Páscoa significa a ressurreição de Cristo e leva à reunião da família

Terminada a Quaresma, marcada pelo sacrifício das romarias onde participam milhares de homens e, mais recentemente mulheres, e onde se envolvem as suas respectivas famílias num período religioso também marcado pela abstinência, jejum e reflexão, chega o esperado período de Páscoa, assinalado pela morte e ressurreição de Jesus Cristo e pela renovação da vida e espiritualidade que existe em todos os cristãos. Nesse sentido, o Correio dos Açores foi à rua procurar saber como é que algumas pessoas irão passar a sua Páscoa e aquilo que mais valorizam naquele que é o momento chave da fé cristã, chegando ao encontro de João Pacheco que nos contou que para ele a Páscoa significa, em primeiro lugar, a ressurreição de Cristo e depois o convívio familiar do qual fazem parte filhos e netos. Neste ano, João Pacheco revela que, em conjunto com a esposa, a Páscoa irá ser “idêntica a todas as outras”, salientando que o auge da festa em família irá ocorrer no jantar de Domingo: “Vamos fazer um jantar com todos no Domingo, onde seremos 11. Três filhos, respectivos cônjuges e os três netos”, onde serão depois distribuídos folares pelos filhos e pelos netos: “Vamos ter um folar para cada neto e para os filhos, ou seja, quatro folares com dois ovos e três com um ovo”. No que diz respeito à ementa, João Pacheco refere que os pratos privilegiados serão o lombo de porco assado como prato principal e o polvo como entrada. Já no que toca às sobremesas, refere que o predilecto será um cheesecake, “porque o meu filho gosta”, salientando no entanto que, por norma, a família vai variando nos pratos servidos neste dia de comemoração religiosa. Após a Páscoa, João Pacheco e a esposa seguirão viagem para Lisboa, referindo que só o farão nessa altura porque já terão celebrado a ocasião com a família próxima. Por sua vez, Nélia Sousa refere que é raro poder passar esta festividade em família por conta do seu trabalho, salientando que “Páscoa é estar, acima de tudo, com a família. Ainda por cima eu trabalho por turnos e é muito complicado estar com a família”. Contudo, afirma que este ano terá “o privilégio de estar em casa os três dias” que antecedem a Páscoa, o que a fará “aproveitar o máximo possível”, a começar pela noite de Quinta-feira. Tendo em conta que terá mais tempo livre este ano, Nélia Sousa afirma que este ano “não terá desculpa” para não ir à missa, uma vez que esta é uma tradição que também aprecia nesta época religiosa. O Domingo será marcado pelo convívio em casa de familiares, onde todos são encarregados de levar um tipo de iguaria: “Normalmente costumamos dividir as tarefas, um faz uma coisa e outro faz outra, e a partir daí coube-me a mim fazer o peixe, mas também haverá carnes”. É neste dia que, afirma, serão ainda distribuídos alguns “ovinhos de Páscoa pelos mais novos”, completando assim mais uma das tradições pascoais. Foi numa das lojas mais antigas da Rua dos Mercadores que encontrámos Ana Teixeira Paiva, que nos afirmou viver a Páscoa muito religiosamente: “Gosto muito das cerimónias de Páscoa, é a morte, paixão e ressurreição de Cristo e, além disso, o florescer da vida”. Para além disso, a comerciante referiu estar também feliz com esta festividade porque este ano terá todos os filhos reunidos: “Tenho cá os meus filhos, um que está a estudar no Porto mas que agora está cá, e outro que está em Madrid mas que também veio passar a Páscoa connosco, que é, sobretudo, a reunião da família”. Neste sentido, refere que haverá um jantar na sua casa com toda a família, incluindo irmãs e sobrinhos, onde será servido polvo e um rolo de carne que faz por tradição. “De resto teremos os folares, as amêndoas, os ovos de Páscoa, uma tarte de natas e bolo de laranja”, afirmando que a sua Páscoa “é quase sempre assim, às vezes vario mas faço quase sempre a mesma coisa”. No que diz respeito às ofertas, Ana Teixeira Paiva salienta que estas passam, normalmente por ovos e amêndoas: “Dou um ovinho a cada pessoa da família, ou amêndoas de chocolate regionais, que são as preferidas lá em casa. São estas as ofertas que normalmente faço, mas às vezes há mais um miminho, como livros ou perfumes”. Por seu turno, Jordão Botelho afirma que, na sua família, já não há o hábito de trocar este tipo de ofertas porque “já se acabaram os bebés”. Contudo, afirma que “a Páscoa é um marco muito importante” por ser uma época em que “carregamos nos ombros a responsabilidade das romarias e a morte e ressurreição de Jesus Cristo”, considerando por esse motivo que “a Páscoa é mais importante do que o Natal, só que as pessoas valorizam mais o Natal pelo consumismo, enquanto que se deveria valorizar mais a Páscoa”. Durante a Quaresma, Jordão Botelho costuma também fazer parte de um rancho de romeiros: “É das coisas mais importantes, que faço com mais afinco e das coisas que mais gosto. Costumo dizer a brincar que “gostaria de morrer ali” porque é um acto de penitência muito importante. É pena que a idade já esteja avançada, mas é o que mais adoro”. Já no Domingo de Páscoa, refere que irá “tentar almoçar em casa com a família”, onde haverá cabrito e outras iguarias regionais, mas que pelo facto de ter um negócio no ramo da restauração terá que “estar ao serviço do povo” por conta dos turistas que procuram os restaurantes neste dia: “Como temos cá muitos turistas temos que, além de aproveitar o movimento, dar uma boa imagem da nossa terra e o saber receber é muito importante. Andámos a queixar-nos durante o ano que não tínhamos clientes e agora, felizmente, por esta altura aparecem-nos alguns e temos que valorizar isso”.
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