23 de janeiro de 2022

Recados com Amor...

Meus Queridos! Anda para aí uma embrulhada com sobre consultas médicas dadas no Hospital do Divino Espírito Santo que contas feitas atingem o valor 3.900 euros cada uma. A minha comadre Maria da Praia, telefonou-me, dizendo que tinha estado a ler o Diário Insular do dia 19 de Janeiro, onde a Presidente do hospital de Ponta Delgada declara que a representante da Ordem dos Médicos, Drª. Margarida Moura, fez 12 consultas em 2019 e 18 consultas em 2020 e 2021. Os cálculos do valor de cada consulta foram feitos com base no vencimento anual de 70 mil euros, auferido pela médica. Feitas as contas, as 12 consultas feitas pela profissional em questão em 2019, custaram ao Hospital do Divino Espírito Santo 5.800,00 € por consulta, e as 18 consultas feitas em cada ano em 2020 e 2021, com base no mesmo vencimento de 70 mil euros por ano, custaram ao Hospital do Divino do Divino Espírito Santo 3.900,00€ por cada consulta. Este assunto está a ser examinado pela Comissão competente da Assembleia Legislativa dos Açores, e a Presidente do hospital declarou na audição que a média de consultas nos diversos serviços do Hospital é superior a 400 consultas por ano. Maria da Praia diz que o Jornal Diário Insular pediu por escrito à médica Margarida Moura que explicasse as razões que justificam tal situação, mas como resposta Margarida Moura disse que não pode prestar declarações “sem autorização superior” Assim sendo, fica o Diário Insular e a minha comadre Maria da Praia a aguardar que a médica Margarida Moura possa dizer de sua justiça…. Para que a venha a público a verdade sobre os factos!


Meus queridos! No passado Domingo, no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, tanto o editorial do meu querido director Américo Viveiros como a entrevista do jornalista Luís Lobão ao professor José Ornelas merecem uma leitura atenta por parte de todos os intervenientes no cada vez mais difícil e preocupante problema dos casos de indigência, de droga, de insegurança e de dramas sociais a que assistimos todos os dias. Sabemos que o problema não é só nosso, mas devemos aprender com quem já fez diferente, porque está mais que provado que muitos dos métodos aqui usados não resultaram e não resultam mesmo. O caminho, por exemplo, para a retirada das pessoas das ruas não pode continuar a ser o de criar grandes estruturas de acolhimento, como foi opção em Ponta Delgada. E lembro-me da força com que o incansável, e incómodo para muita gente, monsenhor Weber Machado se insurgiu contra esta medida, querendo ele que fossem sendo alojados em espaços onde tivessem a sua responsabilidade e autonomia. Nunca foi ouvido, e hoje vê-se que a solução encontrada em Lisboa e que deu alguns resultados positivos, foi precisamente no nesse caminho. Por isso, acho que aquela entrevista e o editorial de Domingo passado não devem ser esquecidos, porque a verdade é que não podemos continuar com este crescente de medo e preocupações. E esta deve ser uma luta sem tréguas…

Meus Queridos! A minha comadre Maria do Amparo, tem um negócio que lhe tem dado uma grande dor de cabeça para manter a empresa e o restaurante que já tem uns anitos, e que é muito procurado por residentes e por estrangeiros, porque a ementa é feita com produtos cá da terra e com sabores tradicionais. Ela diz que além das apoquentações com o fecha e abre por causa das restrições criadas pelo maldito vírus que não nos larga… e pelos prejuízos que isso representa, está a falta de apoios capazes de minimizar o “rombo” nas receitas, Maria do Amparo lamenta que tenha sobrevivido à pandemia a horrenda burocracia, que se junta às exigências feitas pelas entidades dedicadas às inspecções que obriga a gastar um poderio de dinheiro, e a andar de repartição em repartição… já que esses serviços públicos agora preferem estar em teletrabalho…. e só atendem quando querem… Isto tudo vem a propósito da minha comadre Maria do  Amparo, que é uma mulher muito atenta à recolha de informação útil para a sua actividade, ter visto publicada no dia 20 de Janeiro pelo “defunto” Governo do meu rico Primeiro-ministro António Costa a Portaria n.º 47/2022 de 20 de Janeiro que procede à 8.ª alteração do Regulamento do Registo Comercial, aprovado em anexo à Portaria n.º 657 -A/2006, de 29 de Junho. Ela não viu qual é a alteração que agora é feita ao Regulamento do Registo Comercial, mas o que sabe é que tal alteração só entrará em vigor em 3 de Setembro de 2022. Ora, Maria do Amparo ficou furiosa porque estamos a oito dias das eleições e o Governo de António Costa continua a legislar para o próximo Governo, sem saber se será o seu ou não. Trata-se de uma Portaria, e neste caso o Presidente da República não é tido nem havido,… mas o mesmo não se passa com os Decretos-lei que têm de ter a chancela da homologação do Presidente…. Portugal parece o país das maravilhas e quem sofre são sempre os mesmos… O Zé povinho!  

