Empresas de observação de baleias estão a prejudicar-se por se concentrarem apenas ao largo de Ponta Delgada

O Director Regional dos Assuntos do Mar, Filipe Porteiro, afirmou ontem ao Correio dos Açores, que não há operadores marítimo-turísticos de observação de cetáceos a mais na ilha de São Miguel, sublinhando que existe, sim, uma grande concentração de todos ou quase todos estes operadores numa pequena zona do mar ao largo de Ponta Delgada. Os operadores marítimo-turísticos, na opinião de Filipe Porteiro, “têm que se expandir no mar, devem ocupar o mar, utilizar todo o potencial do mar e não ficarem todos fixados numa área reduzida”. “É verdade que têm a questão do consumo de combustível e o tempo que de viagens mas, para a qualidade das suas actividades, eles têm que ter aqui uma visão de que se têm que espalhar pelo espaço marítimo que está disponível para eles”, acentuou. “O que eu digo aos operadores marítimo-turísticos é que, até para a qualidade do produto que oferecem, têm que diversificar a utilização do espaço. Não podem, pura e simplesmente, ocupar – devido à proximidade –, todos o mesmo espaço ao largo de Ponta Delgada”. “Há outros espaços e eles têm que distribuir a sua actividade por todo este espaço sob o risco até de prejudicarem, de alguma forma, a sua actividade”, completou. O Director dos Assuntos do Mar falava ao Correio dos Açores à margem de um encontro que decorreu ontem, em simultâneo, nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial, com o objectivo de ouvir os parceiros ligados às actividades do mar para elaborar um documento que ordene o espaço marítimo, de uma forma integrada, em redor das nove ilhas da Região. Nas três ilhas estiveram cerca de 80 interessados, cinquenta dos quais na ilha de São Miguel, entre os quais, responsáveis por autarquias, pescadores, empresários com interesses em actividades marítimo-turísticas, investigadores do mar, gestores e especialistas em ordenamento da Universidade dos Açores. Durante o encontro de ontem foram identificadas áreas para determinadas actividades e com potencial de crescimento para certos usos, “compatibilizando a actividade económica com a conservação do ambiente, procurando que seja sustentável”. Neste enquadramento, Filipe Porteiro, relevou a importância de se fazerem “licenciamentos transparentes, justo e legalmente bem sólidos” para a utilização do espaço marítimo. “O ordenamento do território no espaço marítimo é, de certa forma, uma novidade. Na última década a humanidade acordou para a necessidade de ordenar o seu espaço marítimo que, até então, tinha regulamentações e algum ordenamento mais sectorial, como, por exemplo, para as pescas ou para as actividades marítimo-turísticas. Neste momento, o que se pretende é a integração desta regulamentação de uso do espaço marítimo de forma integrada para todas as actividades marítimas. Permitir, por um lado, que haja crescimento de algumas actividades que estão emergentes mas que, depois, minimize também conflitos”, disse. Será um ordenamento “mais formal, mais unificador de todas as actividades marítimas” e, neste contexto, e “é importante que haja a confiança dos utilizadores que têm de “consolidar a perspectiva de ordenamento espacial do mar de uma forma mais sólida, mais robusta, para que as actividades possam utilizar o espaço, compatibilizando-as com os interesses da conservação ou da investigação”. A Direcção Regional dos Assuntos do Mar procurou ter nos encontros em São Miguel, Terceira e Faial, os sectores mais representativos e mais importantes das actividades do mar, na Região. “Procurámos envolvê-los todos. Mas, como sabe, a sociedade ainda não está completamente madura para ter uma participação cívica muito sólida. Contudo, vamos mudando devagar e progressivamente este paradigma e tentar envolver as pessoas nestas discussões que são fundamentais para elas e para as suas actividades económicas, também”, completou.
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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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