento, por causa do Plano e Orçamento, mas o resultado acabou por ser um balde de água fria para aqueles que esperavam o fim de um Governo com pouco mais de um ano de vida… A minha prima Maria da Praia disse-me que seguiu ao minuto o debate travado na Assembleia Legislativa, e fico desacorçoada com a forma como decorreu o debate parlamentar. Discutiram o que foi feito pelos anteriores governos e o que o actual deixou na gaveta… e o que esteve no centro do debate foi se o Chega se chegava à frente para salvar o Governo ou se este se havia vendido ao Chega por um prato de lentilhas… Maria da Praia diz que até ficou assustada com uma intervenção apaixonadíssima do deputado José Contente, reverberando as exigências nacionais do Chega relativamente aos Açores e dizendo que isso tinha sido um vexame e rebaixamento para o nome da nossa Região Autónoma…. Maria da Praia diz que temeu que de repente lhe desse um malzinho… e acrescentou que quem brilhou na defesa do Governo foi o deputado Bruto da Costa, que é líder parlamentar do PSD. De qualquer forma, Maria da Praia diz que está virada uma página da anunciada crise política… Agora, os holofotes vão estar virados para as candidaturas à Assembleia da República, e enquanto o PSD vai ter de se desunhar para juntar os cacos que vão sobrar das eleições internas, no PS/Açores já circulam nomes de candidatos, e o que aparece como putativo candidato à República segundo me segredou a minha amiga Rosa de Jesus, é Francisco César. Vamos esperar para ver! 

Ricos! E a propósito de eleições, isto de sair de uma campanha eleitoral em Setembro passado e entrar noutra que vai até 30 de Janeiro… tem muito que se lhe diga e não vale a pena esconder ou disfarçar os apetites partidários que não são exclusivos de nenhuma cor e deles também mal não vem ao mundo, porque cada vez mais os eleitores vão sabendo separar o trigo do joio… percebendo o que é mensagem séria e o que é propaganda que com as redes sociais ganha novos contornos. Das épocas em que o saco de cimento e balde de tinta era uma ajuda… entrou-se depois na moda dos alumínios e electrodomésticos e até há autarcas que não resistem a publicar nas redes sociais a oferta de 50 euros de material a uma escola ou a colocar as fotos do pessoal a varrer ruas e jardins para mostrar que estão a cuidar do ambiente… Ricos! Não é preciso exagerar… e não vale comprar o voto… porque quando não houver máquinas de lavar e frigoríficos para oferecer, o voto evapora-se…. Tenham tino!


Meus Queridos! A minha comadre Ermelinda lá vai, uma vez por outra, de passeio até às Furnas, para propositadamente meter os pés                                                                                                                                 no pocinho, dado que ela cisma que aquelas águas quentíssimas têm propriedades milagrosas. A semana passada, ela, como de costume, lá foi e sentou-se pacientemente com os pezinhos dentro de água, enquanto escutava uma curiosa conversa entre dois compadres da Povoação, igualmente sentados na borda do tanque, a comentar a actual situação política dos Açores…. Um deles dizia que na Povoação não se sente que o Governo Regional tenha mudado de cor, porque os efeitos da governação ainda não chegaram ao mais bonito Concelho da Região, enquanto o outro replicava que a máquina partidária de um município fortemente socialista não se esvai assim facilmente… O primeiro compadre interveio, com o ar de resignado, para acrescentar que até agora mantiveram-se nos cargos de nomeação os mesmos encarregados da era passada, apesar de se dizer que houve muitas nomeações de boys laranjinhas ao redor dos Açores, coisa que, segundo um dos compadres, não aconteceu naquele Concelho. O mais idoso logo atalhou que é por estas e por outras que o resultado das autárquicas foi o que foi,… continuando a Povoação bem pintada de rosa em todos os recantos, certamente pelo trabalho desenvolvido pelo Presidente Pedro Melo.


Meus queridos! No meio de uma semana de borrasca, São Pedro deu uma brecha, embora com um bocadinho de vento, para o neo-edil de Ponta Delgada e sua equipa, inaugurarem a iluminação de Natal do centro da cidade, ao som de belíssimas músicas da Orquestra Ligeira de Ponta Delgada. A minha prima da Rua do Poço que, por acaso lá ia passando, disse-me que foi um momento bonito, especialmente porque o Presidente Pedro Nascimento Cabral poupou nas palavras já que, na realidade, o momento era para dar palco à música e apreciar o espírito de Natal que ela dá a cada cidade, vila e lugar. O que a minha prima estranhou foi a grande escuridão da torre da Igreja Matriz, que continua com a sua “burka” verde a tapar o relógio e os sinos. Diz ela que vai ser triste assistir à passagem do ano sem ver nem ouvir o som do velho relógio que torna mítico o momento naquele lugar. Mas o que a minha prima da Rua do Poço diz é que não lhe entra na cabeça…. Porque razão para consolidar uma cúpula de tão reduzidas dimensões são precisos tantos meses quanto os que se contam da pandemia? O arrastar dessa obra… vai decerto ficar na história!


