20 de junho de 2018

Área de Paisagem Protegida do Monte da Guia

O Monte da Guia, o Monte Queimado, a Praia do Porto Pim e a sua área adjacente conformam a Área de Paisagem Protegida do Monte da Guia, localizada na ilha do Faial. O Monte da Guia é na realidade uma península que se liga por um istmo ao Monte Queimado. A encosta norte do Monte da Guia, voltada para a cidade da Horta, encontra-se dedicada a usos humanos enquanto a encosta sul se apresenta naturalizada. Na encosta sul a presença de duas crateras geminadas entre si e abertas para o oceano - as Caldeirinhas - constitui uma singularidade da paisagem valorizada pelas suas características geomorfológicas e pelo importante papel que estas crateras desempenham para os ecossistemas marinhos. O património cultural encontra-se particularmente bem conservado nesta área de paisagem protegida, com destaque para a recuperação da casa dos Dabney e do seu lagar, do miradouro e da vinha. Uma antiga fábrica de transformação de pescado é atualmente o Aquário do Porto Pim e a fábrica da baleia é a sede do Observatório Marítimo dos Açores e um museu da baleação, que está atualmente a ser recuperado. No que diz respeito ao património imaterial destaque-se a presença da ermida de Nossa Senhora da Guia e a procissão de marítimos que todos os anos se realiza a partir desta ermida até à Praia de Porto Pim, e depois por mar até ao Cais de Santa Cruz. Esta área protegida integra-se numa Zona Especial de Conservação pertencente à Rede Natura 2000. No Plano Sectorial da Rede Natura 2000 identifica-se a presença de espécies de vegetação exótica invasora como um fator que pode ter impacto negativo na sua conservação. A erradicação da flora invasora tem sido realizada de forma continuada ao longo dos últimos anos, no entanto existem ainda alguns focos de dispersão de canas (Arundo donax), incenso (Pittosporum undulatum) e lantana (Lantana camara), que se encontram no topo do Monte Queimado, nos terrenos privados do Monte da Guia e nas Caldeirinhas. Como medidas minimizadores e preventivas, o Plano Sectorial da Rede Natura 2000 refere, entre outras, as seguintes: - Monitorizar e controlar as espécies invasoras; - Promover a aplicação de medidas de valorização e expansão das formações vegetais naturais, de forma a conciliar as funções de proteção com o aumento de biodiversidade; - Proceder ao repovoamento com espécies endémicas e nativas; - Estabelecer e implementar programas de vigilância para prevenir o aparecimento de novas espécies invasoras; - Promover a sensibilização do público em geral e das entidades responsáveis. Estas medidas têm sido geralmente aplicadas, no entanto o trabalho de conservação da natureza é um trabalho de continuidade que requer uma ação prolongada no tempo. A conjugação das medidas minimizadoras e preventivas previstas no Plano Sectorial da Rede Natura 2000 com os objetivos de gestão previstos no Decreto Legislativo Regulamentar que criou o Parque Natural de Ilha do Faial poderá ser concretizada no âmbito dos Planos de Gestão dos Parques Naturais de Ilha. A erradicação das espécies invasoras pode ser executada faseadamente por equipas que integrem pessoal técnico e voluntários, pelos meios mais adequados a cada local, acompanhada pela plantação simultânea de espécies de vegetação endémica. A resolução dos conflitos de usos com as áreas de acesso restrito, a recuperação de outros elementos de valor cultural existentes e que necessitam de atenção, como os panos de muralha filipina, e a valorização do anfiteatro podem também ser intervenções a concretizar nesta área protegida. Tem sido concretizado um bom trabalho nesta área protegida, há no entanto que continuar a trabalhar no sentido da conservação dos elementos de valor natural e cultural presentes.
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Categorias: Opinião

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