Reitor da Universidade dos Açores volta a denunciar que o dinheiro disponível não chega pra o ensino superior

João Luís Gaspar diz que só com “grande rigor orçamental e implementação de medidas que permitam mais receitas próprias” é que pode implementar o plano de acção com que se submeteu para este segundo mandato. Com algumas medidas apresentadas para melhorar as receitas próprias, João Luís Gaspar destacou a constituição de empresas de base tecnológica e parcerias empresariais e a aposta no registo de patentes. Nos próximos quatro anos a Universidade dos Açores vai contar com quatro vice-reitorias e cinco pró-reitorias. João Luís Gaspar tomou ontem posse para cumprir um segundo mandato como reitor da Universidade dos Açores, reafirmando que apesar de “melhor do que o existente em 2014” o cenário está ainda “longe de ser o ideal”. Tendo bem presente o “ainda difícil momento por que passa o ensino superior em Portugal”, João Luís Gaspar manifestou que só com “grande rigor orçamental” é que será possível implementar o programa de acção que apresentou e que consubstancia um plano de continuidade. Durante a cerimónia de investidura, o novo reitor da Universidade dos Açores referiu que “nos próximos quatro anos, a Universidade vai continuar a trabalhar num quadro de graves restrições financeiras, isto fruto do sub-financiamento a que continua votado o ensino superior em Portugal”. Só com um “grande rigor orçamental e implementação de medidas que permitam mais receitas próprias”, é que será possível implementar o programa de acção proposto e “manter as contas equilibradas”. Para isso, João Luís Gaspar pretende aumentar número de estudantes, em particular estudantes estrangeiros; conseguir novos projectos e serviços; constituir empresas de base tecnológica e parcerias empresariais; apostar no registo de patentes; incentivar o mecenato e dinamizar a venda de serviço e aluguer de recursos. Tudo formas de aumentar as receitas próprias da Universidade que vai continuar a “reclamar o acesso a programas operacionais, que nos estão vedados face à nossa localização geográfica ou natureza institucional”, assim como vai continuar a “exigir uma majoração orçamental à tutela, que permita cobrir as assimetrias decorrentes da nossa situação insular e tripolar, que no caso dos Açores são agravadas pela descontinuidade territorial”. João Luís Gaspar fez questão de dizer que a Universidade dos Açores não quer “subsídios, mas sim a garantia que, tendo os mesmos deveres das nossas congéneres nacionais, temos os mesmos direitos”. Para os próximos quatro anos, João Luís Gaspar compromete-se a promover a consolidação dos quadros técnicos da Universidade, continuando a implementar medidas que contribuam para a melhoria dos serviços da academia. Neste mandato que agora se inicia, o reitor pretende recrutar novos docentes e concluir o processo de constituição das novas faculdades e escolas superiores, ao mesmo tempo que garantir processos mais justos do sistema internos de avaliação, baseado no cumprimento de objectivos institucionais. A Universidade dos Açores compromete-se ainda a continuar a melhorar a oferta lectiva “para responder aos interesses dos estudantes, às necessidades do mercado e aos novos desafios”. Neste sentido, a academia açoriana pretende dinamizar a oferta de cursos técnicos superiores profissionais, “propondo a extensão das escola superior de tecnologias à área da administração, de modo a responder às necessidades regionais”. Apostar num quadro de investigadores “que consubstancie a nossa realidade organizacional, ao nível dos institutos de investigação e consolidar estruturas de investigação, através da acreditação”, são outras das medidas que fazem parte do plano de acção para estes próximos quatro anos. “Vamos dinamizar a inovação e empreendedorismo, apoiar a criação de empresas de base tecnológica e incentivar o registo de patentes e a transferência de conhecimentos e tecnologia para sector privado. Estimular a mobilidade de docentes, técnicos e estudantes, atraindo novos públicos, assumindo a internacionalização como objectivo prioritário”, destacou João Luís Gaspar. O reitor da Universidade dos Açores destacou ainda q e vai continuar o processo de dinamização de estruturas culturais, lançando as bases “para o forte projecto universitário no desporto e bem-estar, e promover a formação e competição desportivas a par de actividades de carácter social e humanitário”. Isto ao mesmo tempo que “vamos continuar o trabalho das tecnologias de informação, desenvolver iniciativas para a implementação de conceito de smart university, e melhorar políticas ambientais” na Universidade. Equipa reitoral João Luís Gaspar deixou ainda nota que nos próximos quatro anos a equipa reitoral será reforçada e para isso foram criadas novas vice-reitorias e pró-reitorias, passando assim a quatro vice-reitorias e cinco pró-reitorias “que reflectem as futuras prioridades institucionais”. João Luís Gaspar justifica este aumento de vice-reitorias com a necessidade de garantir elementos com dedicação a tempo inteiro, “se queremos universidade verdadeiramente ambiciosa e competitiva”. Desta forma Ana Teresa Alves vai continuar a assumir a Vice-reitora para a área académica, coadjuvada por Maria José Bicudo que assume a pró-reitoria para o ensino politécnico e acção social escolar. Graça Batista assume a vice-reitoria para a administração, planeamento e qualidade, que será assessorada por Rita Brandão, da pró-reitoria para a modernização administrativa e tecnologias de informação e comunicação. Foi agora criada a Vice-reitoria para ciência e tecnologia que será orientada por Gabriela Queirós, em articulação com Sandra Faria, que assume a pró-reitoria para a inovação e empreendedorismo. Susana Mira Leal será a nova Vice-reitora para a comunicação, relações externas e internacionalização, em articulação com Hélder Pereira que será pró-reitor para o desporto e extensão cultural, enquanto Paulo Fialho será o pró-reitor para o Campus de Angra do Heroísmo. Conselho Geral Por seu lado, a Presidente do Conselho Geral da Universidade dos Açores, Maria José Gil lembrou que o processo de eleição foi marcado por algumas “vicissitudes” que obrigaram a interromper o processo eleitoral, garantindo que “perdeu-se algum tempo, mas ganhou-se, em termos de clarificação, justiça e igualdade perante a lei”. Desta forma a Presidente do Conselho Geral destacou que estando agora criadas “todas as condições para implementar programa” que foi sufragado, o órgão a que preside irá manter sempre um “papel fiscalizador, sempre que os superiores interesse da Universidade assim o determinem”. Uma Universidade que o Conselho Geral quer “aberta à comunidade, parceira indispensável no desenvolvimento económico, social, cultural da nossa Região, capaz de conciliar mais do que dividir, atenta às necessidades dos seus estudantes, docentes, investigadores e funcionários. Deseja-se uma Universidade aberta ao mundo, projectando a sua imagem além fronteiras, estabelecer parcerias e induzir a participação de docentes e investigadores em projectos de investigação internacionais”, concluiu.
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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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