Ricos! Quando pensava já ter visto tudo e ouvido tudo nesta campanha eleitoral, fiquei menente quando li que no programa do PAN se propõe que as rações para os animais de companhia, tipo gatos ou cães (pulgas e carrapatos é outra história que não chega para aqui) devem passar a ser feitas apenas com vegetais e não com carne de outros animais… Já estou a ver a minha “Pantufa”, velhinha de 12 ou 13 anos a dizer adeus às cabeças de chicharro ou ao peito de frango que ela tanto adora, para ser obrigada a comer salada e alface ou molho de coucel e beldroegas. Ou então um cão-de-fila sentado diante de um bolo de batata e cenoura, maldizendo a sua sorte porque alguém resolve que, por decreto, os animais carnívoros têm de passar a ser vegetarianos. Que as pessoas possam optar por essa alimentação, …lá vai lá vai,.. embora eu não me queira separar nunca de um bom bife “do prado ao prato” e duns saborosos chicharrinhos fritos… mas que as rações para cães e gatos… deixem de ter compostos animais, é obra. Fico sem saber o que fazer quando a minha “Pantufa” se dignar abocanhar um dos periquitos que tenho na gaiola… e faça dele um aperitivo… como é costume acontecer… A gente sabe que depois das eleições passam esses fervores PANescos, mas custa ouvir esses sonhos que se tornam em delírios.

Ricos! E já que estou a falar de democracia sempre quero dizer que não consigo entender os argumentos usados pelo Governo do Primeiro-Costa para abrir a votação também aos que estão confinados com testes positivos da Covid. Não quero de forma nenhuma dizer se está bem ou se está mal, pois isto compete a quem vai estar nas mesas com risco de apanhar o bicho, mas dizer que se os infectados podem quebrar o isolamento para ir ao médico e fazer os testes também podem ir votar é argumento que não cabe na cabeça de ninguém, pois que quando vão ao médico ou aos testes são atendidos por pessoas altamente protegidas e que sabem profissionalmente lidar com a situação. Muito diferente é ir a uma mesa de voto onde há riscos que não podem ser evitados. Mas como sempre digo, depois da festa é que vamos ver…

Ricos: A minha prima Francelina muito se tem divertido com a campanha da simpatiquíssima cabeça de lista da CDU, a prestável professora Judite Barros, que é vizinha daqui na minha cidade norte, pois todos os dias ela leva para a campanha uma boina bem colorida, com uns bonequinhos muito divertidos. Tal é o efeito daquelas expressivas boinas que até a netinha lhe pediu uma igual à senhora que aparece na televisão. A Francelina ainda tentou numa ida à loja dos chineses comprar uma das divertidas boinas para oferecer à neta, mas para seu espanto todas elas já se tinham vendido, deixando as prateleiras dos chineses vazias, para tristeza da pequenota. As más-línguas da sua rua não falam noutra coisa e começaram a associar as boinas da candidata Judite Barros aos pulloveres do “Tiaguim” que tanta tinta fez correr nas redes sociais. A Francelina e as amigas já fizeram umas apostas sobre o efeito eleitoral do uso das boinas da minha querida professora Judite e aguardam com expectativa o resultado eleitoral da CDU nos Açores.

Meus queridos! Com todo este Inverno e com as chuvas fortes, mais uma vez se viu que há necessidade absoluta de se pensar no ordenamento do território e na obrigação de fazer com que as águas das pastagens não cheguem à via pública tornando as ruas em verdadeiras ribeiras e com os perigos associados... Disse-me a minha prima Maria da Vila que este assunto esteve presente na reunião desta semana da Câmara da velha capital e que o Presidente Ricardo Rodrigues disse que esta será uma das preocupações da AMISM (Associação de Municípios de São Miguel) e que a Câmara da Vila até já mandou cartas registadas aos lavradores para construírem regos e pontos de retenção das águas nos pastos, com o município a apoiar. Diz o Presidente que poucas foram as respostas e que até houve lavradores que proibiram a entrada nos seus pastos. Por isso, diz Ricardo Rodrigues, o que há é que criar legislação, porque sem ela vamos viver de palavras e apelos enquanto as águas vão continuar a vir para as estradas… Lá isso é verdade e cabe aos senhores deputados regionais apresentar propostas de Decreto Legislativo sobre matéria tão importante, para se evitar o que está a acontecer nos Arrifes, e o que já aconteceu nos Mosteiros, nas Feteiras, isto para não falar no que acontece de quando em vez na Povoação. Cá por mim, acho que a AMISM ou a AMRA deviam pôr mãos à obra e preparar um projecto de Decreto Regional sobre a reposição das linhas d’àgua nos terrenos agrícolas e nas pastagens com o apoio também do IROA !

Meus queridos! Não podia terminar os meus recadinhos desta semana sem o meu silêncio de respeito pela memória do grande Açoreano (escrevo assim propositadamente) que foi Álvaro Lemos, falecido esta semana. A sua tocante irreverência, a sua determinação e voluntarismo em todas as causas que abraçava fazem com que a sua memória não se apague com o tempo. Marcou como comandante dos Bombeiros, marcou como militante do ideal da independência dos Açores, marcou como grande profissional nos tempos áureos dos despachantes alfandegários e foi sempre uma voz inconformada pelos “esquecimentos” de Portugal em relação aos Açores. Foi antigo combatente e dizia orgulhoso que “serviu Portugal por obrigação e os Açores por devoção”. E como gesto final quis que em vez de flores no seu funeral, o valor fosse traduzido em auxílio aos Bombeiros. Coisas que jamais esquecem e por isso vai daqui também o meu ternurento beijinho de pêsames a toda a sua querida família.

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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