Projecto Novas Rotas continua a não ser implementado nas escolas dos Açores

O projecto consiste numa “inovação pedagógica em que há uma estrutura organizacional e funcional diferente da que existe actualmente nas escolas públicas” da Região. Quem o diz é Rita Silva, uma das representantes do grupo de pais que apoia a integração deste modelo de ensino nas escolas açorianas, à semelhança do que acontece em algumas escolas do continente português. Contudo, apesar dos vários esforços desta associação de apoiantes, e apesar das várias reuniões e discussões com elementos do Governo Regional, este é um projecto que continua sem implementação à vista, uma vez que a comunidade educativa dos Açores não aceitou ainda a concretização do Novas Rotas numa das unidades orgânicas do sistema educativo regional, ideia que foi mais uma vez reforçada na reunião que este grupo de pais teve ontem com o Secretário Regional da Educação e Cultura. No seguimento desta reunião, que ocorreu na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, Rita Silva aponta que o grupo se sente “muito ouvido e apoiado”, mas que “no entanto a posição política mantém-se” e o projecto estagna, obrigando a que, neste momento, o grupo de coordenadores deste projecto, assim como o grupo de apoiantes, estejam a “repensar as estratégias” para dar mais voz e destaque aos pais: “Nós sentimos que os pais muitas vezes não são ouvidos e que deveriam ter mais voz, não uma voz de indignação ou crítica a alguém, mas sim uma voz que quer ser envolvida e ouvida no percurso educativo dos seus filhos”, refere. Segundo a representante do grupo de pais apoiantes da Novas Rotas, este é um projecto que não exige recursos financeiros que possam pôr em causa a gestão do Governo Regional no que diz respeito à Educação: “Só estamos a pedir que nos dêem esta oportunidade que não exige mais dinheiro. Nós não queremos uma escola nova nem precisamos de contratação de professores. Esta é uma solução tão económica e que faz muito sentido, por isso não percebemos porquê tanta resistência”. Rita Silva salienta ainda que este projecto de inovação pedagógica, que pressupõe que os pais tenham um papel mais activo na educação dos filhos que, por sua vez, “deixam de ser apenas receptores de informação”, e não exige que os professores do ensino tradicional trabalhem de maneira diferente. “Só estamos a pedir duas ou três salas numa escola e que os nossos professores da Novas Rotas façam diferente. O que se pressupõe é que haja uma formação, pois para que um projecto tenha sucesso é preciso que as pessoas estejam engajadas e que tenham formação e competência para fazer diferente”. Das consecutivas tentativas de implementar este projecto na Região, Rita Silva destaca que o grupo de pais quer apenas “uma alternativa, um poder de escolha” no que diz respeito à educação dos filhos. “Não queremos uma escola erudita e não queremos que isso seja forçado aos nossos filhos, queremos que este projecto seja acessível a todos, não queremos que seja privado”, adiantando ainda ao nosso jornal que esta “não é uma mera experiência ou projecto-piloto”, uma vez que tem os mesmos fundamentos de programas como o ProSucesso e foi submetido a avaliação por parte da Universidade dos Açores, tendo apenas “uma orgânica diferente”. No entender de Avelino Meneses, este é um projecto que “comporta algumas virtualidades” mas, no entanto, não poderá ser um projecto “realizado à margem da nossa comunidade educativa dadas as eventuais resistências que possam existir por parte das lideranças intermédias”. Deste modo, para o Secretário Regional, “o caminho só pode ser a consciencialização da nossa comunidade educativa para a necessidade da mudança para a vantagem da inovação”, admitindo que, se existirem no futuro propostas de experimentação do Novas Rotas, “gostaria que isso acontecesse no âmbito do sistema educativo regional que temos e não de uma forma completamente separada”. Contudo, Avelino Meneses salienta que este projecto “parte de uma análise muito negativa da escola que nós temos hoje”, referindo ainda que “na escola de hoje estão já incorporadas muitas mudanças, muitas propostas que o Projecto Novas Rotas apresenta”, como será o caso da transformação dos estudantes numa comunidade de cidadãos, numa comunidade responsável, autónoma e criativa. No que ao envolvimento dos pais no percurso escolar dos filhos diz respeito, o Secretário Regional aponta que este é, também, um propósito enunciado pelo Projecto Novas Rotas, mas que é igualmente um dos objectivos da escola tradicional, uma vez que há planos de acção “que envolvem vários agentes” que foram desenvolvidos e implementados nas escolas dos concelhos de Lagoa e Vila Franca, e que “partem do princípio que o insucesso não está só dentro dos muros da escola”. Por estes motivos, Avelino Meneses sustenta que “não há qualquer garantia que o Novas Rotas atinja com maior sucesso esses objectivos que também queremos atingir na escola de hoje”.
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Categorias: Regional

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