Ricos! Muito gostei de ler no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio a reportagem com o professor Carlos Marinho, que veio do Porto para dar umas dicas de como ensinar e aprender Matemática nas escolas, e que disse com todas as letras que no ensino básico, que no meu tempo de escola se chamava a primária, os alunos têm de aprender e saber a tabuada de cor e salteado para depois poderem apreender os outros conceitos… Não sei o que pensam disso os grandes especialistas destes novos tempos que dizem que não se deve obrigar as crianças a decorar nada… pois não decoram a tabuada, não decoram fórmulas, muito menos orações, naqueles que ainda vão à catequese e dão-lhes formas estranhas e complicadas de aprender pela dedução e pelo raciocínio. Por isso mesmo, também já há muitos professores e psicólogos a dizer que é uma violência começar cada vez mais cedo o ensino básico, porque aos cinco anos o que uma criança precisa é de interagir brincando e conhecendo o mundo que a rodeia… Por isso mesmo, muitas delas tão cedo se fartam de estudar… e também há muitos adultos a quererem fazer contas sem nunca terem sabido a tabuada de cor e salteado…


Meus queridos! Li na passada Terça-feira, no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, a resposta que os armadores dos navios de carga que operam nos Açores deram aos deputados regionais por via da resolução que aprovaram para que seja feito um estudo sobre os transportes marítimos de mercadorias para a Região e dentro dela. Os armadores não estiveram com meias medidas e defenderam a sua dama, ao ponto de concluírem a missiva dizendo aos deputados que “neste momento e nas condições do mercado actual era mais rentável não operar para os Açores”. Foi forte e sabe-se que não é isso que pretendem, mas também é preciso que se diga que com a redacção daquela Resolução, nos termos em que foi formulada, os senhores deputados puseram-se a jeito, dando impressão que mais do que servir os Açores, continuam na velha guerra de interesses de ilhas e grupos porque, como acontece com os aviões, há por aí muita gente a querer navio à porta… assim como o avião também… sem se pensar no resto!
Ricos! A minha prima Teresinha foi um dia destes aos CTT, em Ponta Delgada, lá para os lados de São Joaquim e viu com espanto uma senhora sair do Parque Atlântico, pela Rua de São Joaquim afora, com um carrinho de compras vazio e com a criança lá dentro. E ainda passou pelo quartel da polícia e foi vista pelo agente que lá estava e seguiu o seu caminho tranquilamente. Mais adiante deixou o carrinho de compras abandonado no canto da rua e seguiu o seu caminho. Dizem que para aqueles lados a coisa é frequente, mas mostra bem o longo caminho que há a percorrer para corrigir tanta falta de respeito e civismo. Mas é o que temos…


Ricos! Esta semana e no panorama dos canais de televisão nacionais, a TVI 24 transmutou-se em CNN e a coisa não esteve para meias medidas, que até o frontispício do Mosteiro dos Jerónimos foi decorado a preceito e engalanado para assinalar o início das emissões, que mereceu a “bênção” de um ilustre e antigo comentador, hoje Presidente da República… Se um monumento nacional pode ser assim comercializável, está tudo dito, mas ao que parece não foi pela casca que se viu o miolo, já que a dita cuja estação, segundo o rol dos comentários, não abriu em grande nem foi aquele “furo”… entrevistar o fugitivo Rendeiro… gastando um dia com a repetição da entrevista a todas as horas,… Cá por mim, já não posso ver ou ouvir notícias sobre a “vedeta” em que se tornou o fugitivo Rendeiro… e o que faço quando ele aparece é mudar de canal, embora ele seja notícia em quase todos os canais! A aparição nos telejornais de semelhante figura… contribui  para a revolta de quem tem visto a sua vida andar para trás por via das aventuras e falcatruas de tantos banqueiros e associados…


Ricos! Já lá vai o tempo em que uma das principais características e virtudes de um político era dominar a arte da palavra e saber quando devia falar, …e quando falar ter pensado mil vezes antes. Isso aplica-se a quantos políticos que antes e durante a discussão do Plano e Orçamento deviam ter pensado nessa regra para evitar deploráveis avanços e recuos para, no fim, tudo ficar como antes no castelo de Abrantes… o mesmo principio aplica-se à Ministra Temido, que de certeza não pensou nisso quando disse que queria médicos mais resilientes…  e levantou a onda de protestos que toda a gente viu. Bem tentou emendar a mão, mas depois de sair da boca para fora… é difícil apanhar de novo… O que está a faltar a muitos políticos, a começar bem cá por casa, é este sentido de Estado que não se ganha na cadeira do poder mas na sabedoria da vida. E às vezes uma palavra basta para destruir muito trabalho feito. A era da comunicação não perdoa.

Print
Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima