25 de fevereiro de 2018

Recados com Amor

Ricos! Não sou mulher de políticas, mas gosto de seguir o que se passa no Parlamento dos Açores, mais que não seja para avaliar a qualidade dos representantes que lá estão com o meu voto e de todos aqueles que foram pôr o voto na urna. Esta semana, além da greve de fome do meu diligente e real deputado Paulo Estevão, para que os alunos da Escola do Corvo tenham direito ao fornecimento de refeições à semelhança do que acontece nas demais, falou-se de Saúde, ou de falta dela… Cada parte disse de sua justiça, e ficamos a saber que 11 mil açoreanos estão em lista de espera para uma cirurgia que poderá demorar dois anos… e manda a verdade que se diga que ficou bem ao meu querido Secretário Regional da Saúde, Rui Luís, dizer que não se pode fazer melhor, sinal que é preciso parar para pensar, e descentralizar os cuidados para os centros de saúde, em vez de se concentrar tudo nos três grandes centros hospitalares… Mas isso é matéria que não domino e por isso volto à questão do debate parlamentar… Juro que não percebi a razão pela qual o meu querido deputado José San-Bento desdenhou do estudo sobre a prevalência do cancro na Ilha Terceira que foi citado pelo deputado Artur Lima… José San- Bento disse que não havia estudo nenhum e obrigou o Secretário Messias a repor a verdade… dizendo que se tratava de um estudo preliminar… da Escola de Saúde dos Açores. Rico! Não se deixe encandear por uma partidarite aguda… e já agora, não confunda o que faz o Governo na Saúde, e noutras áreas, com o Partido Socialista, porque o Governo é da Região, suportado politicamente pelo partido que ganhou as eleições… Não estamos em Cuba ou na Venezuela… E por fim, ao dirigir-se a outro deputado no Parlamento, faço-o como mandam as regras invocando o cargo de deputado e não apenas tratando o seu par por senhor!… Meus Queridos! Desde que cessou a sua actividade profissional na banca, como Director do ex-Banif e depois do Santander, Luís Anselmo, que é colaborador do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio… passou a dedicar parte do seu dia-a-dia a apoiar causas sociais, deslocando-se com frequência a São Tomé e Príncipe, onde colabora com a Congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição, na assistência a um projecto de desenvolvimento agrícola e na área do ensino. Na sua qualidade de voluntário, encontrou-se com o meu querido Presidente Marcelo, que foi exactamente visitar o projecto em que colabora o meu rico gestor e economista Luís Anselmo, que junta os seus conhecimentos ao pendor humanista que se lhe reconhece. Meus queridos! Tinha prometido, aqui nos meus recadinhos, que nunca mais entrava na Lagoa das Furnas, porque achava um perfeito disparate ter de pagar para poder dar uma volta e ver a paisagem, circulando numa via que é pública e foi feita com o pilim de todos. Felizmente que a Câmara do meu querido edil Pedro Melo veio agora isentar os residentes nos Açores de tal pagamento, mediante apresentação do Cartão de Cidadão. Ainda acho que não deveria ser cobrada taxa de entrada a ninguém, seja residente ou não, e deveriam sim, ser taxados os serviços, como os estacionamentos ou cozidos. Mas, como não se pode ter tudo, já foi um passo importante e agora já posso dizer que voltarei a entrar para sentir o cheiro das caldeiras e apreciar o bulício do turismo à volta da doentinha lagoa. Mas não posso deixar de dizer que fiquei menente com a ideia de virem a fazer mais uma entrada para a lagoa. Como diz a minha prima Jardelina, enquanto não dão cabo de tudo não descansam… Mas tenho esperança que seja uma febre de entusiasmo como foi a da segunda estrada para a Ribeira Quente e que ficou em águas de bacalhau… Ricos! Foi notícia em tudo quanto é sítio o roubo e vandalismo dos binóculos para visão panorâmica do Pico de Mafra e Sete Cidades, que foram colocados através do orçamento participativo da Câmara de Ponta Delgada. Claro que isto mostra que ainda estamos muito longe da ausência desta cambada de energúmenos que vai dando cabo de tudo o que se faça por aí. Mas também se deve dizer que não é só cá que isto acontece e as autoridades e quem mais decide estas coisas deve saber que estamos sujeitos a isto e, por isso mesmo coisas de valor não devem ficar à mercê do ladrão que até anda sempre à procura da ocasião. Sabendo que há, ou devia haver vigias para os miradouros, os ditos cujos binóculos deveria ter um sistema de fixação que pudesse ser aberto e fechado para os retirar à noite e recolocar de manhã. Se os voltarem a lá colocar é tempo de pensar nisso, ao menos porque… casa roubada, trancas na porta! Meus queridos! Como todos sabem, não sou mulher de elogios fáceis, mas esta semana não resisto a mandar um ternurento beijinho ao dinâmico capelão do Hospital do Divino e pároco de Nossa Senhora dos Anjos da Fajã de Baixo, pela destemida e frontal entrevista que concedeu ao jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio sobre a eutanásia. Com toda a frontalidade soube dizer que “ninguém quer morrer” e que quem estudou para dar e salvar vidas não pode querer acabar com uma vida. Sabendo-se que é uma questão polémica e que tem dividido a sociedade, a