18 de janeiro de 2022

Opinião

Capitólio já está a arder?

Foi há um ano.
Seis de Janeiro de dois mil vinte e um.
Washington D. C.
A Pátria da Democracia e da Liberdade era colocada à prova.
Não por um atentado terrorista como o do 11 de Setembro de 2001.
Nem pela ameaça dum ataque nuclear da Coreia do Norte ou do Irão.
Mas duma provação ultrajante e ignóbil!
Levada a cabo por aqueles que mais aclamavam América Primeiro.
O Capitólio já está a arder?
Título associado à célebre e tresloucada ordem de Hitler de incendiar Paris dada ao comandante militar general von Choltitz no verão de 1944.
Quando face ao avanço dos aliados, lhe perguntava se Paris já estava a arder?
Pergunta que em Janeiro de 2021, muitos apoiantes do assalto ao Capitólio, faziam aos energúmenos da linha da frente das hostes invasores.
O dia da raiva e do ódio, que quase fazia soçobrar uma das mais sólidas democracias do mundo.
O dia em que a Estátua da Liberdade construída na ilha de Manhattan, até “chorou”.
Testemunha de muitos milhões de imigrantes vindos de todas as partes do mundo, que nas primeiras décadas do século passado, passaram pelo posto de inspecção da Ellis Island, localizada na baía de Nova Iorque.
Manifestantes descendentes daqueles pioneiros que fizeram a América Grande, mas que agora faziam da xenofobia, a palavra forte do seu radical  posicionamento político e ideológico.
Alguém comparava a invasão do Capitólio pela extrema-direita apoiante de Trump, ao assalto ao Palácio de Inverno em Moscovo, sede do governo russo, perpetrado em 17 de Outubro de 1917 pelos bolcheviques, dando assim inicio à tomada do poder pelo partido comunista.
Ignomínia e afronta. O dia em que o Capitólio quase capitulava.
Qual a causa da invasão do Capitólio desencadeada com tamanha violência?
Trump não aceitando a derrota nas eleições presidenciais, descartava reconhecer a vitória do seu opositor democrata Joe Biden.
Enquanto as várias instituições americanas e a maioria dos republicanos, incluindo o Vice - Presidente, já tinham confirmado os resultados e se preparavam para os oficializar na Casa da Democracia - o Capitólio.
Trágicos acontecimentos que surpreenderam o mundo e marcaram a história da América.
Considerados por Trump e pelo seu mentor Steve Bannon, assim como por um dos homens fortes da Casa Branca Mark Meadows como uma “revolução de patriotas”.
Todas estas personagens e outras mais, estão a ser investigadas não só por serem os seus autores morais, mas por existirem suspeitas de terem encorajado e até mesmo coordenado aquele que já foi considerado o mais hediondo ataque ao Capitólio.
Tal jamais tinha ocorrido, desde a 2.ª guerra pela independência travada em 1812 contra a Grã - Bretanha, potência colonial dos já independentes Estados Unidos da América.
Donald Trump, que enquanto Presidente, tudo fez por dividir ainda mais a América.
Utilizando as redes sociais para difundir as suas tristemente famosas notícias falsas e mentiras, já com honras de mural em Nova Iorque.
Tendo-se distinguido por negar as alterações climáticas, recusando-se a assinar o acordo de Paris de 2015.
Que como Bolsonaro e outros populistas por esta Europa fora, incluindo Portugal, sempre negaram a pandemia e a toma das vacinas, proclamando que se tratava apenas duma “gripezinha”.
Responsáveis, pelo menos politicamente, pelos milhares de mortes que aconteceram nos respectivos países, negando os aconselhamentos dos cientistas e especialistas em saúde pública.
Trump que teve a desfaçatez de declarar e até desafiar o comité Nobel, de que ele era merecedor do Prémio Nobel da Paz.
Pela coragem de ultrapassar o paralelo 38, que divide a península coreana, abraçado ao ditador comunista Jong da Coreia do Norte.
E por ser o presidente americano, que poderia estabelecer boas relações com a China.
Por considerar o Presidente Xi um bom amigo e o ter convidado para uma partida de golfe na sua mansão da Florida.
Os populistas, seja que de lado estejam, procuram que as emoções, mesmo as mais primárias e contraditórias, se superiorizem à racionalidade das opções e decisões.
Numa altura em que Trump se prepara para inaugurar o seu próprio canal de televisão e a sua rede social, projecto liderado pelo açor – americano Devin Nunes, seu incondicional apoiante.
Também ficará para a história a forma insultuosa como se dirigiu ao Secretário - Geral da ONU António Guterres, quando recebeu na sede da organização a jovem sueca Greta, activista ambiental.
Insultos que se estenderam aos Chefes de Estado de vários países presentes.
É esta personagem que planeia, voltar a candidatar-se à ainda maior potência mundial.
Sabe que pode contar com o apoio do Czar Putin.
O Imperador Xi do renascido império do Meio, poderá finalmente proclamar a sua entronização ao som da “ Marcha dos Voluntários”, hino nacional da República Popular da China.

 

Por: António Benjamim

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