Empresários açorianos devem considerar formas alternativas de financiamento para os seus projectos

Os empresários devem “estar conscientes das várias oportunidades relativas ao financiamento das suas empresas” alheias aos empréstimos bancários, salientou Mário Fortuna aquando da realização da conferência intitulada “Financiamento Empresarial: que alternativas”, organizada pela Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) no Hotel Azor, referindo ainda na ocasião que as empresas devem estar “atentas à incerteza e às opções que existem para mitigar o risco”. No entanto, apesar das alternativas existentes, o Presidente da CCIPD adianta que este é um cenário “que não é fácil” uma vez que “nem todos terão acesso a todos os instrumentos que existem, mas é bom que saibamos quais são”, tornando assim possível que cada empresário aplique ao seu negócio aquilo que lhe for mais conveniente, como é o caso do investimento no Mercado de Capitais no qual, de acordo com Paulo Rodrigues da Silva, a “porta de entrada para a maioria das empresas é a dívida”. Segundo o CEO do Grupo Euronext Lisbon, existem três razões essenciais para uma empresa considerar a sua entrada no Mercado de Capitais, nomeadamente o facto de esta necessitar de capital “para fazer crescer uma história ou um projecto credível”, seja para obter patrocínios, para fazer novos investimentos ou para fazer uma reestruturação. Outro motivo apresentado pelo primeiro interveniente desta conferência está na necessidade de obter liquidez, referindo que este é um cenário comum “nas empresas familiares, quando há um ramo da família que quer sair do negócio e quer saber quanto a empresa vale”, considerando-se que, nesse cenário, não há interferências no montante no qual é avaliada. Ainda de acordo com o CEO desta Bolsa Pan-Europeia, um terceiro motivo que poderá levar a que as empresas optem por este tipo de financiamento alternativo, está relacionado com a visibilidade e a credibilidade que a empresa tenciona que faça parte do seu futuro, referindo que “estar na Bolsa é um carimbo” que revela todo o processo pelo qual os empresários passaram, desde as auditorias aos relatórios e ainda pelas explicações relacionadas com a situação financeira da empresa e a criação de processos de governação interna. Deste modo, ao passar por todo este processo, Paulo Rodrigues da Silva adianta que estar na Bolsa é, para além de uma forma de conseguir contratos internacionais que podem elevar o nome de uma empresa, é também uma forma de se conseguir “preservar o controlo” da mesma: “muitas vezes pensa-se que abrir o capital e ter novos accionistas faz-nos perder o controlo, mas estar na bolsa é melhor do que ter um investidor financeiro de grande peso que vai interferir mais na empresa”, explica. Para o CEO da Euronext Lisbon, estas alternativas ao financiamento bancário de curto prazo devem, no entanto, ser apenas ponderadas “quando as empresas têm projectos que são de maior prazo”, uma vez que esta é uma forma de “obter financiamento compatível com o prazo desse investimento”, considerando ainda que “os fundos de investimento têm agora uma maior atractividade para apostar no papel comercial”. No entanto, apesar de revelar que na carteira de clientes constam algumas empresas açorianas, Paulo Rodrigues da Silva refere que “as empresas que estão em Bolsa têm que ter algumas características essenciais” e que ao existirem na Bolsa algumas pequenas ou médias empresas, é fundamental que estas tenham “uma boa gestão, um projecto credível e uma razão pela qual precisam de capital” antes de ponderarem juntar-se ao Mercado de Capitais. De acordo com o interveniente nesta conferência destinada a empresários, esta é então uma boa altura “para comprar obrigações porque as taxas de juro estão muito baixas, e acima de tudo uma boa altura para as empresas emitirem obrigações, obterem financiamento de maior prazo a taxas de juro baixas”, referindo que, nos Estados Unidos, já começam a subir as taxas de juro, o que significa que “dentro de dois ou três anos é possível que as taxas de juro sejam mais altas, portanto este é um bom momento para quem tem projectos credíveis e ambição para se financiar a longo prazo”. Apesar desta maré favorável, Paulo Rodrigues da Silva refere que em alguns casos de financiamento alternativo “o risco para o empresário não é muito diferente do financiamento bancário”, e que esta é, de qualquer forma, “uma dívida que deve ser reembolsada”, referindo que a diferença está “nos prazos em que as empresas se financiam e com as taxas de juro que conseguem obter”. No entanto, ao “levar acções para a bolsa (…) e ter accionistas minoritários ou maioritários é uma solução diferente que não é dívida”. Na perspectiva do empresário António Maciel, proprietário da empresa Gerir & Organizar Lda., apesar de esta ser uma “alternativa para os empresários tendo em conta as taxas de juro que são, efectivamente, muito baixas”, a cotação das empresas em bolsa “obriga a um conhecimento do mercado e do acompanhamento constante da sua evolução, sob pena de se perderem um pouco nessas alternativas”, uma vez que no seu entender, só assim “é que é possível ser atractivo em termos das alternativas aos créditos tradicionais”. Neste sentido, o empresário de um negócio com 30 anos de idade, alerta que “quanto maior é a procura de rendimentos maior é o risco” uma vez que “existem grandes oscilações nesse tipo de mercado e depende sempre de factores exógenos que nem sempre dominamos”, adiantando, no entanto que “se não corrermos riscos, a melhor solução é permanecer num depósito a prazo”, o que por outro lado não tem “grande atractivo para investidores”.
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