Turismo rural progride com regras apertadas e Presidente das Casas Açorianas pede condições justas para todos os operadores nos Açores

O Governo dos Açores, através da Direção Regional do Turismo, assume o Azores Trail Run, que se estreia a 24 novembro na ilha das Flores, como um importante produto de turismo de natureza ativo, promovendo a primeira edição do Extreme West Atlantic Trail, que acolhe a final da Taça de Portugal de Trail. O anúncio da prova, que chega pela primeira vez ao Grupo Ocidental, foi feito durante o 1.º Encontro Turismo Flores e Corvo, em Santa Cruz das Flores. A Direcção Regional do Turismo anunciou que o Governo dos Açores através daquela instituição assume o Azores Trail Run, que se estreia a 24 Novembro na ilha das Flores, como um importante produto de turismo de natureza activo, promovendo a primeira edição do Extreme West Atlantic Trail, que acolhe a final da Taça de Portugal de Trail. O anúncio da prova, que chega pela primeira vez ao Grupo Ocidental, foi feito durante o 1.º Encontro Turismo Flores e Corvo, que terminou sábado em Santa Cruz das Flores. Depois de já se ter firmado nas ilhas do Triângulo e em Santa Maria, este é o quarto evento da marca Azores Trail Run em parceria com o Governo dos Açores. Pela dimensão da prova e por se realizar fora da época alta, esta iniciativa assume uma grande importância no tecido económico da ilha, sendo mais um exemplo que se enquadra na estratégia do Executivo açoriano de turismo de natureza ativo, enquanto evento relevante na captação de fluxos turísticos e na promoção da notoriedade do Destino Açores. A prova terá lugar no percurso já delimitado da Grande Rota das Flores, com cerca de 40 quilómetros de extensão, e acolhe a final da Taça de Portugal de Trail 2018, competição organizada pela Associação de Trail Running de Portugal. A Taça de Portugal de Trail carateriza-se por um nível de competição bastante elevado, existindo uma preocupação de integrar atletas de todo o país, que serão apurados por zona de competição (Norte, Centro, Sul, Madeira e Açores). Em simultâneo com a prova da Taça de Portugal decorrerá uma prova aberta, no mesmo percurso, com número de inscrições limitado, cuja abertura será anunciada em breve. Neste encontro, recorde-se, que Director Regional deixou ainda uma palavra de apreço à recém-formada Associação do Alojamento Local dos Açores, manifestando a convicção de que, “no âmbito das competências de cada entidade, o conhecimento e o trabalho conjunto futuro permitirá uma relação de confiança” que faça convergir esforços comuns. Filipe Macedo fez também uma referência à Inspeção Regional de Turismo, que viu aumentar o seu quadro de cinco para nove inspetores, pela “atenção que tem dispensado à atividade do Alojamento Local, para a qual tem vindo a dedicar grande parte dos seus recursos, nomeadamente à pesquisa, deteção e identificação de alojamento ilegal”, onde a informação encontrada nas plataformas de comercialização se revela extremamente útil. O Director Regional reconheceu que ainda há trabalho para fazer nestas matérias e que é absolutamente necessário um acompanhamento muito atento, sendo que a perceção do Executivo é que a oferta não registada se encontra bastante aquém dos números avançados recentemente pela Associação de Alojamento Local. “Fruto do trabalho que tem sido desenvolvido, grande parte dos alojamentos licenciados mais recentes, cujo número têm aumentado significativamente, provém de ações de deteção de alojamento ilegal, promovidas por esta Inspeção”, salientou o Diretor Regional, acrescentando que “através desta identificação, muitos dos que se encontravam ilegais estão já regularizados ou em fase de licenciamento e estão a ser desenvolvidas ações tendo em vista detetar eventuais novos alojamentos não registados, conduzindo-os pedagogicamente ao processo de licenciamento”. Casas Açorianas pedem regras mais justas para o Turismo Rural Por seu turno, o Presidente da Associação Casas Açorianas, que reúne cerca de meia centena de associados com unidades