entrevista do padre Paulo Borges mostra que ainda há quem saiba defender os valores, com humanismo, mas com muita firmeza. E, quando eu for doente para o Hospital do Divino, vou mais tranquila, porque quando lá vir o seu capelão, direi a mim mesma: este não quer que eu morra por eutanásia, mesmo que eu quisesse! Ricos! Quando a gente pensa que já viu tudo, há sempre mais alguma coisa para nos deixar menentes. Foi o que senti quando li esta semana que o Bastonário da Ordem dos Médicos não quer que os médicos sejam tratados por doutores e diz que vai arranjar outro ou outros nomes para serem tratados. Eu sei que os ricos têm toda a razão com essa mistura de doutores que agora por aí vai com várias medicinas alternativas e com o reconhecimento pelo Governo da Geringonça dos “doutores” e métodos chineses… Mas quem é que me há-se dizer que quando tiver uma dor de barriga ou ferrugem nas cruzes que não vou ao senhor doutor…. Fico em pulgas para saber que nome se poderá inventar para a classe médica… Há cada uma! Ricos! Como estamos em tempo de Quaresma, por todas as localidades dos Açores e não só, uma das devoções mais marcantes, dentro dos templos é a chamada festa do Lausperene que já vem de muitos séculos e que entre nós é também ocasião para em muitas igrejas se mostrarem autênticas obras de arte na ornamentação de tronos e jardins, com as mais belas flores e luzes. Não sei por que cargas de água apareceu por aí uma moda de mudar o nome de Lausperene (que quer dizer louvor contínuo) para Cerco de Jericó. A moda brasileira ia pegando, mas felizmente que já se vão retratando e voltando a dizer e escrever “Sagrado Lausperene”. É que, sendo cerco de Jericó… até faltavam as trombetas para derrubar as muralhas. Nada como manter as nossas multi-seculares tradições, com os seus devidos nomes… Meus queridos! Quando vi na edição de ontem do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, na última página, o pedido público de casamento do Nuno Santos à Sandra Pereira, com flores e tudo, frente à Escola Antero de Quental, para além da raridade da notícia, lembrei-me dos tempos em que os jornais locais ainda noticiavam os pedidos de casamento, as viagens das pessoas ilustres, as vilegiaturas, ou seja quem ia passar férias e aonde, os casamentos, baptismos e muito mais. Estas pequenas notícias eram a delícia dos correspondentes dos jornais… Hoje desapareceram dos jornais, mas voltaram em força nas redes sociais… Como diria Lavoisier, nada se perde tudo se transforma… E, de certeza, o Nuno Santos e a Sandra Pereira vão ter um bom recorte de jornal para recordar… Ricos! O antigo Liceu, hoje Escola Antero de Quental, celebrou o seu 166º aniversário com várias actividades promovidas pela Associação dos Antigos Alunos, liderada pelo advogado Pedro Gomes. Na sessão solene, o Presidente da Escola Ulisses Barata, apontou as necessidades de investimento que aquele estabelecimento de ensino precisa e desafiou as famílias a interagirem com a comunidade escolar, o que me parece uma política necessária para a co-responsabilização das famílias na educação dos filhos, fomentando também a familiaridade dos professores com os progenitores. Mas, outro ponto alto foi a inauguração da sala de exposições “Domingos Rebelo” que a partir de agora junta todas as obras da autoria daquele professor e categorizado pintor, que estavam espalhadas na Antero de Quental. A tarefa de juntar todo o espólio foi do meu querido professor Luís Bastos que não deixou os créditos por mãos alheias e a obra está à vista… Os meus parabéns a todos quantos intervieram nas comemorações de mais um aniversário do antigo Liceu de Ponta Delgada. Meus Queridos! Ainda a propósito das comemorações que tiveram lugar na Escola Antero de Quental, não posso deixar de dizer que contrariamente às vozes que se levantam contra a celebração de uma missa por alma dos antigos professores e alunos, eu digo que fizeram muito bem e numa altura em que quase que querem que tenhamos vergonha de ser católicos é preciso que haja quem tenha coragem de perceber que o facto de numa celebração, seja ela qual for, haver um convite a quem quiser voluntariamente associar-se a uma manifestação de acção de graças, não significa mistura nem dependência. E é assim que se compreende que nas escolas se celebre o culto do Espírito Santo, ou a tradição dos romeiros e tantas outras… Falta de respeito seria se alguém de outra crença pedisse para ter um espaço de celebração numa escola e isso fosse negado… Ricos! Juro que não percebo o que é que leva a Universidade dos Açores a desperdiçar um potencial como aquele que poderia encontrar em Cabo Verde, que é um país que faz parte da Macarronésia tal como os Açores, e deixa que sejam Universidades Portuguesas a preencher o vazio…. Bem fez a investigadora Helena Calado, que lançou o alerta dizendo que “A Universidade dos Açores tinha tudo a ganhar se tivesse acordos com a Universidade de Cabo Verde, sobretudo na rede de estudos do ambiente”. Ricos! Não há ninguém na Universidade dos Açores capaz de tomar este encargo? Se precisarem de ajuda digam que eu dou uma mãozinha de graça! … tá?
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