Pai e filho arguidos em caso de homicídio na Lomba da Maia alegam que morte foi acidental

O julgamento que colocou no banco dos réus pai e filho, acusados do homicídio qualificado de um indivíduo do sexo masculino, de tentativa de homicídio qualificado, de furto, de ameaça agravada e de invasão de lugar vedado começou ontem em Ponta Delgada. No julgamento, os acusados alegam que o tiro mortal ocorreu de forma acidental após uma discussão e altercação com a vítima e com os seus três filhos, que se tinham dirigido a eles empunhando “barrotes” e ameaçando-os. Os arguidos que afirmaram vir da caça, negam o furto, como refere a acusação do Ministério Público, bem como a ameaça agravada e a invasão de lugar vedado.
De acordo com o Ministério Público, os factos, ocorridos na noite de dia 19 de Maio, na freguesia da Lomba da Maia, tiveram início com um alegado furto, cometido pelos arguidos, a uma casa de férias pertencente à família da vítima. No decorrer da tarde de ontem, os três filhos da vítima depuseram perante o colectivo de juízes no Tribunal de Ponta Delgada. Um dos filhos a depor relatou que se encontrava em casa quando um dos irmãos, que tinha visto os arguidos empunhando armas (caçadeiras) no interior de uma viatura que lhes pertencia nas imediações da casa de férias localizada no Burgete, entrou na residência e informou-o e ao pai do que tinha sucedido. O irmão saiu imediatamente de casa e deslocou-se para o fundo da rua onde os arguidos se encontravam, já no exterior da viatura. Esta testemunha alega que os arguidos estavam a discutir com o irmão, empunhando e apontado uma arma na direcção deste. O pai, continua a descrever esta testemunha, tentou tirar a arma de um dos arguidos, que posteriormente disparou para o irmão que já se encontrava no local, atingindo-o no braço. Após este primeiro disparo, esta testemunha afirma que, posteriormente, o mais velho dos arguidos disparou e atingiu o pai nas costas que tentava fugir em direcção à sua casa, causando a sua morte. Este, filho da vítima, relatou ainda que o pai ficou no meio da estrada e que, se não tivesse retirado o corpo do seu progenitor do centro da estrada, a viatura dos arguidos que se colocaram em fuga “teria passado por cima”. Realçando que “foi tudo muito rápido”, esta testemunha admitiu que nunca pensou que os réus fossem capazes “de fazer o que fizeram” e que o irmão, atingido por um disparo, ainda “sente muitas dores”. A testemunha, inquirida pelos advogados de defesa, garantiu que a família “não tinha armas em casa”, que não tinha conhecimento de quaisquer assuntos por resolver entre os envolvidos e nega que se tenham dirigido aos arguidos empunhando qualquer tipo de arma.
O segundo dos irmãos a depor, explicou que não assistiu “a nada” porque se encontrava em casa de um tio, que habita mais acima da rua onde tudo ocorreu. Apesar disso, afirmou ter ouvido “dois disparos” e visto um dos arguidos empunhando uma arma mas que “não o viu disparar para ninguém”. Apercebendo-se de que algo de grave se passava, esta testemunha deslocou-se depois para o local onde se deram os disparos deparando-se com o pai já morto e com um dos irmãos feridos.
A última das testemunhas presenciais a depor, um amigo do irmão atingido pelo disparo, confirma ter avistado a viatura dos arguidos a passar numa estrada próxima da casa de férias do Burguete da família das vítimas. Admitindo que é normal ouvir o som de disparos “de caçadores”, esta testemunha contou que se encontrava no interior da viatura do irmão atingido pelos disparos, enquanto este se tinha deslocado a casa, quando a viatura pertencente aos arguidos estacionou “em frente”. Confirmando a versão das vítimas de que “não traziam nada nas mãos”, esta testemunha afirma que apesar de ter tido uma arma apontada, conseguiu fugir para um pasto nas imediações do local “e não olhei para trás”. Só após ter ouvido os dois disparos e ter visto o carro dos arguidos a deixar o local, é que voltou para o local e se deparou com o cenário de crime.
Devido ao grande número de testemunhas arroladas para este processo, o julgamento irá prosseguir agora no próximo dia 1 de Fevereiro.   

                                  

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