25 de fevereiro de 2018

A “doença” da saúde!

1- O estado da Saúde na Região foi a debate na Assembleia Legislativa dos Açores por iniciativa do PSD/Açores. Como tem sido recorrente, este importante sector tem merecido debates acalorados, sendo que na generalidade terminam como começaram. Usando um ditado popular, produzem muita parra mas pouca uva. 2- Não é fácil gerir o Serviço Regional de Saúde, porque nele convergem várias forças que puxam em direcções opostas. Os utentes são cada vez mais exigentes. Os custos são incontroláveis e dependem do lóbi poderoso do medicamento. A ciência tem, e bem, evoluído de tal forma que proporciona novos meios de combate à doença, implicando também um aumento do custo dos serviços. 3- Como consequência, os números agora divulgados sobre o endividamento do Serviço Regional de Saúde apontam para um valor de mais de 730 milhões de Euros, distribuídos pela Saudaçor, com 600 milhões, e mais de 130 milhões de dívidas a fornecedores dos três hospitais. 4- Acresce que as listas de espera para uma intervenção cirúrgica atingem a cifra de onze mil e trezentos pacientes, oito mil dos quais respeitam ao Hospital do Divino Espírito Santo, em São Miguel. 5- Quer isso dizer, que apesar de haver mais médicos e enfermeiros nos serviços de saúde, a lista de espera em 2016 era de nove mil e setecentos pacientes, representando assim, num ano, um acréscimo de mil e seiscentos doentes. 6- Não é fácil estar doente porque mesmo para consultas de especialidade nas clínicas privadas, a espera ultrapassa em muitos casos os noventa ou os cem dias para se ser atendido. 7- A convergência de doentes para os hospitais devido à desactivação de serviços nos Centros de Saúde e a falta de investimento em novos equipamentos, atrofiam os diversos serviços e os cuidados hospitalares. 8- O futuro hospital privado não vai ser o remédio para o problema com que nos confrontamos, porque estamos perante um bloqueio de ordem financeira que terá implicações também nos serviços a convencionar com os privados. 9- Do debate parlamentar não se retiraram propostas audaciosas para responder às dificuldades do Serviço Regional de Saúde e parece que perante tal impasse se deveria juntar todos os agentes da saúde, envolvendo também os privados para com a experiência do pessoal médico, de enfermagem e de gestão, e partindo do diagnóstico que se conhece e da conjuntura que existe, traçar metas estruturais para tornar gerível, para os utentes e para a Região, o Serviço Regional de Saúde. 10- Esta é matéria que precisa de um acordo alargado porque a gestão da Saúde, vai para além dos quatro anos das legislaturas, e nesse acordo tem de se incluir o plano de prevenção que implica alteração de hábitos da população.
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Categorias: Regional

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