Quando a rede de abate estiver concluída “pretendemos atingir um outro nível de exportação da carne para o futuro...”

O Presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, afirmou ontem ao Correio dos Açores que, se a rede regional da abate estivesse hoje concluída e devidamente homologada, a Região estaria a obter uma maior “mais valia” da grande procura que está a verificar-se da carne açoriana no mercado. Jorge Rita falava a propósito da reunião de ontem do Centro Estratégico Regional para a Carne dos Açores (CERCA), que vai ser presidido por Elisabete Tavares, do IAMA – Instituto de Apoio aos Mercados Agrícolas e tem como vice-presidentes Jorge Rita, Presidente da Federação Agrícola dos Açores; e Jorge Pereira da Verde Atlântico, do Pico. Reconhecendo que as obras de construção de novos matadouros e de reestruturação e ampliação de outros, como o caso do Matadouro Industrial de São Miguel, estão em curso, o desejo do Presidente da Federação Agrícola dos Açores é o de que todas estas obras fiquem concluídas para que as “mais valias” fiquem na Região. “Se os matadouros, hoje em dia, estivessem em melhor situação, o escoamento de parte da carne dos Açores teria hoje um processo diferente, com mais valia para a Região”, afirmou. Acrescentou que a expectativa da Federação Agrícola é que os matadouros “melhorem rapidamente para que, no escoamento, fique mais valor acrescentado na Região”. Jorge Rita admite que a criação de condições para ter carne de qualidade e devidamente promovida no mercado, aproveitando-se a imagem da Marca Açores e o estatuto de Identificação Geográfica Protegida só se irá conseguir, em plenitude, “quando tivermos toda a rede de abate concluída e homologada para se atingir um outro nível de exportação que pretendemos para o futuro”. Durante a reunião de ontem ficou claro que é necessário “tornar mais flexível e mais actual o caderno de encargos da carne de Identificação Geográfica Protegida com o objectivo de dar mais notoriedade à carne IGP” da Região. Como afirmou Jorge Rita, é “importante que tenhamos, a montante, boa carne, é importante que tenhamos uma boa transformação de carne nos matadouros para, quando chegar à parte do consumidor, se salvaguardar e potenciar as suas potencialidades”. Jorge Rita sublinhou, a propósito, que “se tivermos alocado à carne dos Açores estudos científicos relevando as suas qualidades no sentido de que é benéfica para a saúde humana devido à carga de ómega 3 que tem, é evidente que teremos maiores mais-valias”. O Presidente da Federação Agrícola apresentou, neste sentido, uma proposta no Centro de Estratégia Regional para a Carne da Região para se retomar um estudo que se desenvolveu há alguns anos que valorizava a carne do arquipélago pelas suas qualidades únicas, nomeadamente por possuir níveis de Ómega 3 suficientes elevados para contribuir para a saúde humana. Jorge Ria acredita que estão criadas as condições para “se dar um salto” no sector da carne nos Açores e referiu que o centro que ontem se institucionalizou, “por mais que não seja”, constitui-se como “um fórum de discussão entre todos os parceiros para que se comece a perceber a realidade dos Açores”. Outro objectivo pretendido é que o centro agora criado sirva para a pesquisa, efectuando-se trabalhos e estudos sobre o sector da carne na Região um pouco à semelhança do Centro de Leite e Lacticínios e que também se consiga definir estratégias na Região em relação à carne, partindo do pressuposto de que a “realidade de cada ilha é diferente de cada ilha. As condições climáticas são diferentes, a sazonalidade na estabilização dos animais para venda é diferente...”, procurando-se “uma maior homogeneização das carcaças” em cada uma das ilhas. Actualmente, “está a ver uma grande procura da carne dos Açores e está a haver um bom escoamento”. E, como sublinha Jorge Rita, “é agora que se faz o trabalho e não é quando estivermos em grandes dificuldades que nos vamos sentar à mesa a fazer o trabalho para o futuro. Agora, nesta fase, é que se faz o trabalho de futuro para, no dia em que as coisas correrem menos bem, já estamos mais bem preparados”, completou. João Ponte defende “união de esforços” Entretanto, o Secretário da Agricultura e Florestas defendeu, a propósito da reunião de ontem, que as associações, as cooperativas, os empresários e o Governo devem trabalhar com o objectivo “único de promover e valorizar a carne dos Açores, de modo a garantir a sustentabilidade de um sector cujo volume de facturação primário atinge cerca de 50 milhões de euros anuais”. “Temos todos que trabalhar com um objectivo único, que é promover, valorizar a carne dos Açores e garantir a sustentabilidade deste sector”, afirmou João Ponte. O governante anunciou que propôs aos membros do CERCA que se comece a trabalhar na elaboração de um plano de acção com vista à valorização da carne dos Açores, cuja fase inicial passa por ouvir todos os parceiros e os principais operadores no mercado. O titular da pasta da Agricultura salientou que “será também necessário criar uma marca própria - Carne dos Açores -, de modo a evitar qualquer tipo de confusão por parte dos consumidores e eventuais tentativas de aproveitamento de terceiros”. “Vamos começar a trabalhar no sentido de criar uma marca própria da carne da Região, que promova e potencie as nossas características únicas associadas à Natureza e ao bem-estar animal, e as características organoléticas”, frisou. Para o governante, “tudo isso tem de ser potenciado e o consumidor fora da Região, quando adquirir carne dos Açores, tem que ter a certeza e a confiança de que está a comprar um produto com qualidades únicas”. Este trabalho, segundo João Ponte, passa por alterar o caderno de especificações da carne com Identificação Geográfica Protegida (IGP), pela sua manutenção e valorização enquanto carne de alta qualidade e pela aposta na carne de produção biológica ou de Reserva da Biosfera que poderá surgir no mercado, entre outros aspectos. “Temos de nos posicionar pela qualidade”, sustentou João Ponte, acrescentando que os Açores “estão a concluir grandes investimentos na rede regional de abate e vão apostar também na certificação dos matadouros para acrescentar ainda mais valor à carne”. Na reunião de ontem do CERCA, que contou com representantes de 12 entidades ligadas à agricultura, foram admitidos mais dois sócios, nomeadamente a Associação dos Jovens Agricultores Jorgenses e a empresa privada Quinta dos Açores. O Centro Estratégico Regional para a Carne dos Açores, associação de direito privado e sem fins lucrativos fundada no final de 2017, tem como missão “encontrar e aperfeiçoar mecanismos de promoção, valorização, aconselhamento e análise dos mercados nacionais e internacionais, com vista ao fortalecimento da fileira da carne”. O Centro de Estratégia Regional para a Carne dos Açores visa, também, “incentivar a realização de estudos científicos e técnicos, abrangendo as diferentes vertentes socioeconómicas da realidade do sector na Região”.
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