Liga diz que “Portugal ainda deve muito aos combatentes sobretudo aos que estão vivos”

Evocando este ano o centenário da Batalha de La Lys, que aconteceu a 9 de Abril de 1918, assinalou-se ontem o Dia do Combatente, em Ponta Delgada, com a imposição da Medalha Comemorativa das Campanhas em 11 micaelenses que combateram no Ultramar. A cerimónia decorreu este ano na Praceta dos Combatentes, onde existe um Monumento ao Combatente do Ultramar e onde constam os nomes dos que tombaram ao serviço de Portugal. Uma homenagem “importante”, conforme referiu Manuel da Cruz Marques, Presidente do Núcleo de Ponta Delgada da Liga dos Combatentes, já que “é sempre importante lembrar aqueles que deram a vida por Portugal”, onde se incluem também muitos açorianos. Açorianos que serviram e tombaram na Guerra do Ultramar e na Batalha de La Lys, e que a Liga dos Combatentes quis homenagear. Manuel da Cruz Marques não sabe precisar o número de quantos perderam a vida na Batalha em França “mas sei que o primeiro combatente açoriano que morreu em La Lys, era da Ribeira Grande”. Foram milhares que saíram daqui para as várias guerras que marcaram o século passado e Cruz Marques elogia os açorianos que, “são dos melhores soldados que Portugal tem”. A razão não é só uma e também não a consegue precisar, mas aponta vários motivos: “talvez por viverem em ilhas, por serem forjados por essas rochas, por saberem o que é o isolamento, tornam-se combatentes firmes e sobretudo leais”. E esses milhares que saíram do arquipélago e que lutaram “firmes e leais” ainda não foram devidamente reconhecidos, no entender da Liga dos Combatentes, que refere que “Portugal ainda deve muito aos combatentes, sobretudo aos que estão vivos”. Daí o lema da Liga que refere: “honrar os mortos e cuidar dos vivos”, porque entendem que “há muitos combatentes e suas famílias que ainda sofrem. Há muitos que são traumatizados de Guerra, mas há aqueles que vindo do Ultramar, casaram, fizeram a sua vida e quando vão para a reforma, estão isolados. Têm mais tempo para pensar e começa-lhes a vir à memória os momentos mais difíceis da Guerra”. Manuel da Cruz Marques explica por isso que a Liga dos Combatentes tem vindo a dar apoio psicológico e psiquiátrico aos ex-combatentes que se encontram nessa situação. Para isso, “pedimos que cheguem até nós e através da Associação de Deficientes das Forças Armadas podemos pedir esse encaminhamento”, explica Cruz Marques que não consegue precisar quantos sócios estão a ser apoiados já que muitos são encaminhados pela Associação de Deficientes das Forças Armadas, por serem sócios desta Associação. Na cerimónia que decorreu junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar, foram ainda condecorados 11 ex-combatentes. Nomeadamente: Francisco Ferreira; Carlos Melo; Lino Fraga; José Artur de Viveiros; Silvério Sousa; Carlos Arruda; Luís Almeida; José Nunes; João Cordeiro; José Maria Cabral; e João Bento.
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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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