Açoriana conta em programa de televisão como foi alvo de bullying na escola e discriminada no trabalho devido a uma malformação no lábio

 Maria Garcia nasceu nos Açores e foi uma das convidadas do programa de Júlia Pinheiro desta semana. Ao longo da conversa disponibilizada pela SIC através do seu site, a açoriana partilhou os desafios que teve que encarar para encontrar trabalho, tudo devido a uma malformação no lábio que, aos seis anos de idade, começou por se manifestar.
Até então, contou no programa, teve uma infância feliz, partilhando que era uma “menina muito alegre e faladora”. Porém, assim que a malformação no lábio causada por “um problema entre as artérias e as veias, que estão interligadas,” começou a ser notada, começou a tornar-se numa jovem “calada, reservada e triste”.
Este problema de saúde, causado pelo acumular de sangue entre as artérias e as veias do seu lábio superior, levou a que a açoriana viesse a sofrer de bullying na escola e que se sentisse “observada e comentada na rua”. Ao terminar o seu curso no ensino superior, Maria Garcia acabou também por ter muitas dificuldades em encontrar trabalho, o que acabou por piorar a sua saúde mental também.

“Foi muito difícil arranjar
trabalho porque o que ouvia
é que não era apresentável”

“Foi muito difícil arranjar trabalho porque uma das coisas que eu mais ouvia é que não era apresentável ao público”, contou a açoriana, partilhando que tentou trabalhar em recepções de hotéis, já que, para além do português, sabe também falar inglês e francês. Porém, mesmo com estas qualificações, não conseguiu emprego na hotelaria, acabando por entrar para uma empresa de limpezas, na qual fazia o turno da noite.
No entanto, foi através deste emprego que a açoriana convidada por Júlia Pinheiro ganhou coragem para tentar remediar o seu problema físico, já que foi durante uma consulta com o médico do trabalho que lhe foi aconselhado a procurar a médica de família: “Entretanto tive que ir à medicina do trabalho, e foi lá que o médico me disse que isto poderia ser um tumor e que se me afectava tanto a saúde mental, se começava já a doer – porque tinha aumentado de tamanho – que deveria tentar falar com a minha médica de família para reabrir o processo”.
Quanto aos riscos de retirar o tumor, explicou a Júlia Pinheiro que esta é uma intervenção complicada por existir o risco de perder muito sangue durante o processo, por isso terá que ser feito por embolização para estagnar o sangue. A partir da embolização, os médicos tentarão depois tirar “os vários tumores que se criaram pelo acumular do sangue, e depois fazerem a reconstrução do lábio”.
De acordo com a jovem açoriana, saber que o seu problema tem uma solução à vista traz-lhe “alívio em vez de aflição”, tendo em conta que se tem sentido muito bem acolhida sempre que vai ao Hospital de São José.

Este problema mexeu com a sua
saúde mental deixando-a ansiosa
“quando algo está a fugir do controlo”

Este problema mexeu também muito com a sua saúde mental, deixando-a ansiosa sempre que sente que “algo está a fugir do seu controlo”. Actualmente, a convidada de Júlia Pinheiro está a ser acompanhada por um profissional de Psiquiatria, tendo em conta que tem também histórico de doenças mentais na família e que, em 2019, fez uma tentativa de suicídio devido à dificuldade em encontrar trabalho e, também, conforme explica, ao facto de ter visto chegar ao fim uma relação de oito anos.
“Sentia que era tudo minha culpa, sentia que não era suficiente e tentei o suicídio de forma muito irresponsável, com o meu sobrinho mais velho no quarto comigo.

Despediu-se do seu clarinete
no concerto do Natal porque
magoa a zona do tumor

Ele estava no meu computador a jogar e eu pensei “ele está distraído, vou tomar todos os comprimidos que tenho aqui na minha mesinha de cabeceira”, mas ele reparou e perguntou o que estava a fazer. Eu disse-lhe “nada”, disse-lhe que gostava muito dele e pedi-lhe para que não se esquecesse disso. Acho que ele percebeu, começou a chorar, a gritar e foi chamar os meus pais, que queriam chamar a ambulância mas entretanto não foi preciso porque tomei Trifen e não deu em nada”, conta.
Enquanto não fizer a intervenção cirúrgica que lhe é recomendada pelos médicos, Maria Garcia escolheu abdicar de um dos seus passatempos preferidos, a música, uma vez que ao tocar clarinete acaba por provocar dor na zona do tumor. Aproveitou um concerto de Natal recente para se “despedir” do instrumento.
                                 
                        

 

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