Chá da Gorreana é bebido na Europa, em especial por franceses e alemãs

Entre as 28 empresas açorianas que irão marcar presença na 23.ª edição do Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas (SISAB), que será realizado entre os dias 12 e 14 de Fevereiro no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, estará a Fábrica de Chá Gorreana, situada na freguesia da Maia, representada por Madalena Motta. De acordo com esta empresária, a participação neste tipo de feiras internacionais traz imenso potencial para as empresas, permitindo que se realizem novos negócios e, ao mesmo tempo, a renovação de contratos com clientes que se mantiveram fiéis aos produtos açorianos: “No SISAB mostro o que tenho e o que fiz (…) e falamos também daquilo que vai ser o futuro, por isso esta é a feira mais importante em que a Gorreana participa”, afirma. Nesta edição da feira, as Plantações de Chá Gorreana irão, como é habitual, expor todos os seus produtos, com especial destaque este ano para o chá com menta: “Levo sempre tudo o que tenho, tanto os produtos em valor como os produtos em volume, mas vou também levar o nosso novo chá que é o chá com menta plantada na ilha”, salienta a empresária, que acrescenta ainda que este chá de mistura – que já se encontra à venda na fábrica e nos restantes pontos de venda – resulta de uma parceria que a fábrica tem com a Santa Casa da Misericórdia da Maia, através do projecto solidário Três Pontas, que “arranja as ervas aromáticas que incluímos no nosso chá”. Para o futuro, a representante desta quinta geração de administradores da fábrica admite que surgirão mais chás com misturas de ervas aromáticas, uma vez que é um dos produtos que mais cativa o mercado actualmente, por influência dos mais jovens: “Depois irão sair mais chás com misturas, porque o mercado agora aprecia muito estes chás, principalmente a juventude”, refere. No que diz respeito ao presente, Madalena Motta salienta que é para a Alemanha que segue a maior parte das exportações de chá realizadas pela fábrica, uma ligação internacional que foi reforçada através das participações no SISAB. Segundo a própria, manter este negócio é também sinal da qualidade deste chá açoriano, uma vez que apenas o “chá que tem mais qualidade vai para a Alemanha”, onde, de acordo com a representante da empresa, são também realizados rigorosos testes que asseguram a qualidade do produto aquando da compra, apesar de existirem também estudos realizados pela Universidade dos Açores que garantem a qualidade do referido chá. Certificada a qualidade deste produto, a relação comercial com a Alemanha tem garantida o seu prolongamento no tempo, assegura Madalena Motta: “O melhor chá do mundo é aquele que nos recorda da nossa infância (…), e na Alemanha já tenho uma geração que apreciou o nosso chá na infância. É aquela geração que já está a começar as suas vidas, está a começar a universidade ou a iniciar no primeiro trabalho e que já construiu a sua memória relativamente ao chá. E estes miúdos, agora jovens adultos, vão sempre apreciar o chá que foi trazido dos Açores”, referindo ainda que as escolhas recaem sobre os chás tradicionais: Orange, Pekoe e Verde. Das relações comerciais estabelecidas através do SISAB, há ainda destaque para os Estados Unidos da América, através da empresa Portugália e também para a França, para onde tem havido um aumento das exportações. Neste sentido, Madalena Motta relembra a participação numa das feiras a que foi em representação da fábrica de chá: “Em França, vendemos um pacote com 100 gramas de chá a um senhor que não sabíamos quem era, e depois descobrimos que o senhor era dono de uma grande casa de chá. O senhor provou o nosso chá, gostou muito e estes 100 gramas transformaram-se numa tonelada apenas para este cliente. Por isso as feiras são importantes”. Também o turismo tem tido um papel importante no “mundo do chá”, tendo Madalena Motta adiantado ao nosso jornal que “os turistas trouxeram à fábrica uma lufada de ar fresco que, em conjunto com as feiras nacionais e internacionais, fizeram com que se aumentasse a exportação de chá”. A proprietária de parte deste negócio familiar salienta ainda que só assim foi possível conseguir “o equilíbrio que não tínhamos e que estava perdido desde o 25 de Abril”, uma vez que, durante muitos anos, a fábrica funcionou apenas por “amor ao chá”. De acordo com a empresária, uma das maiores dificuldades que o sector do chá encara é a elevada quantidade de mão-de-obra necessária para colocar o negócio em andamento, sendo que actualmente a fábrica conta com 42 funcionários durante todo o ano, com um acréscimo de mais seis trabalhadores durante o período de Verão, factor que contribui para o encarecimento do chá açoriano, considerando que noutros países este é um negócio “um bocado ingrato”. Madalena Motta explica: “enquanto que na Índia e no Bangladesh as pessoas ganham 50 cêntimos por dia, nos Açores ganham aquilo a que humanamente têm direito, porque estamos na Europa e isso acresce o valor do nosso chá em comparação com outros”. Outro entrave à produção de chá está relacionado com o gasto de energia que todo o processo requer, salientando a empresária que “a nossa sorte é que a fábrica de chá tem a sua própria energia, o que abate um pouco o custo de produção. Nós temos uma represa de água desde 1920 e isto é que é o coração da parte industrial da fábrica (…), senão era impensável manter a fábrica aberta e era impensável entrar no mercado do chá se tivesse que pagar a energia”, considerando ainda que durante muitos anos este negócio familiar “perdeu imenso dinheiro, mas o amor pela fábrica e o amor dos funcionários pela fábrica permitiram-nos continuar”. De acordo com Madalena Motta, este esforço conjunto e os restantes factores externos conseguiram que “se provasse a qualidade do chá” que é produzido no meio do Oceano Atlântico.
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