de turismo rural no arquipélago, no encontro, referiu que “ao longo do tempo de existência da Associação, temos cumprido planos de divulgação/promoção, através de contratos-programa anuais que permitem à Associação esse trabalho de afirmação de notoriedade do destino e, em particular, das unidades nossas associadas, pela visibilidade crescente dos meios de promoção utilizados, desde os mais tradicionais, até, sobretudo, com recurso às novas tecnologias. Ao nível das regras internas, foi decidido, para garantir a qualidade e autenticidade da oferta que promovemos, que todas as unidades associadas sejam submetidas a um processo de classificação de qualidade, realizado por uma entidade externa à Associação, para assegurar os padrões com que nos comprometemos. E esse trabalho tem sido feito com a boa colaboração de todos os associados”. Em suma, disse, “o turismo rural e de natureza nos Açores vem percorrendo um caminho de afirmação progressiva, dentro dos objectivos propostos e num enquadramento legal bastante apertado, que garantiu e garanta ser um produto-charneira na oferta turística açoriana. Acredito, e acreditamos, na associação Casas Açorianas, que esse papel continua a ser fundamental na notoriedade do destino Açores e na atractividade de nichos de mercado muito importantes para revelar o arquipélago como algo verdadeiramente especial”. Posto isto, sublinhou Gilberto Vieira, que nada o move contra o alojamento local nem qualquer outra tipologia similar, e muito menos nada move a Associação Casas Açorianas no mesmo sentido. “As minhas declarações, que assumo por inteiro, são sempre no sentido de lutar por condições justas de mercado, sobretudo no que respeita às exigências em diversos níveis que são impostas ao turismo rural, sendo muito mais favoráveis essas exigências para outras tipologias que agora se afirmam no mercado”. Mais, referiu, não estar a a sugerir que sejam aplicadas mais dificuldades às novas tipologias, “antes sugiro que o turismo rural e de natureza seja aliviado legalmente de algumas obrigações que, sobretudo no atual panorama da atividade turística na Região, limitam a sua capacidade de concorrência na atual realidade. E nem tem a ver apenas com as chamadas novas tipologias, a própria hotelaria convencional já não tem algumas obrigações que continuam a ser impostas apenas ao Turismo Rural. A obrigatoriedade de incluir o pequeno almoço na tarifa de alojamento é uma delas”. O Presidente das Casas Açorianas registou “com agrado o intuito da recém-criada Associação do Alojamento Local dos Açores de combater os alojamentos ilegais, por serem concorrência desleal e prejudicarem a imagem desta tipologia e do turismo em geral nos Açores. Aplaudo sem reservas, esta postura. É por isso mesmo que me venho debatendo há tanto tempo, apesar das incompreensões”, pois, disse acreditar, “a Associação de Alojamento Local será um parceiro fundamental na regulação da actividade em que se insere e, consequentemente, na credibilização e afirmação dessa tipologia de alojamento entre nós, evitando más imagens e deturpação do mercado que a ninguém beneficia”. Para Gilberto Vieira “o Turismo Rural e de Natureza tem o seu espaço, tem clientes com caraterísticas próprias, a hotelaria convencional tem outro modelo, normalmente baseado em grupos grandes e packages pré-definidos, o Alojamento Local trabalha, usualmente, com um público-alvo específico que procura maximizar o investimento nas viagens em todas as componentes que o destino tem para oferecer, desde o transporte, estada, alimentação e fruição de experiências diversas. Há espaço para todos. Mas a sustentabilidade, a qualidade e a preservação da imagem de um destino que conquistou o seu espaço têm de ser preocupação de todos os ‘players’, rematou Gilberto Vieira, presidente da Associação Casas Açorianas e proprietária da Quinta do Martelo, um empreendimento de Turismo Rural na ilha Terceira.
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Autor: N.C./GAcS

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